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UFC diminui Michael Page ao coloca-lo contra Sam Patterson

O anúncio do combate entre Michael Page e Sam Patterson para o card do UFC Londres gerou estranhamento imediato entre fãs e analistas. Não por se tratar de uma luta ruim em termos técnicos, mas porque o confronto parece pequeno demais para o tamanho que Michael Venom Page representa dentro do MMA britânico.

Em vez de valorizar um dos lutadores mais carismáticos e importantes da história do Reino Unido, o UFC optou por um choque doméstico que pouco agrega ao legado de Page e que também não é a melhor escolha para o crescimento de Patterson.

Michael Page não é apenas mais um nome no elenco. O ex-campeão do Bellator construiu uma carreira marcada por estilo único, nocautes espetaculares e enorme popularidade no público europeu. Mesmo chegando ao UFC já em fase madura, Page ainda carrega status de estrela e tem apelo suficiente para protagonizar combates de alto nível, especialmente em eventos realizados em Londres, onde sempre foi tratado como atração principal.

Por isso, colocar Michael Venom Page contra um atleta que ainda não se firmou na organização soa como uma decisão conservadora demais para um card que poderia ter muito mais impacto. O que parece é que faltou olhar para o lutador com o verdadeiro tamanho que ele tem.

Sam Patterson vem de quatro vitórias consecutivas após perder na estreia no UFC, o que mostra evolução e merece reconhecimento. No entanto, ainda não enfrentou adversários de elite e tampouco provou que está pronto para dividir o octógono com um nome do calibre de Page.

O inglês é promissor, mas continua em fase de construção dentro da divisão dos meio-médios. Jogá-lo diretamente contra uma lenda nacional pode até gerar curiosidade local, porém não cria a sensação de grande evento que um card em Londres costuma exigir, além de trazer uma torcida contra ele dentro da própria casa.

Michael Page merecia mais e Sam Patterson poderia ter um oponente que fizesse sentido

Michael Page e Sam Patterson se enfrentarão no UFC Londres
Michael Page e Sam Patterson se enfrentarão no UFC Londres (Imagem: Montagem Yahoo)

Se a intenção do UFC era valorizar Michael Page diante do público britânico, a escolha mais lógica seria colocá-lo contra um atleta ranqueado ou ao menos contra um nome consolidado da divisão. Combates contra lutadores como Gilbert Burns ou Gabriel Bonfim teriam muito mais apelo esportivo e midiático.

Burns, por exemplo, é ex-desafiante ao título e sempre entrega lutas intensas. Um duelo contra Page colocaria frente a frente estilos opostos e geraria interesse internacional, não apenas local. Já Bonfim representa a nova geração e vive momento de ascensão, o que transformaria o combate em um verdadeiro teste para ambos. Fora isso, são dois lutadores acima no ranking, o que geraria uma importância maior ao combate.

Lutas desse tipo ajudam a construir narrativa, algo fundamental para eventos realizados fora dos Estados Unidos. O público londrino costuma responder melhor quando vê seus ídolos enfrentando desafios relevantes, não apenas confrontos domésticos.

Michael Page contra um brasileiro bem colocado no ranking, por exemplo, teria potencial para ser promovido como luta principal ou co-principal, elevando o nível do card e aumentando a expectativa. E Page precisa de desafios mais altos urgentemente, pois com 38 anos, ele não terá muito tempo para escalar o ranking.

Outro ponto que torna a escolha questionável é que Sam Patterson poderia perfeitamente estar no evento sem precisar enfrentar Michael Page. O inglês está em fase de afirmação e ainda precisa provar que pertence ao grupo de elite da divisão.

Para isso, faria muito mais sentido colocá-lo contra alguém que poderia servir como porta de entrada para o ranking, como Daniel Rodríguez. Esse tipo de confronto é tradicionalmente usado pelo UFC para medir o nível real de lutadores em ascensão e ainda serviria para ele conquistar a torcida em caso de vitória.

Eventos em Londres sempre tiveram forte carga emocional para o público britânico. Colocar Michael Page para enfrentar um adversário ainda em formação pode passar a impressão de que o UFC não vê mais o lutador como uma atração principal. Para quem acompanhou a carreira de MVP desde o Bellator, isso soa como uma redução de status desnecessária.

O UFC costuma acertar ao montar cards internacionais, justamente porque entende a importância de criar confrontos que façam sentido esportivamente e também simbolicamente. Neste caso, porém, a escolha parece ter priorizado a conveniência de um duelo entre compatriotas em vez de buscar um combate que realmente marcasse o evento.

Michael Page merecia um desafio maior. Sam Patterson merecia um teste mais adequado ao momento da carreira. E o público de Londres merecia uma luta com peso suficiente para transformar a noite em algo memorável. Quando se trata de promover um evento em território britânico, o mínimo esperado é que uma das principais estrelas locais seja tratada como tal.

(Imagem de capa: Reprodução X)