A Inglaterra venceu o Panamá por 2 a 0, garantiu classificação e terminou a fase de grupos com o objetivo cumprido. Mas, mesmo com o resultado positivo, uma discussão passou a dominar o ambiente da seleção inglesa: as escolhas de Thomas Tuchel para o lado direito da defesa.
O desempenho pouco empolgante e os novos problemas físicos do elenco aumentaram os questionamentos sobre uma decisão que já era debatida antes do início do torneio: deixar Trent Alexander-Arnold fora da convocação para a Copa do Mundo.
A situação ganhou ainda mais força durante a partida em Nova Jersey. Em meio a uma atuação travada da Inglaterra, Jarell Quansah — improvisado na lateral direita — precisou deixar o campo com dores e virou nova preocupação para a comissão técnica.
Mesmo com o segundo gol marcado por Harry Kane ajudando a aliviar o clima, ficou a sensação de que a Inglaterra pode estar pagando por escolhas que reduziram suas opções justamente em um setor que já apresentava sinais de risco antes da competição começar.
Problema na lateral direita parecia previsível antes mesmo da estreia
Na véspera do confronto contra o Panamá, Thomas Tuchel confirmou que Reece James sofreu mais uma lesão muscular e ficaria fora das próximas partidas.
A notícia imediatamente reacendeu um debate que já existia desde a convocação.
Nos últimos anos, James acumulou diversos problemas físicos e conviveu repetidamente com lesões na região posterior da coxa. Mesmo retornando em alguns momentos, nunca conseguiu estabelecer uma sequência longa de partidas.
O histórico era conhecido internamente.
Tuchel, inclusive, trabalhou diretamente com o jogador durante sua passagem pelo Chelsea e acompanhou de perto parte dessas dificuldades físicas.
Ainda assim, a comissão apostou no lateral como titular para o Mundial.
O problema é que o cenário acabou se repetindo.
Depois de entrar na Copa sem conseguir manter sequência consistente de jogos desde março, James voltou a sofrer fisicamente e deixou a Inglaterra sem sua principal opção para a posição logo nos primeiros compromissos do torneio.
Ausência de Alexander-Arnold volta ao centro das críticas
Se a aposta em Reece James já gerava debate, a ausência de Trent Alexander-Arnold acabou se tornando ainda mais difícil de ignorar.
A primeira decisão que chamou atenção aconteceu ainda durante os compromissos internacionais anteriores à Copa, quando o lateral ficou fora das escolhas de Tuchel.
Naquele momento existia algum contexto ligado à recuperação física do jogador.
Mas a surpresa aumentou quando o treinador definiu a lista final para o Mundial e novamente deixou Alexander-Arnold fora.
A decisão ganhou peso porque o defensor chegava embalado por um fim de temporada consistente após seu primeiro ano no Real Madrid.
Além da experiência acumulada por Liverpool e seleção inglesa, o lateral voltou a apresentar um nível elevado tanto na liga quanto nas competições europeias.
Mesmo assim, ficou fora.
Quando Tino Livramento também deixou a disputa por questões físicas, existia expectativa de uma mudança de rota.
No lugar disso, a Inglaterra optou por convocar Trevoh Chalobah.
Soluções improvisadas podem aumentar dificuldade no mata-mata
Sem James disponível e agora com dúvidas em torno de Quansah, a Inglaterra pode entrar na fase eliminatória precisando improvisar novamente.
Contra o Panamá, Quansah entregou uma atuação segura dentro do contexto da partida. Não comprometeu defensivamente e participou sem grandes erros durante o tempo em que permaneceu em campo.
Mas existe uma diferença importante entre enfrentar um adversário de menor expressão e encarar seleções mais fortes nas próximas fases.
Caso avance, a Inglaterra poderá enfrentar ataques com jogadores muito mais agressivos no um contra um e com maior capacidade de explorar espaços pelos lados.
Isso aumenta a pressão sobre alternativas como Djed Spence ou até adaptações com Ezri Konsa.
Além da questão defensiva, existe outro ponto que passa a ganhar importância.
A equipe inglesa já mostrou dificuldades para criar contra linhas baixas.
Nesses cenários, características como inversões longas, qualidade no passe e bolas paradas costumam fazer diferença.
Inglaterra perde criatividade em setor que pode decidir jogos
Muito além do debate defensivo, a ausência de Alexander-Arnold também abre discussão sobre construção ofensiva.
O lateral construiu sua carreira justamente pela capacidade de acelerar ataques e encontrar espaços com passes longos e cruzamentos precisos.
Esse perfil poderia oferecer soluções diferentes para uma Inglaterra que, até aqui, criou menos do que o esperado em alguns momentos da Copa.
A equipe conseguiu avançar, mas não transmitiu sensação de domínio ofensivo constante.
Em partidas eliminatórias, onde detalhes costumam definir classificações, ter jogadores capazes de desbloquear defesas organizadas pode ser um diferencial importante.
Por enquanto, Tuchel mantém confiança nas escolhas feitas.
Mas com o avanço da competição e os problemas físicos aumentando, a ausência de Alexander-Arnold tende a continuar sendo um dos temas mais observados na caminhada inglesa.
Principalmente se a Inglaterra voltar a encontrar dificuldades justamente em uma posição que parecia ter alternativas disponíveis antes mesmo do início da Copa do Mundo.
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