Kevin Vallejos vem apresentando uma evolução meteórica no UFC. No último final de semana, o argentino não deu a menor chance a Josh Emmett, nocauteando o veterano com facilidade ainda no primeiro round do UFC Vegas 114. Com mais uma exibição de alto nível, o jovem de 24 anos subiu para a décima posição do peso-pena e reforçou seu nome como uma das promessas mais empolgantes da divisão.
Imediatamente após a luta, alguns comentaristas do Ultimate passaram a comparar “El Chino”, como é conhecido, com Ilia Topuria, ex-campeão dos penas e atual detentor do cinturão do peso-leve. Mas, afinal, de onde surgiu essa comparação? Ela faz sentido ou ainda é precipitada diante do estágio da carreira do argentino?
Vallejos tem características semelhantes
A principal razão para a comparação entre Vallejos e Topuria está no estilo de luta. Assim como o georgiano-espanhol, Vallejos é conhecido por sua abordagem agressiva em pé, sempre buscando o nocaute e pressionando os adversários desde os primeiros segundos. Seu boxe afiado e sua capacidade de encurtar a distância rapidamente o colocam como um striker de elite em ascensão.
O próprio “hermano” reconhece que existem paralelos técnicos entre os dois lutadores. Ao ser questionado sobre o tema, o argentino foi direto ao ponto: “O boxe, a movimentação de cabeça e algumas combinações. Sim, existem semelhanças”, disse Vallejos, em entrevista recente.
Ainda assim, ele faz questão de destacar que busca construir uma identidade própria dentro do octógono. Segundo ele, Topuria se destaca pelo boxe refinado, mas não explora tanto outras armas ofensivas. Vallejos, por outro lado, quer ampliar seu repertório.
“Acho que Topuria é um boxeador muito bom, mas talvez ele não use os cotovelos, joelhos e chutes, e eu quero adicionar essas ferramentas.”
Essa declaração mostra que Vallejos não apenas aceita a comparação como ponto de partida, mas também enxerga caminhos para evoluir e se diferenciar. Vallejos, portanto, parece consciente de que a versatilidade pode ser um fator decisivo para alcançar o topo.
Números que impressionam
Outro fator que alimenta a comparação entre Vallejos e Topuria são os números expressivos de ambos. Vallejos possui um cartel profissional de 18 vitórias e apenas uma derrota, um retrospecto que chama atenção principalmente pela forma dominante como a maioria dos triunfos foi construída.
A única derrota de Vallejos aconteceu diante do brasileiro Jean Silva, no Contender Series de 2023. Desde então, “El Chino” mostrou uma evolução significativa, ajustando falhas e apresentando performances cada vez mais consistentes no UFC.
Do outro lado, Topuria mantém uma campanha impecável, com 17 vitórias em 17 lutas. Além disso, o atual campeão já enfrentou adversários de altíssimo nível e até mesmo categorias diferentes, superando nomes como Charles Oliveira e Alexander Volkanovski.
Esse é um ponto importante na análise: embora Vallejos tenha números excelentes, Topuria já foi testado em cenários mais complexos e contra a elite consolidada do esporte. Ainda assim, sua consistência e capacidade de finalização rápida fazem com que muitos enxerguem um potencial semelhante entre os dois.
O argentino, inclusive, já demonstra maturidade competitiva ao lidar com essa ascensão. Mesmo jovem, ele parece confortável sob os holofotes, algo essencial para quem pretende disputar cinturões no UFC.
A comparação é justa?
Comparações são inevitáveis em esportes populares. No futebol, por exemplo, é comum surgirem rótulos como “novo Messi” ou “novo Pelé”, muitas vezes antes mesmo de um atleta consolidar sua carreira. No MMA, esse fenômeno também ocorre, especialmente quando surge um talento promissor.
No caso de Vallejos, a comparação com Topuria tem fundamentos técnicos e estatísticos, mas ainda carece de um elemento essencial: tempo. Vallejos está em franca ascensão, enquanto Topuria já atingiu o topo e provou seu valor contra os melhores do mundo.
O próprio Vallejos prefere evitar esse tipo de associação, justamente para reduzir a pressão e manter o foco na evolução contínua. Vallejos entende que cada passo deve ser dado com cautela, sem a necessidade de corresponder a expectativas externas tão elevadas.
Ainda assim, é inegável que Vallejos reúne atributos que o colocam como um potencial desafiante ao título em um futuro próximo. Se mantiver o ritmo atual, ele pode não apenas justificar as comparações, mas também construir sua própria narrativa de sucesso dentro do UFC.
No fim das contas, talvez a pergunta mais adequada não seja se Vallejos é o “novo Topuria”, mas sim até onde o argentino pode chegar sendo ele mesmo.
Foto: Zuffa LLC