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Tottenham: bem na tabela, mas será que engana?

O Tottenham começou a temporada com cara de quem ia surpreender. Thomas Frank chegou cheio de moral, o time voltou a disputar a Champions League e até conquistou bons resultados logo de cara, como a vitória por 2 a 0 sobre o Manchester City e a quase vitória na Supercopa contra o PSG. Na tabela da Premier League, o Tottenham estão em quarto lugar, colados nos líderes, e ainda não perderam na competição europeia.

Mas quando a gente olha além dos números, a sensação é de que tem algo estranho no ar. O desempenho em campo não empolga, os jogos têm sido arrastados e, em vários deles, o time conseguiu mais pontos do que merecia. O empate por 2 a 2 com o Bodø/Glimt na Noruega, por exemplo, foi mais um capítulo de uma equipe que até reage, mas não mostra um plano de jogo claro.

Um time que sobrevive mais do que joga

Esse Tottenham parece viver de momentos isolados. Contra o Bodø/Glimt, saíram atrás por 2 a 0 e só depois disso acordaram. Já foi assim em outros duelos: lutar no fim, buscar o empate e sair com a sensação de que poderia ser pior. Claro que isso mostra raça, mas também escancara a falta de controle durante boa parte dos jogos.

Os números também não ajudam a esconder. Segundo o modelo de pontos esperados (xPts), o Tottenham deveriam estar em 12º lugar, bem longe do G-4. Na prática, significa que estão conquistando pontos além do que o desempenho em campo justifica. É sorte? É eficiência? Talvez um pouco dos dois, mas difícil imaginar que isso vá durar para sempre.

Ataque limitado e dependente das bolas paradas

Um dos maiores problemas tem sido a criação ofensiva. No Campeonato Inglês, o time é apenas o 11º em gols esperados (xG), e mesmo assim conseguiu marcar mais do que deveria. Isso indica que os gols saem mais por aproveitamento pontual do que por chances bem construídas. E o detalhe é que os artilheiros não são exatamente especialistas em finalização: Richarlison, Brennan Johnson e João Palhinha lideram a lista, mas nenhum deles tem fama de matador.

Outro ponto curioso é que o maior artilheiro da temporada é “gol contra”, com quatro. Até o zagueiro Micky van de Ven já marcou mais do que alguns atacantes. Isso reforça a ideia de que o ataque vive de lampejos e, principalmente, de bolas paradas. O próprio Frank, que já valorizava bastante esse recurso no Brentford, repete a estratégia em Londres. Falta de repertório ou pragmatismo inteligente? Fica a dúvida.

Mais seguros atrás, mas pagando o preço na frente

Se o ataque deixa a desejar, pelo menos a defesa melhorou. A média de chances cedidas caiu quase 30% em relação à era Postecoglou. Isso mostra que o time ficou mais sólido, e a chegada de Palhinha ajudou bastante nisso. O problema é que, para reforçar a retaguarda, parece que Frank sacrificou a ousadia ofensiva.

Nos jogos em que precisam propor mais, o Tottenham trava. Palhinha, por exemplo, é excelente recuperando bola, mas com ela nos pés, a coisa complica. Contra o Wolves, completou menos de 70% dos passes e quase nenhum vertical. Resultado: o time fica preso a jogadas pelas pontas, mas os pontas também não têm conseguido decidir.

Dependência de Kudus e das individualidades

Nesse cenário, Mohammed Kudus virou praticamente o “respiro criativo” da equipe. Quando entra, costuma dar outra cara, driblando, arriscando, chamando a responsabilidade. Mas depender de um jogador só para quebrar defesas é arriscado, ainda mais numa temporada longa como a da Premier League.

Wilson Odobert e Brennan Johnson, escalados para dar velocidade, pouco produziram contra o Bodø/Glimt. Foram incapazes de criar chances ou ganhar no mano a mano. Isso deixa a sensação de que, sem alguém para desequilibrar individualmente, o Tottenham se perde totalmente na hora de atacar.

Resultados mascaram os problemas?

É verdade que, olhando só para a tabela, o torcedor tem motivos para sorrir: quarto lugar na Premier League, bons pontos na Champions e apenas uma derrota na temporada. Mas a dúvida que fica é: até quando esse desempenho aquém vai sustentar bons resultados?

Se o aproveitamento cair e os pontos deixarem de aparecer, o clima pode azedar rápido. Afinal, a torcida já andou vaiando em alguns jogos mais fracos, como contra o Bournemouth e o Wolves. Frank ainda tem crédito, mas precisa achar um equilíbrio urgente entre solidez defensiva e criatividade ofensiva.

O desafio de Thomas Frank no Tottenham

Ninguém espera que o Tottenham vire uma máquina de uma hora para outra. O elenco ainda tem desfalques importantes, como Maddison, Kulusevski e Solanke, além de reforços como Kolo Muani e Xavi Simons que ainda estão se adaptando. O problema é que a paciência da torcida pode não acompanhar esse tempo de ajuste.

Frank provou no Brentford que sabe montar times competitivos, mas agora precisa mostrar que também consegue dar espetáculo. Se continuar dependendo apenas de bolas paradas, defesas sólidas e uma ou outra arrancada de Kudus, o Tottenham pode despencar da realidade dourada da tabela para o meio da classificação em pouco tempo.