Hugo Moura - Vasco
Futebol Brasileirão

Vasco mostra organização, mas depende mais do coração que da qualidade do time

No domingo (3), em jogo válido pela 14ª rodada do Campeonato Brasileiro, o Vasco buscou um empate histórico no clássico contra o Flamengo, no Maracanã. Após estar perdendo por 2 a 0, o Gigante da Colina iniciou a reação já na reta final da partida, arrancando um ponto no lance final do confronto.

O resultado, além de importante pelo ponto conquistado, pesa também pelo lado psicológico, podendo se tornar simbólico para o restante da temporada. Sob o comando de Renato Portaluppi, o Vasco ainda precisa evoluir e preocupa tecnicamente, porém, mostra um ímpeto que pode definir aonde o clube chegará ao longo de 2026.

Vasco buscou empate em clássico praticamente perdido

Embora clássicos sejam sempre disputados, com muitos fatores surgindo como ingredientes que podem equilibrar os confrontos, a verdade é que o Flamengo chegou ao duelo de domingo sendo o favorito. Afinal, hoje, é difícil o clube chegar em algum compromisso sem esse status.

Com o investimento pesado dos últimos anos, o Rubro-Negro tem clara vantagem em termos de qualidade de grupo se comparado ao Vasco. Porém, dentro de campo, embora o time de Leonardo Jardim tenha chegado a construir uma vitória que parecia confirmada, o resultado fugiu à lógica e entregou um roteiro muito mais satisfatório aos vascaínos.

Após Pedro abrir o placar logo no início do jogo, Jorginho ampliou a vantagem do Flamengo aos 15 minutos da segunda etapa. Nesta altura, o duelo já parecia decidido. Mas o clássico não estava acabado. Com um gol de Robert Renan, aos 39 minutos da etapa final, o Vasco voltou para o jogo. No apagar das luzes, aos 52 minutos, no último lance da partida, Hugo Moura empatou o clássico.

Depois de ver o jogo praticamente como perdido, o Vasco saiu do clássico com a sensação de superação, deixando um gosto amargo para os flamenguistas. E, neste cenário, o time de Renato Portaluppi ganha ainda mais força, crescendo com um fator que tem se mostrado importante: o espírito de luta.

Vasco tem mais garra do que qualidade com Renato

Com Renato Portaluppi, o Vasco é um time que joga com o coração. Enfrentando limitações, a equipe, muitas vezes, supera as dificuldades técnicas com entrega e luta. Renato, conhecido por ser um treinador que faz boas campanhas em copas, justamente por montar equipes “chatas de enfrentar”, tem conseguido tornar o Gigante da Colina um oponente difícil de bater. Afinal, o Vasco parece não desistir mesmo quando o contexto já indica uma derrota evidente.

O empate contra o Flamengo não foi o único caso em que o time foi atrás de um resultado importante. Outro bom exemplo é o duelo contra o São Paulo, também válido pelo Brasileirão, no qual o Gigante da Colina saiu perdendo como mandante. Naquela partida, após tomar um gol ainda aos nove minutos de jogo e passar boa parte do confronto atrás no placar, a equipe de Renato buscou a virada na segunda etapa. O gol da vitória aconteceu aos 43 minutos do segundo tempo, quase no apagar das luzes.

Além disso, voltando aos clássicos, esse não foi o primeiro jogo de superação contra um rival carioca. Já sob o comando de Renato Portaluppi, jogando como mandante, o Vasco viu o Fluminense abrir 2 a 0 de vantagem no clássico disputado pelo Brasileirão, no dia 18 de março. Na ocasião, o segundo gol do Tricolor ocorreu aos dez minutos da segunda etapa. No entanto, mesmo com pouco tempo, o Cruzmaltino foi atrás da reação. O time transformou uma derrota praticamente certa em vitória, buscando a virada já nos acréscimos da segunda etapa, aos 51 minutos.

Diante disso, é claro que há também motivos para se preocupar, afinal, embora o trabalho atual demonstre organização, o time vascaíno ainda parece frágil em diversos momentos. Há carências no elenco, o que é evidente em muitos dos confrontos recentes. Neste cenário, sabemos também que a entrega nem sempre será suficiente para alcançar resultados.

Muitas das vitórias do Vasco sob o comando do atual treinador ocorreram por placares apertados, em partidas nas quais o resultado poderia ter sido outro sem causar espanto ou parecer injustiça. O Gigante da Colina não é um time que joga bonito, muito pelo contrário. E vitórias decididas nos detalhes podem deixar de acontecer caso não haja evolução em outros aspectos.

Inclusive, resultados recentes já comprovaram isso. Na Sul-Americana, a equipe vascaína empatou com o Barracas Central e foi derrotada, em casa, pelo Audax Italiano, em jogos que esquentaram o clima em São Januário. Além disso, o empate contra o Remo, pelo Campeonato Brasileiro, em meio aos dois tropeços na competição da Conmebol, incomodou ainda mais a torcida e intensificou a preocupação.

No entanto, é jogando com o coração que o Vasco encontra formas de competir, se tornando uma equipe que vende muito caro qualquer resultado e se recusa a se dar por vencida. Ocupando a 13ª posição do Campeonato Brasileiro, o time tem uma vaga encaminhada para as oitavas de final da Copa do Brasil e vê boas possibilidades de avançar ao mata-mata da Sul-Americana.

Neste cenário, Renato Portaluppi ainda precisa tirar mais do time, com a necessidade evidente de ajustes. Porém, o espírito de luta que o treinador tem oferecido ao Gigante da Colina pode ser crucial para superar obstáculos e alcançar objetivos na temporada.

Créditos da foto de capa: Matheus Lima/Vasco.