Independentemente do desfecho da semifinal da Copa Libertadores diante do Palmeiras no Allianz Parque, o mérito de Tiago Nunes no comando da LDU está completamente assegurado. O treinador brasileiro que ganhou projeção nacional após o excelente trabalho no Athletico-PR com o histórico título da Copa do Brasil acabou caindo em desgraça por ter sido responsável por encerrar a melancólica campanha do Botafogo no Brasileirão de 2023 fora do G-4, tendo assumido a equipe enquanto o Fogão ainda estava na liderança. Depois disso, o péssimo início de temporada do Campeonato Carioca e uma quase eliminação na fase prévia da Libertadores causaram sua demissão.
Desde então, Tiago Nunes resolveu abandonar sua carreira de treinador no Brasil e resolveu partir para o Equador, sendo o Botafogo o seu último trabalho antes de outras passagens consideradas muito negativas. Buscando reinventar-se na carreira, assumiu o comando da LDU e foi extremamente bem sucedido após trabalhos decepcionantes por Corinthians, Grêmio e Botafogo, os quais criaram um rótulo de “pipoqueiro e péssimo profissional”.
Desabafo na Fifa aponta para imediatismo no Brasil
A entrevista concedida para o site da Fifa antes do jogo de volta das semifinais acabou sendo um grande desabafo ressaltando a realidade do futebol brasileiro. Nunes afirma que um treinador que tenha trabalho negativo no Brasil “vai continuar sendo ruim pra sempre”, sem o “direito de se desenvolver e melhorar”, apontando para a quantidade de treinadores que costumam perder seus empregos durante uma temporada.
Existe um imediatismo no futebol brasileiro que consiste na pressão absurda por resultados, fato que provoca o atropelamento de processos e causa um ambiente tóxico com pressões de torcida e parte da imprensa exigindo trocas de treinadores, sendo que isso afeta exatamente os mais jovens. Tiago Nunes sentiu isso na pele, valendo a ressalva de que seus trabalhos não estavam evoluindo em pelo menos dois dos três clubes mais recentes.
Tiago Nunes já apostou em um trabalho fora do Brasil em 2023 quando comandou o Sporting Cristal, que chegou próximo de alcançar uma final de Libertadores, mas acabou deixando o país peruano para retornar ao futebol brasileiro. Agora na semifinal da Libertadores e com a terceira colocação na fase de grupos do Campeonato Equatoriano (55 pontos em 32 jogos), o treinador deve repensar duas vezes antes de voltar ao Brasil.
Entenda o trabalho de Tiago Nunes na LDU
O técnico desenvolveu seu trabalho na LDU priorizando o 5-3-2, com variações para o 3-5-2 quando possui a posse de bola. Com três zagueiros centrais, os alas (ou laterais) sobem para apoio ofensivo, gerando largura. A linha de três no meio-campo, onde um volante âncora cobre os centrais, e dois meias ou “box to box” dão amplitude e dinâmica. Há ainda dois atacantes (ou um referência + segundo mais móvel) que exploram os espaços gerados pelas laterais/alas e contra-ataques.
Em momentos defensivos, as linhas se compactam, pressionam de forma organizada para proteger os corredores e usam o campo reduzido para não dar profundidade ao adversário. Dependendo do adversário, Nunes altera para 4-4-2 ou 4-3-3 mais conservador quando joga fora de casa para proteger o resultado, mas sem abrir mão da verticalidade. Essa foi a chave de Tiago Nunes para superar o Palmeiras com três gols de vantagem na ida, resta saber agora como será o duelo no Allianz Parque.
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