O UFC 323 entregou um dos cards mais caóticos, dramáticos e decisivos do ano. O evento coroou um novo campeão, viu outro título mudar de mãos em circunstâncias lamentáveis e redesenhou, quase por completo, o futuro imediato das divisões dos galos e dos moscas. Agora, cabe ao UFC organizar o tabuleiro e encaminhar os confrontos que realmente fazem sentido esportivo, e os que o público quer assistir.
A seguir, confira uma análise detalhada das lutas que devem ser casadas após o evento, considerando momento, narrativa e impacto competitivo.
Petr Yan x Merab Dvalishvili III: a trilogia que precisa acontecer
Petr Yan voltou ao topo. Depois de anos turbulentos, que incluíram derrotas controversas, decisões apertadas e perda de cinturão, o russo reconquistou o título dos galos no UFC 323 e reacendeu o debate sobre quem, afinal, é o melhor peso-galo do planeta. Mas o que sua vitória também fez foi criar uma situação quase inevitável: Merab Dvalishvili precisa da revanche imediata.
O georgiano, conhecido por seu ritmo insano e pressão sufocante, foi amplamente dominado por Yan desta vez. Ainda assim, considerando seu longo histórico de vitórias consecutivas, o fato de estar invicto por anos antes do UFC 323 e o equilíbrio da rivalidade anterior, Merab permanece como o nome mais legítimo para uma disputa imediata.
A trilogia resolve tudo. Um empate de narrativas: Yan venceu agora; Merab venceu antes; e uma terceira luta definiria definitivamente a supremacia dentro da categoria mais competitiva do esporte. Além disso, é um confronto que carrega enorme apelo para o público, com personalidades contrastantes, estilos explosivos e uma tensão esportiva natural.
Para o campeão, essa defesa representa a chance de confirmar que seu retorno não é apenas circunstancial. Para Merab, é a oportunidade de provar que sua derrota foi exceção, não regra.
Joshua Van terá a chance de se legitimar como.campeão no UFC
Se a divisão dos galos vive um retorno ao equilíbrio, os moscas entraram em puro caos após o UFC 323. Alexandre Pantoja, campeão e um dos atletas mais consistentes da atualidade, precisou abdicar do cinturão após sofrer uma lesão grave nos primeiros segundos da luta contra Joshua Van. A forma como o título mudou de mãos foi a pior possível: Van conquistou o cinturão sem ter a chance de demonstrar, de fato, superioridade.
Com um campeão recém-coroado e um ex-campeão lesionado, o UFC se encontra diante de um dilema: esperar Pantoja, sem prazo definido de retorno, ou seguir a vida da categoria?
A resposta mais lógica é a segunda.
Por isso, o confronto mais natural e esportivamente coerente é Joshua Van x Tatsuro Taira. Taira brilhou no mesmo evento, derrotando ninguém menos que Brandon Moreno, um ex-campeão lendário, protagonista de uma das trilogias mais memoráveis da história da organização. Foi uma vitória que o colocou automaticamente no topo da lista de desafiantes.
Além disso, Taira representa a mistura perfeita de juventude, técnica e marketing global que o UFC adora impulsionar. Seu estilo agressivo, somado ao próprio momento de Van como campeão improvável, torna essa defesa uma das lutas mais interessantes e imprevisíveis que o UFC pode promover.
Pantoja terá disputa pelo cinturão garantida quando retornar
Apesar da derrota no UFC 323, Alexandre Pantoja não perdeu seu status. O brasileiro não foi superado tecnicamente; foi superado pela infelicidade. E, por isso, qualquer discussão sobre rankings ou oportunidades fica irrelevante. Pantoja, assim que estiver saudável, retornará direto ao title shot, fato que faz sentido por lógica competitiva.
A divisão reconhece sua superioridade recente. Ele venceu todos os principais nomes da elite, dominou defesas de cinturão e mostrou resiliência técnica e mental. O UFC não tem por que colocá-lo em risco em uma luta antes do título, e não vai.
Portanto, seja Van ou Taira o campeão após a próxima disputa, a volta de Pantoja será um evento próprio, carregado de narrativa, emoção e expectativa.