A história do UFC é feita de rivalidades, provocações, histórias de superação e combates que definiram não só campeões, mas também rumos para o esporte. Entre dezenas de confrontos memoráveis, algumas lutas ultrapassaram o octógono e se tornaram verdadeiros eventos culturais.
Por isso, vamos falar sobre as cinco maiores lutas da história do UFC. Vale lembrar, porém, que não são as melhores, e sim as que trouxeram mais impacto para a organização. Confira a lista.
As cinco maiores lutas da história do UFC
5 – Ronda Rousey x Miesha Tate (UFC 168 – 28 de dezembro de 2013)

Quando Ronda Rousey e Miesha Tate se encontraram no UFC 168, a tensão já vinha de longe. A primeira luta entre elas, em 2012, havia terminado com a vitória de Rousey via armlock no Strikeforce, mas o clima azedou de vez durante o TUF 18, onde Ronda e Miesha foram treinadoras rivais. Discussões, provocações e momentos de puro ódio aumentaram o interesse pelo reencontro.
No octógono, Tate mostrou mais resistência que no primeiro embate, levando o combate até o terceiro round. Mas Ronda, com seu jiu-jitsu implacável e explosão física, encontrou espaço para aplicar novamente o armlock, finalizando a rival pela segunda vez. A vitória consolidou Rousey como a maior estrela feminina do MMA e impulsionou a popularidade da divisão feminina, que ainda estava nos primeiros anos dentro do UFC.
4 – Jon Jones x Daniel Cormier 2 (UFC 214 – 29 de julho de 2017)

A animosidade entre Jon Jones e Daniel Cormier foi além do marketing: entrevistas recheadas de insultos, brigas físicas em coletivas de imprensa e um histórico de desentendimentos fora do octógono. A primeira luta, em 2015, havia terminado com vitória de Jones, mas o cinturão foi posteriormente retirado por conta de problemas disciplinares.
Os dois voltaram a se enfrentar no UFC 214, com as entrevistas subindo ainda mais o tom. Cormier brincou com os problemas disciplinares de Jones, enquanto “Bones” zoava o aspecto físico de seu rival. A luta veio em um evento gigante, que tinha nomes como Robbie Lawler, Cris Cyborg e Tyron Woodley.
Cormier começou bem, pressionando e trocando golpes de igual para igual com Jones. Mas no terceiro round, um chute alto perfeito de Jones acertou a têmpora de Cormier, que caiu atordoado. Uma sequência de socos no chão encerrou a luta.
O que parecia ser a redenção de Jones foi manchado por um teste positivo para esteroides, transformando o resultado em “No Contest”. Ainda assim, o combate é lembrado como um espetáculo técnico e emocional que mostrou o auge da rivalidade.
3 – Anderson Silva x Chael Sonnen 2 (UFC 148 – 7 de julho de 2012)

Chael Sonnen construiu a rivalidade com Anderson Silva com base em provocações afiadas e ataques verbais que beiravam a ofensa pessoal. O primeiro duelo, em 2010, já era lendário: Sonnen dominou Anderson por quase cinco rounds, mas acabou sendo finalizado nos minutos finais.
Na revanche, Sonnen novamente começou forte, derrubando Anderson e controlando o primeiro round. No segundo, tentou um golpe giratório mal calculado, perdeu o equilíbrio e foi castigado com uma joelhada no corpo seguida de uma enxurrada de socos. Anderson manteve o cinturão dos médios e colocou ponto final na rivalidade, consolidando seu reinado como um dos maiores da história do UFC.
Essa seria a última defesa de cinturão de Anderson, que, logo depois, perdeu para Chris Weidman e começou a sua decadência. Os dois construíram uma amizade depois disso, e voltaram a se enfrentar em uma luta de boxe no ano passado, em São Paulo.
2 – Stephan Bonnar x Forrest Griffin (The Ultimate Fighter 1 Finale – 9 de abril de 2005)

Não havia cinturão em jogo, mas havia algo muito maior: o futuro do UFC. Na época, a organização passava por dificuldades financeiras e dependia do sucesso do reality show The Ultimate Fighter para atrair público. A luta entre Bonnar e Griffin foi o último capítulo dessa temporada e entregou tudo que o MMA precisava para se popularizar.
Os dois trocaram golpes incessantemente por três rounds, em um ritmo insano, com pouca defesa e muita disposição. Griffin venceu por decisão unânime, mas Dana White decidiu oferecer contrato aos dois, tamanha a entrega. A repercussão foi imediata: o UFC ganhou uma nova legião de fãs, salvou-se financeiramente e iniciou seu crescimento explosivo. É comum ouvir que essa luta “salvou o UFC” — e não é exagero.
Bonnar, hoje falecido, deu o nome de seu filho em homenagem a Forrest, chamando-o de Griffin Bonnar. Griffin, por sua vez, fez um discurso emocionante na homenagem feita pelo UFC ao ex-lutador, mostrando como os dois desenvolveram uma forte amizade depois da luta histórica.
1 – Khabib Nurmagomedov x Conor McGregor (UFC 229 – 6 de outubro de 2018)

A maior luta da história do UFC não é apenas sobre técnica, mas sobre narrativa. Conor McGregor, maior astro da organização, voltava ao MMA após se aventurar no boxe contra Floyd Mayweather. Do outro lado, Khabib Nurmagomedov defendia o cinturão dos leves de forma invicta e carregava um histórico de desentendimentos com o irlandês.
O clima ficou ainda mais pesado após McGregor atacar o ônibus em que Khabib estava durante a semana da luta, em um dos episódios mais polêmicos da história do esporte. No octógono, Khabib impôs seu jogo de grappling desde o primeiro round, desgastando McGregor. No quarto assalto, finalizou com um mata-leão.
Mas o momento mais chocante aconteceu depois: Khabib pulou a grade e atacou a equipe de McGregor, gerando uma briga generalizada que entrou para a história. Com 2,4 milhões de vendas de pay-per-view, o UFC 229 bateu recordes e mostrou a força global do MMA.