O UFC 314 entregou uma noite memorável em Miami e também desenhou novos rumos para algumas das maiores estrelas da organização. A recuperação de cinturão de Alexander Volkanovski, a ascensão (ainda que com derrota) de Diego Lopes, a afirmação de Paddy Pimblett como uma força real nos leves e a possível reta final da carreira de Michael Chandler criaram um cenário dinâmico e cheio de possibilidades para os próximos meses.
Agora, a atenção se volta para o que vem depois, e, para muitos desses nomes, o caminho está longe de ser simples. Vamos ver os possíveis cenários para os principais nomes do UFC 314.
De volta ao topo, Volkanovski tem Evloev no radar
Alexander Volkanovski reafirmou sua posição como um dos grandes nomes da história da divisão dos penas ao bater Diego Lopes em uma performance cirúrgica. Dominante, eficiente no controle de distância e experiente nos momentos-chave, o australiano provou que ainda tem gás para mais um reinado. Mais importante: respondeu a críticos que começaram a questionar sua sequência após as derrotas para Islam Makhachev e Ilia Topuria.
Agora, com o cinturão de volta em sua posse, a lógica aponta para um novo desafio: Movsar Evloev. O russo permanece invicto no UFC e já vinha sendo cotado como o próximo da fila, uma ideia que o próprio Volkanovski sugeriu em entrevistas anteriores. Evloev representa um teste estilístico interessante, com wrestling sufocante e cardio para cinco rounds. Pode não ser o nome mais chamativo do ponto de vista comercial, mas tecnicamente, é um dos poucos que ainda pode oferecer algo novo para o campeão.
Para Volkanovski, que já venceu Max Holloway três vezes e limpou praticamente a divisão, esse tipo de confronto é uma chance de consolidar ainda mais seu legado. Uma defesa contra Evloev ainda em 2025 parece o caminho natural, provavelmente no último trimestre do ano.
Diego Lopes: derrota com moral e um desafio mexicano
Mesmo derrotado, Diego Lopes saiu do UFC 314 com prestígio elevado. Enfrentar um dos maiores da história da divisão e resistir com bravura, criando boas situações de perigo em alguns momentos, reforçou sua imagem de lutador carismático e perigoso. Mas se o título não veio agora, outro caminho se abriu: uma possível rivalidade com Yair Rodriguez.
Durante a coletiva de imprensa do evento, os dois se desentenderam em um bate-boca que rapidamente viralizou. Ambos têm raízes mexicanas, estilo agressivo e um histórico de lutas empolgantes. Mais que isso: o UFC já planeja um evento numerado no México para o fim do ano, e colocar dois astros locais frente a frente pode ser o ingrediente que falta para fazer do card um sucesso de público e audiência.
Diego precisa se manter ativo, e Yair, que também lutou e venceu Patrício Pitbull no UFC 314, precisa se reposicionar na divisão. A luta entre os dois parece inevitável, e tem tudo para ser uma das mais explosivas do segundo semestre.
Paddy Pimblett: o menino de ouro do UFC terá um desafio grande
O co-main event do UFC 314 também deu o que falar. Paddy Pimblett superou Michael Chandler em uma atuação sólida, vencendo por nocaute e calando parte da crítica que ainda via o britânico como mais “hype” do que realidade. Agora, com cinco vitórias consecutivas e um nome que chama atenção dentro e fora do octógono, ele se credencia a encarar adversários do top 10.
Max Holloway, que já demonstrou interesse em testar os leves novamente, seria uma superluta de estilos e marketing. Já Justin Gaethje, vindo de vitória e conhecido por aceitar qualquer desafio, é uma opção mais sangrenta, e perigosa. O UFC, claro, vai avaliar com cautela o próximo passo de Paddy, já que ele representa uma peça valiosa na estratégia de entretenimento da companhia. Mas o tempo de protegê-lo já passou. Agora, é hora de ver até onde ele pode ir.
Chandler: fim da linha ou transição de papel?
Se para Pimblett o UFC 314 foi uma virada, para Michael Chandler pode ter representado um ponto final. A derrota contundente, somada ao enorme desgaste sofrido na luta contra Charles Oliveira em 2024 e agora contra Paddy, levanta dúvidas reais sobre seu futuro no esporte. Aos 38 anos, com múltiplas guerras no currículo e sem vitórias desde 2022, Chandler parece estar em uma encruzilhada.
Uma aposentadoria não está fora do radar. Mas se decidir seguir, é provável que seja em um papel diferente: o de “porteiro” da elite, enfrentando promessas em ascensão. O chileno Ignacio Bahamondes, por exemplo, vem subindo na divisão com performances agressivas e já declarou vontade de enfrentar nomes grandes. Para o UFC, colocar Bahamondes contra Chandler seria uma passagem simbólica de tocha, e funciona comercialmente.