A situação do Tottenham é tudo, menos confortável. São 15 jogos sem vencer na Premier League, um cenário que normalmente aponta direto para o rebaixamento. Ainda assim, Roberto De Zerbi resolveu nadar contra a corrente: acredita que o time pode vencer os cinco jogos restantes e escapar.
A declaração veio após o empate doloroso contra o Brighton & Hove Albion, quando o Tottenham cedeu a igualdade nos acréscimos. Mesmo sem a vitória, a atuação foi uma das melhores da equipe na temporada. Houve intensidade, organização e criação — algo raro nos últimos meses.
De Zerbi, que chegou recentemente para tentar salvar o time, viu sinais claros de evolução. Em pouco mais de duas semanas, já conseguiu dar identidade à equipe. Contra o Brighton, os Spurs conseguiram, pela primeira vez em muito tempo, produzir mais ofensivamente que o adversário — um detalhe que, embora pequeno, indica progresso.
Mas o futebol não vive de “quase”. E o Tottenham segue sem vencer em 2026. O desempenho animou, mas o resultado manteve o time afundado na tabela, ainda dentro da zona de rebaixamento.
Discurso otimista esbarra na dura realidade
Apesar do otimismo de Roberto De Zerbi, os números não ajudam. A equipe soma apenas sete vitórias em 33 jogos e precisaria de uma arrancada quase perfeita. Vencer cinco partidas seguidas, especialmente sob pressão, parece mais um exercício de motivação do que uma previsão realista.
As probabilidades reforçam isso. Simulações apontam que o Tottenham vencer todos os jogos restantes é algo extremamente improvável. Ainda assim, há um detalhe importante: talvez não seja necessário ganhar todos.
Historicamente, a marca de 40 pontos costuma ser suficiente para escapar do rebaixamento. Hoje, o Tottenham tem 31. Ou seja, três vitórias poderiam bastar — um cenário bem mais plausível do que cinco triunfos consecutivos.
E há precedentes que alimentam a esperança. Times como Fulham FC e Sunderland AFC já conseguiram arrancadas tardias para evitar a queda, mesmo em situações complicadas.
Exemplos do passado alimentam esperança
Um dos casos mais emblemáticos é o do Swansea City AFC na temporada 2016-17. A equipe também estava na zona de rebaixamento a cinco rodadas do fim, com campanha fraca e pouca confiança. Ainda assim, venceu quatro jogos e empatou um, garantindo a permanência.
O cenário atual do Tottenham guarda semelhanças. A equipe também está em 18º lugar, dois pontos atrás da zona segura, e enfrenta adversários de diferentes níveis nas rodadas finais. Não é impossível imaginar uma sequência positiva.
O problema é que não depende apenas de si. Rivais diretos como West Ham United e Nottingham Forest vivem momentos mais estáveis, o que reduz a margem de erro dos Spurs.
Além disso, o time precisa corrigir falhas cruciais. Contra o Brighton, criou chances, mas desperdiçou oportunidades claras e voltou a sofrer com lapsos defensivos — dois problemas recorrentes na temporada.
Margem de erro zerada na reta final
Para sobreviver, o Tottenham precisará de uma combinação rara: eficiência máxima, solidez defensiva e, claro, uma dose de sorte. Jogadas como a bola na trave de Xavi Simons não podem se repetir. Em momentos assim, cada detalhe pesa.
A evolução sob o comando de Roberto De Zerbi é visível, mas o tempo é curto. Não há mais espaço para erros ou quedas de concentração. Cada jogo passa a ter clima de decisão.
No fim das contas, a análise fria aponta para um cenário desfavorável. A fuga ainda é possível, mas exige uma virada de nível que o time não mostrou em toda a temporada.
Ainda assim, o futebol já provou inúmeras vezes que o improvável pode acontecer. E, pelo menos por enquanto, o Tottenham segue vivo — agarrado a uma esperança que, embora pequena, ainda não desapareceu.



