Foto: Reuters/Paul Childs
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Uruguai mostra a identidade de Bielsa, mas sente falta de Arrascaeta na estreia da Copa

O empate diante da Arábia Saudita deixou uma sensação amarga para o Uruguai. A Celeste dominou boa parte das ações, insistiu até o fim e precisou de mais de 40 minutos do segundo tempo para buscar a igualdade no placar. O resultado, por si só, não compromete a campanha, mas evidenciou um problema que pode acompanhar a equipe nas próximas rodadas: a falta de criatividade no setor ofensivo.

Marcelo Bielsa identificou rapidamente o que estava acontecendo. O Uruguai precisava de mais mobilidade e velocidade para atacar os espaços, e não de um jogo excessivamente concentrado em Darwin Núñez como referência. As mudanças realizadas no intervalo surtiram efeito e melhoraram o desempenho da equipe, mas não resolveram completamente uma deficiência que ficou evidente desde os primeiros minutos.

Arrascaeta faz mais falta do que parece

A principal explicação para esse “apagão” criativo passa pela ausência de Giorgian De Arrascaeta. O meia do Flamengo é o principal organizador do jogo uruguaio e, por conta de uma lesão na clavícula somada a um problema muscular na panturrilha, ficou fora dos primeiros compromissos da seleção na Copa do Mundo.

Diante do quadro clínico, o mais natural seria sua desconvocação. No entanto, Bielsa e sua comissão técnica optaram por mantê-lo no grupo. A decisão não foi apenas médica, mas também técnica. Ela transmite uma mensagem clara: Arrascaeta é considerado indispensável para o funcionamento da equipe.

O camisa 10 sofreu uma lesão muscular de grau moderado na panturrilha enquanto ainda se recuperava da fratura na clavícula. O prazo estimado para retorno gira em torno de três semanas, o que praticamente o tira da fase de grupos.

Mesmo sem estar em campo, sua importância ficou escancarada diante da Arábia Saudita. O Uruguai teve dificuldades para criar jogadas, acelerar a circulação da bola e encontrar espaços entre as linhas adversárias. Faltou justamente o jogador capaz de conectar meio-campo e ataque com naturalidade.

Se a atuação já foi limitada sem seu principal articulador, é difícil imaginar que o desempenho ofensivo seria o mesmo com Arrascaeta disponível.

Bielsa encontrou soluções, mas não o cérebro da equipe

Uruguai x Arábia Saudita, Copa do Mundo 2026
Uruguai x Arábia Saudita, Copa do Mundo 2026. Foto: Patrícia de Melo Moreira/AFP

 

Os times de Marcelo Bielsa costumam ter características muito bem definidas: intensidade, pressão alta, jogo vertical e ataques construídos pelos lados do campo. Foi assim em suas passagens pela Argentina e pelo Chile, e não é diferente no atual ciclo uruguaio.

Mas para que esse modelo funcione em sua plenitude, é necessário um jogador capaz de acelerar a circulação da bola e encontrar soluções entre as linhas. Arrascaeta encaixa perfeitamente nesse perfil. É ele quem organiza os ataques, distribui o jogo e aparece para concluir na área.

Sem o camisa 10, o Uruguai se mostrou excessivamente previsível no primeiro tempo. Apesar de ter mais posse de bola e trocar mais passes, produziu muito pouco. Os números indicavam controle territorial, mas a sensação em campo era outra: a Arábia Saudita parecia mais confortável e conseguiu transformar uma de suas chegadas em vantagem no placar, com Al-Amri.

O contraste entre estatísticas e desempenho era evidente. A posse existia, mas faltavam profundidade, criatividade e capacidade de desequilibrar.

Marcelo Bielsa, Uruguai
Foto: Dante Fernández/AFP

 

No intervalo, Bielsa agiu. Darwin Núñez deu lugar a Agustín Canobbio, enquanto Juan Sanabria entrou na vaga de Matías Viña. As alterações deixaram o time mais leve, aumentaram a velocidade pelos corredores e permitiram que o Uruguai empurrasse os sauditas para trás.

A melhora foi imediata. A equipe passou a criar mais situações, ocupar melhor os espaços e gerar desconforto na defesa adversária. Ainda assim, a falta de um organizador continuou pesando.

Federico Valverde e Viñas acabaram assumindo responsabilidades criativas que não fazem parte de suas principais características. O esforço coletivo foi suficiente para buscar o empate, mas também reforçou a impressão de que a presença de Arrascaeta poderia ter mudado completamente a dinâmica da partida.

A identidade de Bielsa apareceu no segundo tempo. A intensidade também. O que ainda falta ao Uruguai, enquanto seu camisa 10 segue fora, é justamente o jogador capaz de transformar volume de jogo em oportunidades claras.

Próximos jogos do Uruguai na Copa do Mundo

  • Uruguai x Cabo Verde — 21/06, às 13h (de Brasília)
  • Espanha x Uruguai — 26/06, às 21h (de Brasília)

Créditos da foto de capa: Reuters/Paul Childs