O UFC Rio entregou exatamente o que o público esperava: emoção, viradas e um verdadeiro espetáculo para o MMA brasileiro. Realizado na Farmasi Arena, o evento teve Charles “Do Bronx” Oliveira como grande destaque da noite, com uma vitória categórica sobre Mateusz Gamrot, mas também apresentou resultados ruins para os brasileiros.
A atmosfera carioca, sempre efervescente quando se trata de MMA, proporcionou o cenário perfeito para mais um capítulo da rica história do esporte no Brasil. O card principal foi marcado por equilíbrio técnico e grandes atuações, mostrando que o octógono nacional segue sendo um dos palcos mais intensos do calendário do UFC.
Confira tudo sobre o UFC Rio:
Charles Oliveira vence e se consolida como um dos maiores da história
Na luta principal da noite, Charles Oliveira comprovou mais uma vez por que é considerado um dos maiores lutadores da história do Brasil no UFC. Diante do polonês Mateusz Gamrot, “Do Bronx” precisou lidar com um início tenso, em que o adversário buscou controlar o ritmo com o grappling e o jogo de chão. No entanto, Charles manteve a calma, resistiu à pressão inicial e, no segundo round, encontrou a brecha que precisava.
Com uma transição rápida e precisa, Charles as costas de Gamrot e aplicou um mata-leão perfeito, encerrando a luta aos 2m48s do segundo assalto. A vitória reacende suas chances de disputar novamente o cinturão dos leves e reforça o legado do paulista como o maior finalizador da história do UFC.
Deiveson Figueiredo supera Montel Jackson em luta equilibrada
O ex-campeão peso-mosca Deiveson Figueiredo voltou a lutar diante da torcida brasileira e conquistou uma vitória por decisão dividida sobre o norte-americano Montel Jackson, em uma das lutas mais aguardadas do card principal do UFC Rio. Buscando se recuperar depois de duas derrotas seguidas no UFC, Figueiredo mostrou maturidade e inteligência tática para lidar com um adversário mais alto e com maior alcance, apostando no controle de distância e nas quedas para acumular pontos decisivos.
Durante os três rounds, o “Deus da Guerra” alternou momentos de agressividade com uma estratégia mais conservadora, evitando se expor à trocação pesada de Jackson. Apesar de o combate não ter tido o mesmo ritmo frenético que consagrou o brasileiro nos tempos de campeão, Figueiredo demonstrou evolução no controle de grade e no uso das transições de grappling. No final, as papeletas dos juízes refletiram o equilíbrio da disputa, mas a vitória acabou ficando nas mãos do paraense.
Joel Álvarez surpreende e domina Vicente Luque
O espanhol Joel Álvarez mostrou uma das melhores performances de sua carreira ao derrotar Vicente Luque por decisão unânime. O confronto foi marcado pelo contraste de estilos: enquanto Luque buscava encurtar a distância e pressionar com seus poderosos golpes, Álvarez usou sua envergadura, movimentação e precisão para ditar o ritmo da luta.
Nos dois primeiros rounds, o espanhol se manteve firme na longa distância, conectando jabs e chutes frontais que frustraram as investidas do brasileiro. No terceiro, mesmo quando Luque tentou levar o combate para o chão, Álvarez defendeu bem as tentativas de queda e manteve o controle até o fim.
Mário Pinto vence Jhonata Diniz em duelo explosivo dos pesados
Um dos momentos mais intensos da noite veio com o confronto entre Mário Pinto e Jhonata Diniz, que terminou com uma vitória impressionante de Pinto por nocaute técnico no segundo round. O duelo foi um verdadeiro festival de trocação, com ambos os lutadores dispostos a buscar o nocaute desde o início.
Diniz começou melhor, utilizando seu alcance e boas combinações de boxe, mas Pinto soube resistir à pressão e esperou o momento certo para reagir. No segundo round, após uma sequência devastadora de diretos e uppercuts, Mário encontrou o golpe perfeito, levando o árbitro a interromper o combate.
Kaan Ofli surpreende e finaliza Ricardo Ramos no primeiro round
No começo do card principal do UFC Rio, uma das surpresas da noite veio com o duelo entre Ricardo Ramos e o turco Kaan Ofli. Ramos, que buscava retomar o caminho das vitórias diante do público carioca, acabou sendo vítima de uma atuação precisa e agressiva de Ofli, que conseguiu uma finalização por mata-leão ainda no primeiro round.
O combate começou em ritmo acelerado, com Ramos tentando impor seu tradicional jogo de movimentação e chutes plásticos, mas Ofli se manteve firme e aproveitou uma brecha em uma tentativa de queda do brasileiro para inverter a posição e assumir as costas. A partir dali, o turco mostrou calma e técnica apurada, ajustando o estrangulamento até forçar o tap-out. Foi uma vitória impressionante que marcou sua chegada definitiva como um nome a ser observado na categoria.
Destaques brasileiros no card preliminar
Se o card principal teve altos e baixos para o Brasil, o card preliminar foi um verdadeiro show verde e amarelo. Dois nomes, em especial, chamaram a atenção: Vitor Petrino e Beatriz Mesquita.
Vitor Petrino voltou a provar por que é considerado um dos jovens mais promissores do MMA nacional. Enfrentando Thomas Petersen, o brasileiro manteve o controle durante quase todo o combate, mostrando potência e maturidade. No terceiro round, Petrino conectou um golpe certeiro, seguido de uma sequência brutal no ground and pound que decretou o nocaute técnico. A vitória foi a sua segunda nos pesados, e ele já começa a bater na porta dos rankings do UFC
Já Beatriz “Bia” Mesquita, multicampeã mundial de jiu-jítsu, mostrou que sua transição para o UFC segue em trajetória impecável. Enfrentando a russa Irina Alekseeva, Bia utilizou sua elite técnica no chão para dominar o combate e conquistar a vitória por finalização com um mata-leão no segundo round. Foi sua atuação mais dominante até agora, confirmando que a ex-campeã do ADCC é uma das novas joias do MMA feminino brasileiro.
(Foto: Getty Images)