O Arsenal vai passar o Dia de Natal no topo da tabela da Premier League, enquanto Wolves, Burnley e West Ham se equilibram perigosamente nos últimos degraus da classificação. À medida que a temporada se aproxima da metade, a pergunta surge de forma inevitável: o que os “fantasmas dos Natais passados” revelam sobre quem levanta o troféu em maio — e quem não escapa do rebaixamento?
A liderança no Natal costuma virar título?

Historicamente, liderar a Premier League no Natal não é garantia de título, mas está longe de ser irrelevante. Em 17 das 33 temporadas, o time que terminou dezembro na ponta acabou campeão — praticamente um cara ou coroa.
Para o Arsenal, porém, o retrospecto é incômodo. Os Gunners lideraram no Natal quatro vezes antes desta temporada e nunca conquistaram o troféu. Antes da chegada de Mikel Arteta, o clube havia ocupado essa posição apenas duas vezes. Agora, é a terceira liderança natalina em quatro temporadas. A esperança da torcida é que a bagagem acumulada em campanhas recentes sirva de aprendizado para, enfim, conter o avanço do Manchester City — e entregar o presente mais aguardado desde 2004.
Ainda assim, a margem de erro é mínima. O Arsenal tem apenas dois pontos de vantagem, enquanto a média histórica do líder no Natal é de quatro. Curiosamente, o último time a liderar com uma vantagem menor foi o próprio Arsenal, há duas temporadas.
Por outro lado, a estatística anima: o Arsenal é apenas o oitavo clube a liderar no Natal com dois pontos de vantagem — e cinco dos sete anteriores terminaram campeões, incluindo os últimos quatro casos.
Outro dado chama atenção: o segundo colocado no Natal venceu o título em apenas duas das últimas 17 temporadas — ambas com o Manchester City. E, nas últimas cinco vezes em que o líder natalino não foi campeão, o troféu acabou nas mãos do time de Pep Guardiola.
Por que esta temporada pode ser diferente para o Arsenal?

O sentimento de déjà vu é inevitável para o torcedor. Liderar no Natal e ser ultrapassado por um City implacável já virou um roteiro conhecido. Ver uma vantagem de sete pontos evaporar para apenas dois em cinco jogos também não inspira confiança. Ainda assim, o discurso interno tenta blindar o grupo.
“Estamos no controle. Sabemos que, se vencermos toda semana, continuaremos lá”, afirmou Bukayo Saka.
Arteta reforça a mesma linha:
“A única coisa que podemos controlar é o nosso desempenho. Sabemos o quão longa e difícil é esta liga.”
O histórico pesa a favor dos Citzens. Guardiola já venceu ligas na Inglaterra, Alemanha e Espanha. Arteta, por sua vez, ainda busca seu primeiro título nacional como treinador. No elenco, a diferença também aparece: apenas Gabriel Jesus, no Arsenal, venceu a Premier League — quatro vezes, pelo City.
Ainda assim, há argumentos para o otimismo. O time de Etihad Stadium está longe da máquina implacável de temporadas anteriores: já perdeu quatro partidas, contra apenas duas derrotas do Arsenal.
“O espírito está lá, mas precisamos melhorar”, reconheceu Guardiola.
O contraste entre os rivais é claro: o City marca mais gols, mas sofre mais; o Arsenal é menos prolífico, porém mais sólido defensivamente. Nesse sentido, a disputa pelo título pode ser decidida justamente nesse duelo de estilos.
O que a história da Premier League diz sobre a luta contra o rebaixamento?

Se no topo os números dividem esperanças, na parte de baixo da tabela eles costumam ser cruéis. Em apenas quatro das 33 temporadas, o lanterna no Natal conseguiu escapar do rebaixamento — a mais recente com o Wolves, em 2022/23. Repetir o feito, porém, parece improvável: com apenas dois pontos e uma distância considerável para a salvação, a missão beira o impossível.
O Burnley, penúltimo colocado, ainda mantém alguma esperança: quase metade dos clubes nessa posição no Natal conseguiu se salvar. Já o West Ham, em 18º, tem motivos para maior otimismo: equipes nessa colocação escapam, em média, em duas de cada três temporadas.
O cenário mais comum é duro: em pouco mais da metade das edições, apenas um entre os três últimos no Natal sobrevive. Nunca os três escaparam juntos — e só em quatro ocasiões todos acabaram rebaixados.
Natal aponta tendências, mas o destino se decide no segundo turno
Para a Premier League 2025/2026, o Natal não entrega sentenças definitivas, mas deixa tendências claras. No topo, o Arsenal carrega o peso da história e a urgência de transformar maturidade em regularidade para não permitir mais uma reação do Manchester City, que segue como a principal ameaça mesmo longe de sua versão mais dominante.
Na parte de baixo, a matemática e o passado não perdoam: cada rodada sem vitória empurra Wolverhampton, Burnley e West Ham para um território onde a recuperação é exceção, não regra. A segunda metade da temporada será menos sobre promessas e mais sobre execução — porque, na Premier League, o Natal aponta caminhos, mas é entre janeiro e maio que o destino de fato se cumpre.
Créditos da foto de capa: David Price/Arsenal FC via Getty Images