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UFC 327: Borrachinha pode virar próximo desafiante pelo cinturão com vitória sobre Murzakanov

Se alguém ainda tinha dúvida sobre os planos de Paulo Costa, pode esquecer: o “Borrachinha” não subiu para os meio-pesados só pra fazer figuração, ou performar na divisão de cima, para depois descer, como foi dito pelo próprio numa oportunidade. Ele quer cinturão, e quer rápido.

Neste sábado, no Kaseya Center, o brasileiro encara o invicto Azamat Murzakanov na luta co-principal do UFC 327, num embate que está muito distante de ser fácil para Borrachinha. Entretanto, até que o cenário parece interessante, porque com a subida de Alex Pereira na busca pelo terceiro cinturão, haverá uma disputa pelo título entre Jiri Prochazka e Carlos Ulberg, com chances para já haver um dono do title shot antes deste confronto chegar ao fim.

Nova categoria, mesma confiança (ou até mais)

Borrachinha chega para essa luta com um discurso direto e bem no estilo dele. Ele deixou claro que não abandonou os médios (84kg), mas decidiu subir porque viu oportunidade. Simples assim. E, convenhamos, faz sentido, principalmente depois de terem falado sobre a possibilidade dele brigar nas duas divisões, a questão é se isso é verdade ou não.

Segundo o próprio Costa, a divisão até 93kg está mais “interessante”, enquanto os médios ficaram meio… previsíveis. Nada como novos desafios pra dar aquela animada na carreira. Além disso, o brasileiro fez ajustes importantes: ganhou massa, mudou a forma de cortar peso e agora se apresenta como um meio-pesado legítimo.

Sem a necessidade de perder tanto peso para lutar, existe uma mística sobre o brasileiro conseguir chegar mais inteiro no embate, apesar de Murzakanov ser osso duro de roer.

E mais importante: confiança lá em cima.

“Acho que o vencedor dessa luta fica em uma posição muito boa para disputar o cinturão.”

Do outro lado, um invicto perigoso

Se tem alguém que pode estragar os planos do brasileiro, esse alguém é Azamat Murzakanov. O russo chega com cartel perfeito (16-0) e ainda não sabe o que é perder no UFC. Apesar de não ser tão midiático quanto Paulo Costa, ele vê essa luta como a chance de “furar a bolha” e entrar de vez na elite da categoria.

E ele pensa exatamente como Borrachinha: vencer aqui pode significar disputar o título na sequência.

“Estamos muito, muito perto de uma chance pelo cinturão.”

Ou seja, não tem segredo: é praticamente uma eliminatória.

O fator Borrachinha pesa (e muito)

Mesmo vindo sem ranking na divisão até 93kg, Paulo Costa tem algo que Murzakanov ainda está construindo: nome. Ex-desafiante ao cinturão dos médios, dono de um estilo agressivo e “carismático”, estamos falando simplesmente do brasileiro mais odiado pelos brasileiros que já existiu na história dos ringues.

Se ele vencer de forma convincente, especialmente com um nocaute ou atuação dominante, dificilmente a organização vai ignorar. E aí entra um ponto chave: timing.

Com o cinturão vago sendo disputado na mesma noite, o UFC vai precisar rapidamente de um novo desafiante. E nada melhor do que alguém que acabou de brilhar no mesmo evento. No caso, Paulo Costa sabe que não basta ganhar. Ele precisa “marcar território”.

E, pelo que mostrou durante a semana de luta, a intenção é exatamente essa. Confiante, provocador e sem esconder o plano: vencer bem e se colocar na conversa pelo título imediatamente. Além disso, ele não parece intimidado pelo estilo do adversário.

“Eu gosto de lutar contra russos. Eles são duros, como os brasileiros.”

Clima leve, mas com aquele toque de “vem que tem”.

E se Murzakanov vencer?

A lógica é simples: o russo também entra forte na disputa pelo cinturão, melhor dizendo, aparece de cabeça nela. Um cartel invicto sempre chama atenção, e vencer um nome conhecido como Borrachinha daria ainda mais peso à campanha dele.

Mas, sendo bem direto: o impacto midiático não seria o mesmo. Enquanto Murzakanov ainda precisa “se vender” para o grande público, Borrachinha já chega com esse pacote pronto. E no UFC, isso faz diferença.

Mais do que uma vitória, o que está em jogo aqui é posicionamento. A divisão dos meio-pesados está em transição, com um novo campeão prestes a ser coroado. E momentos assim são perfeitos para alguém surgir como próximo desafiante.

Para Borrachinha, é a chance de acelerar tudo. Pular etapas. Chegar já brigando no topo.

Para Murzakanov, é a oportunidade de sair do anonimato relativo e entrar de vez no radar.

Foto: Reprodução/Instagram