O UFC 320 entrou para a história como um daqueles eventos que mudam o rumo de divisões inteiras. Na mesma noite em que Alex “Poatan” Pereira retomou o cinturão dos meio-pesados ao vencer Magomed Ankalaev, o georgiano Merab Dvalishvili consolidou sua hegemonia nos galos com uma vitória dominante sobre Cory Sandhagen.
As consequências dessas vitórias vão muito além das comemorações dentro do octógono — elas redesenham o mapa de possíveis lutas, abrem espaço para novos desafiantes e, em alguns casos, reacendem velhas rivalidades.
Poatan de volta ao topo e com possível novo desafiante
Poatan provou mais uma vez que é um fenômeno raro. Com apenas alguns anos de carreira no MMA, o brasileiro conseguiu o que poucos fizeram: reconquistar o cinturão dos meio-pesados em uma luta de altíssimo nível técnico contra Magomed Ankalaev. A vitória não apenas devolve o título a Poatan, mas reforça a narrativa de que ele é, hoje, um dos atletas mais letais do UFC. Seu poder de nocaute continua sendo o diferencial em uma categoria cada vez mais equilibrada.
Agora, o UFC deve emparelhar Poatan com Carlos Ulberg, o neozelandês que vem de uma sequência impressionante de vitórias. Ulberg representa a nova geração — técnico, rápido, com um jogo em pé refinado e uma confiança crescente. É o tipo de lutador que casa bem com o estilo do brasileiro e promete uma luta empolgante para o público.
Essa escolha também reflete uma estratégia da organização: evitar repetições imediatas e renovar o topo da divisão. Mesmo com Jiri Prochazka vencendo Khalil Rountree Jr. no mesmo card, o UFC dificilmente vai promover uma trilogia entre o tcheco e o brasileiro. As duas primeiras lutas já contaram a história dessa rivalidade, e agora a categoria pede sangue novo.
Ulberg surge como esse nome. Ele combina juventude, carisma e um histórico recente de performances convincentes. Um duelo entre ele e Poatan seria uma luta entre dois dos melhores strikers do planeta — uma verdadeira guerra de estilos e precisão.
O caminho de Ankalaev e a possível subida de Poatan
Para Magomed Ankalaev, a derrota foi um golpe duro, mas não definitivo. O russo segue entre os melhores da categoria e deve enfrentar Jiri Prochazka em uma luta que já se desenha como um “title eliminator”. Caso Poatan realmente decida subir para os pesados — algo que vem sendo especulado há meses e que o próprio Dana White não descarta —, essa luta pode até valer o cinturão interino ou o título vago dos meio-pesados.
Ankalaev é um lutador cerebral, disciplinado, e continua sendo um problema para qualquer adversário. Sua luta contra Prochazka seria uma verdadeira colisão de estilos: o pragmatismo russo contra o caos controlado do tcheco. O vencedor, inevitavelmente, voltará a orbitar o cinturão — com ou sem Poatan na divisão.
A possibilidade de o brasileiro subir aos pesados, por outro lado, acende uma nova narrativa. Poatan já mostrou interesse em buscar um terceiro cinturão, e o atual cenário dos pesados — ainda em busca de um campeão dominante — pode abrir essa porta. Com o porte físico e o poder de nocaute que tem, é uma hipótese realista. Caso aconteça, o UFC teria uma estrela com potencial de se tornar campeão de três cinturões.
Merab Dvalishvili e o reino dos galos
Se nos meio-pesados a noite foi de retomada, nos galos foi de confirmação. Merab Dvalishvili mostrou mais uma vez por que é considerado um dos atletas mais consistentes do UFC. Ao dominar Cory Sandhagen por cinco rounds, o georgiano deixou claro que sua combinação de ritmo, volume e grappling é praticamente inquebrável. Ele se tornou um campeão sem brechas aparentes.
Mas mesmo em meio ao domínio, há um nome que o público quer ver: Petr Yan. Os dois já se enfrentaram no passado, em uma luta tensa e movimentada, mas que ocorreu antes de Merab conquistar o cinturão. Agora, o reencontro teria um sabor completamente diferente. Yan, que vem de duas vitórias consecutivas, reencontraria um Merab mais confiante e com status de campeão. A revanche teria tudo para ser um dos combates mais técnicos da divisão — e um verdadeiro teste de resistência e inteligência tática.
Enquanto isso, Sandhagen precisa se reerguer. A derrota o afasta temporariamente da corrida pelo título, mas o norte-americano ainda tem crédito com o público e com o UFC. A tendência é que ele enfrente o vencedor de Marlon Vera vs. Aiemann Zahabi, luta marcada para o UFC Vancouver. Um triunfo convincente poderia recolocá-lo na rota do cinturão em 2026, especialmente se Merab seguir ativo e Yan não assumir o posto de desafiante número um.
(Foto: Alejandro Salazar/PxImages)