O UFC Vancouver prometia ser um bom card. Com a luta principal entre Reinier de Ridder e Brendan Allen, além de duelos relevantes, a expectativa era de um evento competitivo e técnico, com potencial para redefinir o panorama de algumas divisões.
No entanto, em vez de ser lembrado pelas performances dentro do octógono, o evento ficou marcado por uma sequência de controvérsias que ofuscaram os resultados e reacenderam debates sobre a condução de lutas e o critério dos juízes e árbitros do UFC.
Reinier de Ridder “desiste” de luta contra Brendan Allen
A grande polêmica da noite veio justamente na luta principal. Reinier de Ridder enfrentou Brendan Allen em um duelo que prometia consolidar o vencedor como futuro desafiante ao cinturão dos médios. O combate começou equilibrado, mas, conforme as rodadas avançaram, Allen assumiu o controle das ações, impondo um ritmo agressivo, dominando as trocas no solo e minando o gás de De Ridder.
No intervalo do quarto para o quinto round, a equipe do lutador holandês optou por interromper o combate, declarando vitória para Allen por TKO médico. A decisão gerou uma enxurrada de críticas nas redes sociais e entre colegas de profissão. Muitos fãs e até outros lutadores interpretaram a atitude como uma “desistência” do atleta, alegando que ele simplesmente não quis continuar.
Entre as reações mais duras, esteve a de Khamzat Chimaev, atual campeão do UFC, que ironizou o rival dizendo que ele “simplesmente desistiu”. A acusação de que um lutador “abandonou” uma luta é uma das piores possíveis no MMA, um esporte que preza pela resiliência física e mental. Defensores de De Ridder argumentaram que ele estava exausto e sem condições de competir, e que a decisão de sua equipe foi sensata, preservando a integridade física do atleta.
Críticos, por outro lado, enxergaram a interrupção como um ato de fraqueza, especialmente vindo de um lutador com histórico de durabilidade e disciplina. Essa “desistência”, justa ou não, agora mancha a reputação de De Ridder e levanta dúvidas sobre seu futuro como candidato ao título — uma narrativa que certamente pesará em suas próximas apresentações no UFC.
Aiemann Zahabi vence em decisão polêmica e Marlon Vera reclama
Além da luta principal, o confronto entre Aiemann Zahabi e Marlon Vera ampliou o clima de controvérsia. O canadense Zahabi venceu o equatoriano por decisão dividida, mas o resultado foi imediatamente questionado por analistas e fãs. Muitos acreditaram que Vera havia sido mais agressivo, controlando o octógono e aplicando os golpes mais duros da luta, ainda que Zahabi tenha sido mais preciso e taticamente eficiente. O dilema clássico entre volume de golpes e dano efetivo reapareceu no UFC — afinal, o que deve ser mais valorizado na pontuação: o controle e a técnica ou a contundência dos ataques?
A controvérsia reforça um problema antigo do UFC: a falta de clareza nos critérios de julgamento. Mesmo com as regras unificadas, o peso dado a cada aspecto — como dano, controle e agressividade — continua sendo interpretativo. Na visão de parte da mídia especializada, Zahabi venceu de maneira legítima ao ditar o ritmo em dois dos três rounds. Já para outros, Vera foi o verdadeiro vencedor moral, por ter sido mais perigoso e ter tentado encerrar a luta em diversas ocasiões. Essa incerteza faz com que, toda vez que uma luta vai para as mãos dos juízes, o resultado pareça uma loteria — e isso mina a credibilidade da competição.
Mike Malott x Kevin Holland: mais uma vitória polêmica de um lutador canadense no UFC Vancouver
A terceira e mais explosiva polêmica do UFC Vancouver veio na luta entre Mike Malott e Kevin Holland. O canadense, que lutava em casa, venceu por decisão unânime, mas a vitória ficou ofuscada por erros graves de arbitragem. Logo no primeiro round, Malott acertou dois golpes baixos em Holland — o segundo, visivelmente forte, deixou o americano no chão por vários minutos. O árbitro Dan Miragliotta permitiu que a luta continuasse sem deduzir ponto algum, apenas emitindo advertências verbais.
Essa decisão gerou revolta imediata, tanto do público presente quanto de lutadores e comentaristas. Nas redes, o nome do árbitro rapidamente virou tendência, com críticas duras sobre sua complacência. A comunidade do MMA foi quase unânime: em uma luta tão equilibrada, deixar de aplicar a penalidade mudou completamente o rumo do combate.
Holland, claramente abalado após o segundo golpe ilegal, perdeu ritmo e intensidade. Após o término, o lutador desabafou nas redes, ironizando o resultado e dizendo que os fãs “nunca deveriam apostar nele novamente”. Foi um desabafo amargo, mas que expõe a frustração de um atleta que se sentiu prejudicado por falhas de arbitragem.
Malott, por sua vez, teve sua vitória esvaziada — em vez de ser celebrado por um triunfo expressivo, viu seu nome envolvido em uma das maiores polêmicas do evento. A atuação de Miragliotta reacende o debate sobre a necessidade de maior padronização e responsabilidade dos árbitros no UFC. A inconsistência em aplicar punições em casos de faltas recorrentes tem se tornado um problema visível em 2025.
(Foto: Getty Images)