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UFC 326 – Holloway vs Oliveira: O que esperar?

O UFC 326 acontece neste sábado (7), na T-Mobile Arena, em Las Vegas, e traz um dos reencontros mais interessantes dos últimos anos no MMA. A luta principal colocará frente a frente o havaiano Max Holloway e o brasileiro Charles Oliveira, disputando o cinturão  BMF (“Baddest Motherf***er”), quase onze anos depois do primeiro encontro entre eles no UFC.

Naquela ocasião, em 2015, Holloway venceu por interrupção médica após uma lesão no pescoço sofrida por Charles ainda no primeiro round. Desde então, porém, os dois se transformaram em lendas do esporte.

Holloway construiu um dos reinados mais dominantes da história dos penas e se consolidou como um dos maiores strikers da organização, enquanto Oliveira se tornou campeão dos leves e detentor de vários recordes ofensivos do UFC, incluindo mais finalizações e mais bônus de performance.

Agora, a revanche acontece em um momento em que ambos buscam reafirmar seu lugar entre os melhores do mundo.

O choque de estilos na disputa do cinturão BMF do UFC

Sem trash talk, Max Holloway e Charles Oliveira colocam o UFC 326 nos holofotes por conta de suas trajetórias
Sem trash talk, Max Holloway e Charles Oliveira colocam o UFC 326 nos holofotes por conta de suas trajetórias (Imagem: Chris Unger/Zuffa LLC)

Tecnicamente, a luta principal do evento representa um dos confrontos de estilos mais fascinantes possíveis dentro do MMA. E, se não bastassem os “backgrounds” de cada um, estamos falando de duas das maiores lendas da história desse esporte.

Holloway é conhecido por seu volume absurdo de golpes e pela capacidade de manter ritmo alto durante cinco rounds. O havaiano conecta mais de sete golpes significativos por minuto, uma das maiores médias da história do UFC, além de possuir defesa de quedas acima de 80%. Esse conjunto faz dele um lutador extremamente difícil de controlar, especialmente para adversários que dependem do grappling para vencer.

A estratégia do ex-campeão dos penas costuma ser clara: pressionar, acumular golpes no corpo e na cabeça e desgastar o rival até que ele quebre fisicamente ou mentalmente. Foi assim que construiu vitórias marcantes e também como conquistou o cinturão BMF ao nocautear Justin Gaethje em uma das lutas mais espetaculares de todos os tempos.

Do outro lado, Charles Oliveira representa praticamente o oposto. O brasileiro é um lutador caótico e extremamente perigoso em qualquer posição. Seu jiu-jitsu é considerado um dos melhores da história do UFC e é responsável por grande parte de suas vitórias. Charles também evoluiu muito na trocação nos últimos anos, acumulando nocautes sobre nomes importantes e mostrando uma agressividade constante.

Se a luta permanecer em pé por longos períodos, a tendência é que Holloway leve vantagem pelo volume, pela precisão e pela resistência. Entretanto, basta uma brecha para que Oliveira leve a luta para o chão ou capitalize um momento de scramble para buscar uma finalização. O brasileiro costuma transformar situações aparentemente ruins em oportunidades de ataque, algo que já aconteceu diversas vezes em sua carreira.

Outro fator que pode pesar é o histórico recente. Holloway chega embalado após defender o cinturão BMF contra Dustin Poirier, enquanto Oliveira tenta consolidar uma recuperação depois de resultados irregulares desde que perdeu o título dos leves, embora também venha de vitória, numa atuação incrível contra Mateusz Gamrot.

A vitória tem enorme significado para ambos. Para Holloway, representaria consolidar sua fase nos leves e possivelmente colocá-lo novamente em rota de colisão com o campeão da categoria, Ilia Topuria. Já para Charles, vencer seria uma forma de reafirmar sua relevância histórica e recolocá-lo imediatamente na conversa por outra disputa de cinturão do UFC.

Duelo decisivo no peso-médio

A luta co-principal coloca frente a frente o brasileiro Caio Borralho e o holandês Reinier de Ridder, dois lutadores que chegam pressionados após derrotas recentes.

Borralho construiu sua ascensão com um estilo extremamente estratégico, baseado em controle posicional, inteligência tática e um grappling sólido. Integrante da Fighting Nerds, o brasileiro costuma vencer rounds com controle territorial e volume calculado de golpes.

De Ridder, por sua vez, ganhou notoriedade ao ser campeão duplo no ONE Championship e é um grappler altamente perigoso, com foco em quedas e finalizações. Seu jogo é menos técnico na trocação, mas extremamente eficiente quando consegue levar a luta para o solo.

O combate tende a ser uma batalha de controle no grappling. Se Borralho conseguir manter a luta em pé e trabalhar sua movimentação, pode neutralizar o holandês e vencer por decisão. Mas, caso De Ridder consiga impor seu jogo de quedas e transições, a finalização é sempre uma ameaça real.

Caio Borralho e Reinier De Ridder farão uma luta importantíssima para o destino do peso-médio do UFC
Caio Borralho e Reinier De Ridder farão uma luta importantíssima para o destino do peso-médio do UFC (Imagem: Reprodução)

Promessas e trocação explosiva no restante do card principal

A primeira luta será a revanche entre os brasileiros Gregory Rodrigues, o Robocop, e Brunno Ferreira, o Hulk, dois dos meio-médios mais explosivos do plantel. Ambos são conhecidos pelo poder de nocaute, o que transforma o confronto em uma luta com grandes chances de terminar antes do tempo limite.

Na sequência, o veterano Michael Johnson encara Drew Dober em um duelo clássico de strikers. Dober é um dos maiores nocauteadores do peso-leve, enquanto Johnson é conhecido pela velocidade de mãos e pela experiência contra adversários de elite. Apesar disso, a trocação é arma de Dober e o grappling deve ser o caminho de MJ.

Por fim, uma das histórias mais curiosas do evento envolve o jovem fenômeno Raul Rosas Jr., que enfrentará o experiente Rob Font. Para Rosas, ainda muito jovem, será o teste mais difícil da carreira contra um lutador acostumado a enfrentar a elite do peso-galo. O UFC aposta muito em Raul Rosas Jr, que precisa provar que é de verdade.

Com nomes consagrados, promessas em ascensão e uma luta principal com potencial de clássico, o UFC 326 chega como um dos eventos mais interessantes do primeiro trimestre de 2026 e com uma pergunta central que pode redefinir os parâmetros de lenda do Ultimate: quem sairá de Las Vegas com o título de lutador mais “casca-grossa” do planeta?

(Imagem de capa: Divulgação UFC)