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UFC se perde em 2026: IA polêmica, fiasco na Paramount e críticas de Moicano expõem má fase

O UFC encheu o seu público de expectativa após firmar um acordo exclusivo de 7 anos e US$ 7,7 bilhões com a Paramount para transmitir todos os eventos nos EUA e na América Latina (incluindo o Brasil) de 2026 a 2032. Diante da chegada de tanto dinheiro, existia a crença de que tudo ficaria ainda melhor, porém, não é bem assim que a banda está tocando. Com inúmeros estresses, o principal do momento é a utilização de IA em seus conteúdos promocionais.

O que tem remexido a cabeça de todos os envolvidos com o UFC é o fato de a empresa ter feito as propagandas e chamadas para o “UFC Freedom 250”, que acontecerá na Casa Branca, com o uso total de inteligência artificial. No caso, as estrelas do card não estariam lá de verdade; simplesmente “colocaram” Ilia Topuria e Alex Pereira em Washington, D.C., de forma artificial, sendo o suficiente para o caos ocorrer.

Por conta de estarmos vivendo os dias atuais, da tecnologia e tudo mais, pode ter parecido interessantíssimo. Entretanto, não dá para dizer que “é legal” ver algo artificial dessa forma. O que realmente impediria esse anúncio de, pelo menos, contar com a realidade? Alguém que se demonstrou insatisfeito e não teve papas na língua para falar foi o cansado Renato “Money” Moicano.

Moicano não se omite diante do UFC

Renato Moicano, que vem de uma lutaça contra Chris Duncan, na qual voltou a ser uma peça importante no UFC, foi entrevistado no The Ariel Helwani Show, onde fez questão de falar tudo o que pensa, sem ficar em cima do muro. Mesmo sendo um “funcionário”, mostrou que não teme a instituição e que, sempre que tiver vontade, irá expor suas opiniões.

“Eu vi, e não gostei nem um pouco. O UFC provavelmente não vai ficar feliz de eu dizer isso, mas eu realmente não gostei. Acho que isso é desrespeitoso com os fãs, porque eu também sou fã”, declarou Moicano sobre as atitudes do UFC.

“Se você não consegue colocar o Alex Pereira ou o Ilia Topuria em um avião e levá-los até Washington D.C., em frente à Casa Branca, eu acho isso relaxado, mal feito. Eu não gosto de usar IA nas minhas coisas de jeito nenhum. Não estou dizendo que não ajude em algumas coisas, mas não para conteúdo”, completou ele.

“As pessoas percebem quando é algo mal feito, e isso está derretendo o cérebro de todo mundo hoje em dia.”

Não tem como ver de outra forma: Moicano se colocou no lugar do fã, algo que ele é, mesmo fazendo parte de todo o contexto. Colocando na mesa a principal questão: o que impede o UFC de reunir seus principais nomes do card da Casa Branca em um mesmo lugar para gravar um material de qualidade?

E, como tem ocorrido em diversas situações, Dana White, mandatário do UFC, simplesmente bateu de ombros para tudo isso. Fez questão de seguir uma linha completamente oposta à crítica, basicamente ignorando a repercussão negativa.

Não foi o primeiro erro do UFC em 2026

É claro que o fã do UFC poderia cair matando se fosse apenas um erro desde essa nova parceria com a Paramount. Entretanto, as coisas estão bem mais complicadas. Entre as diversas falhas, o uso da IA surge como um dos componentes da lista, não necessariamente o pior, mas com um papel importante neste contexto.

Dá para levantar o ponto dos anúncios de lutas, que hoje parecem não ter peso algum. As lives de Dana White no Instagram perderam grande parte de seu valor. Antes, havia uma enorme expectativa dos fãs para saber o que estava sendo planejado, o que estava por vir; hoje em dia, parece mais um movimento protocolar, sem animação, sem aquele “punch” para deixar o torcedor ansioso com as divulgações.

É possível ir um pouco além e dizer que Dana nem parece interessado em fazer parte desse movimento. Claro, contar com lutas mais interessantes ajudaria, mas será que esse é o sentimento dele em relação ao momento atual do UFC? Sem contar que o início das transmissões neste ano foi tenebroso: um número absurdo de propagandas, que impediam o consumidor de ter contato direto com o evento.

De início, não era possível nem acompanhar as entradas dos lutadores, seja no card preliminar ou no principal. Como assistir a uma luta de Sean O’Malley sem ouvir “Superstar”? Ou de Charles Oliveira com “O Hino”? Algo inimaginável estava acontecendo diante dos nossos olhos.

UFC está perdido?

Estamos em abril, e o UFC ainda tem tempo para mexer alguns pauzinhos e voltar a conquistar o coração do seu público. Não dá para negar que é um movimento novo, algo inédito por parte da empresa, porém, os investimentos ainda não estão sendo justificados e, por isso, os fãs têm todo o direito de criticar.

Se buscarmos nomes de outras empresas do ramo das lutas, não há como colocá-las na mesma mesa do UFC. A promoção agressiva, a construção de narrativas e a valorização de personalidades sempre foram marcas registradas da organização. Mesmo com o nome já gravado na história das artes marciais, muitos atletas ainda escolhem esse caminho por ser um sonho de carreira.

O problema é que o movimento atual tem machucado essa história. E Dana White, junto de sua companhia, não parece entender exatamente onde está pisando ou melhor, o que está sacrificando. A crítica de Renato Moicano está longe de ser apenas sobre o vídeo com IA. Na verdade, ela reflete um sentimento maior: tudo o que envolve o UFC hoje parece carregar essa mesma aura de desconexão.

Foto: Chris Unger/Zuffa LLC