O peso-galo feminino do UFC se tornou um dos assuntos mais debatidos entre os fãs de MMA nos últimos meses. Embora a divisão tenha uma campeã dominante e bastante midiática em Kayla Harrison, a sensação é de que faltam adversárias capazes de ameaçar seu reinado e, ao mesmo tempo, movimentar o interesse do público. O resultado é uma categoria que parece depender de poucos nomes para continuar relevante.
A divisão reúne atletas talentosas, mas nenhuma delas conseguiu, até agora, assumir o papel de grande estrela ou criar uma expectativa semelhante à que existia na época de Amanda Nunes. Esse cenário alimenta discussões sobre o futuro do UFC no peso-galo feminino e levanta dúvidas sobre como a organização pode revitalizar uma categoria que, apesar da qualidade técnica, sofre com a falta de grandes rivalidades.
Nesse contexto, uma das pioneiras do peso-galo do UFC, Liz Carmouche, fez uma análise que gerou forte repercussão. Atual atleta da PFL, a norte-americana acredita que o problema da categoria vai além do aspecto esportivo e está ligado à forma como o público consome o MMA feminino.
Em entrevista ao BJ Penn, Carmouche afirmou: “Vou dar minha resposta sincera, e acho que muita gente não vai gostar. A verdade é que acho que cada categoria precisa de uma garota bonita. Infelizmente, é o mundo em que vivemos. No momento, a categoria até 61 kg era liderada por uma mulher com aparência masculina. Isso começou a prejudicar a categoria, não é? E esse é outro motivo pelo qual provavelmente eu também não serei o rosto desta categoria, porque não sou essa garota bonita. Sou uma mulher com aparência masculina.”
Ela ainda reforçou sua opinião ao afirmar: “Então, eu não vou representar o que atrai a maioria dos homens heterossexuais, que é a base de fãs mais forte no MMA feminino. São homens brancos de 18 a 34 anos. Então, eles procuram mulheres bonitas. Eles não procuram mulheres com aparência masculina. Então, acho que se conseguirmos encontrar uma garota bonita para a categoria de 135 libras, infelizmente, e eu gostaria que não fosse assim, é disso que precisamos para que essa divisão exploda.”
Falta de apelo preocupa até quem faz parte do UFC
Independentemente da polêmica envolvendo as declarações de Carmouche, existe um ponto que parece reunir consenso dentro do próprio UFC: o peso-galo feminino vive um período de estagnação.
Terceira colocada do ranking da categoria, Luana Santos também demonstrou preocupação com o futuro da divisão. Na visão da brasileira, faltam atletas capazes de despertar interesse imediato do público e criar expectativa por uma disputa de cinturão.
Segundo Luana, “Na nossa divisão, não tem nenhum nome surgindo que faça as pessoas pararem e dizerem: ‘Nossa, ela é a próxima grande estrela’ — além da Amanda [Nunes], que quer voltar, e da Kayla [Harrison], que está no auge. Não tem ninguém que a gente olhe e pense: ‘Caramba, essa garota está chegando, fazendo barulho e com potencial de marketing’. Simplesmente não tem. Não tem ninguém que faça as pessoas dizerem: ‘Meu Deus, ela precisa disputar o título, ela é a próxima’. Nossa divisão está bem parada.”
A avaliação da brasileira reforça que o desafio do UFC não passa apenas pela renovação técnica. É preciso encontrar atletas capazes de conquistar resultados expressivos, criar rivalidades e desenvolver uma identidade que desperte o interesse dos fãs, algo que marcou outras fases da categoria.
Possível saída de Kayla Harrison aumenta preocupação
Se a situação atual já inspira cuidados, ela pode se tornar ainda mais delicada caso Kayla Harrison deixe o UFC. Nos últimos meses, surgiram especulações sobre o futuro da campeã após problemas físicos que adiaram sua aguardada luta contra Amanda Nunes, além de discussões sobre os próximos passos da divisão.
Hoje, Harrison representa praticamente o principal ativo comercial do peso-galo feminino. Sua presença mantém a categoria em evidência, especialmente pela expectativa de um duelo contra Amanda Nunes, considerada por muitos a maior lutadora da história do MMA. Sem essa rivalidade, o interesse da divisão pode diminuir ainda mais.
Por isso, o UFC enfrenta um momento importante para definir o futuro da categoria. Além de investir na formação de novas estrelas, a organização precisará criar histórias capazes de engajar o público e diminuir a dependência de poucos nomes. Caso contrário, o peso-galo feminino corre o risco de continuar vivendo um período de marasmo, exatamente como apontaram Liz Carmouche e Luana Santos, ainda que por motivos diferentes.
Foto: Divulgação/UFC