Oliveira vs Bautista UFC Vegas 113
Lutas UFC

UFC Vegas 113: Bautista e Horiguchi olham para cima, enquanto Lokdog tem futuro incerto; confira as lutas a se fazer após o evento

O UFC Vegas 113, primeiro evento realizado no Meta APEX na era Paramount+, funcionou como um verdadeiro divisor de águas para alguns nomes importantes do peso-galo e do peso-mosca, redesenhando cenários, interrompendo sequências e criando novas rotas possíveis dentro de divisões que já são conhecidas pela profundidade e pela dificuldade de ascensão.

Com resultados claros no papel, mas cheios de nuances dentro do cage, o pós-evento levanta uma pergunta central: quais lutas fazem sentido agora?

Mario Bautista retoma ascensão dentro dos galos

Na luta principal, Mario Bautista fez exatamente o que precisava fazer. Depois de sofrer uma derrota dura para Umar Nurmagomedov, um tropeço que esfriou seu nome no momento em que ele parecia pronto para dar um salto maior no UFC, o estadunidense respondeu com maturidade. A vitória sobre Vinicius “Lokdog” Oliveira não foi apenas um triunfo técnico, mas também simbólico. Bautista mostrou que segue relevante, competitivo e capaz de neutralizar um estilo físico, agressivo e pouco ortodoxo como o do brasileiro.

Com esse resultado, Bautista volta a olhar para cima no ranking dos galos. E, nesse contexto, uma luta contra Cory Sandhagen surge quase como um encaixe natural. Sandhagen vem de uma derrota em disputa de cinturão contra Merab Dvalishvili, resultado que não diminui seu status, mas que o coloca em uma posição delicada: precisa vencer, e vencer bem, para continuar orbitando o topo. Enfrentar um nome com hype crescente como Bautista oferece exatamente isso.

Para Sandhagen, seria a chance de mostrar que ainda pertence à elite e que uma derrota para o campeão não o tirou do jogo. Para Bautista, seria mais uma oportunidade de ouro: vencer um top 5 o colocaria definitivamente na conversa por uma futura disputa de título dos galos no UFC.

Lokdog tem futuro incerto

Do outro lado, a derrota de Vinicius “Lokdog” Oliveira exige uma leitura mais cuidadosa. O brasileiro entrou na luta carregando expectativa justamente por seu estilo pouco convencional: mais pesado, sempre andando para frente, transformando pressão em defesa. Mas, desta vez, isso não foi suficiente. Além do revés em si, Lokdog sai do evento tendo que se recuperar de uma lesão no braço que pode tirá-lo do octógono do UFC por um tempo.

Quando voltar, o cenário mais provável é de um passo atrás. Não como punição, mas como ajuste de rota. Dois nomes fazem sentido nesse contexto. Payton Talbott, outro atleta ascendente, seria um confronto interessante entre juventude, agressividade e estilos que ainda estão em construção. Já Montel Jackson representaria um desafio diferente: mais experiência, mais leitura de luta, alguém capaz de testar a maturidade de Lokdog após um tropeço importante.

Há ainda uma variável fundamental: a categoria. O próprio Vinicius já admitiu que o corte de peso tem sido cada vez mais difícil. Dependendo de como seu corpo responder durante a recuperação, uma eventual subida de divisão pode entrar seriamente em pauta.

Kyoji Horiguchi se torna a nova face do Japão no UFC

No co-main event, Kyoji Horiguchi mostrou por que seu nome nunca deveria ser subestimado. Contra Amir Albazi, o japonês entregou uma atuação sólida, técnica e consciente, usando sua experiência para controlar os momentos importantes do combate. A vitória não apenas o recoloca no radar do UFC, como o aproxima perigosamente do top 5 dos moscas. Em uma divisão que constantemente carece de novos desafiantes claros ao cinturão, Horiguchi surge como uma opção extremamente atraente.

Nesse cenário, um duelo contra Brandon Royval parece quase óbvio para o UFC. Ambos são lutadores que gostam da trocação franca, que não se escondem e que já enfrentaram nomes importantes da categoria. Royval, em especial, tem um estilo caótico, agressivo e imprevisível, que casaria muito bem com a precisão e o timing de Horiguchi. Além disso, seria uma luta que o UFC conseguir baseado apenas em mérito esportivo, algo cada vez mais raro. O vencedor sairia com um argumento forte para pedir uma disputa de cinturão ou, no mínimo, um title eliminator.

Albazi recalcula a rota

Para Amir Albazi, a noite foi de frustração, mas não de desespero. Ele voltou a lutar depois de um período afastado por lesão, e isso sempre cobra seu preço. O timing, o ritmo e a confiança demoram a voltar, especialmente em uma categoria tão rápida quanto o peso-mosca. Agora, o mais sensato é dar um passo atrás calculado. Um confronto contra Steve Erceg, ex-desafiante ao título, aparece como uma escolha lógica. Seria uma luta dura, mas justa, que permitiria a Albazi retomar consistência sem a pressão imediata do topo da divisão.