Uma finalização mais precisa poderia ter mudado completamente a situação do Vasco no Campeonato Brasileiro. Após os dois primeiros jogos no torneio desde a pausa para a Copa do Mundo, o time conquistou apenas um ponto e segue na 17ª posição, abrindo a zona de rebaixamento com 21 pontos. Contra Vitória e Mirassol, o Vasco somou 26 finalizações, sendo sete no alvo, mas marcou apenas um gol. A equipe perdeu para o Vitória, fora de casa, por 1 a 0 e ficou no empate com o Mirassol, por 1 a 1, em São Januário. Considerando a configuração atual da tabela, um gol a mais em qualquer uma dessas partidas teria sido suficiente para tirar o clube do Z-4.
O empate por 2 a 2 com o Independiente Medellín, pela Copa Sul-Americana, completa o recorte desde o retorno. Em três partidas sob o comando de Pedro Emanuel, foram dois empates e uma derrota. O time demonstrou capacidade para controlar momentos dos confrontos e criar no campo ofensivo, porém continua encontrando dificuldades no momento de concluir as jogadas.
Vasco cria, mas desperdiça trabalho no último terço
Na derrota para o Vitória, o Vasco terminou a partida com 12 finalizações, três delas no alvo. O volume não foi suficiente para evitar o resultado negativo, enquanto o adversário aproveitou uma das oportunidades que teve para marcar o único gol do confronto. Dias depois, diante do Independiente Medellín, houve sinais mais positivos na construção. O time carioca finalizou dez vezes e acertou o alvo em quatro oportunidades, chegando aos dois gols no empate disputado na Colômbia. Porém, uma das bolas na rede foi contra, marcada por Joaquín Varela após cruzamento de Cuiabano.
Ainda assim, a partida mostrou caminhos que podem ser aproveitados por Pedro Emanuel. Com maior aproximação entre os jogadores no centro do ataque, o Vasco conseguiu abrir espaços e avançar com mais frequência. O problema voltou a aparecer quando a jogada exigia uma decisão mais precisa dos atletas posicionados pelos lados.
Contra o Mirassol, o roteiro se repetiu. O Vasco teve 14 finalizações, mas somente quatro foram na direção do gol. A equipe melhorou no segundo tempo, conseguiu empurrar o adversário para trás e chegou ao empate com Andrés Gómez. Porém, precisou de um chute de alto nível do colombiano, de fora da área, para finalmente superar o goleiro Walter. Depois do empate, o time ainda encontrou oportunidades para buscar a virada, mas não conseguiu aproveitá-las. Dessa forma, o crescimento apresentado durante a partida terminou sem a recompensa necessária. Neste cenário, em um confronto direto contra outro clube que luta contra o rebaixamento, dois pontos importantes ficaram pelo caminho.
A dificuldade também aparece antes do chute. Em determinados ataques, o Vasco consegue chegar com espaço e até encontrar superioridade numérica, mas escolhe o passe errado ou demora para definir a jogada. Isso faz com que parte da produção ofensiva sequer seja transformada em uma finalização perigosa.
Os números do primeiro turno comprovam que o problema acompanha o clube há mais tempo. Nas 19 primeiras rodadas do Brasileirão, o Vasco foi o time que mais finalizou, com 315 tentativas. Ao mesmo tempo, o Gigante da Colina apresentou a pior eficiência do campeonato, precisando de 14,32 chutes para marcar cada um de seus 22 gols.
Ou seja, o trabalho de Pedro Emanuel já oferece alguns sinais de evolução na maneira como a equipe ocupa o campo ofensivo. Porém, a falta de precisão continua impedindo que esse crescimento seja transformado em resultados.
Problema mantém Vasco dentro do Z-4
O Vasco chegou a cinco partidas consecutivas sem vencer no Campeonato Brasileiro. Antes do empate com o Mirassol, a equipe havia sofrido quatro derrotas seguidas. A sequência se torna ainda mais preocupante devido à situação apertada na parte de baixo da tabela. Com 21 pontos, o Cruz-Maltino possui a mesma pontuação de Internacional e Grêmio, que aparecem na 15ª e na 16ª posições, respectivamente. A diferença está nos critérios de desempate. Sendo assim, qualquer ponto desperdiçado pode ter um peso considerável na luta para permanecer na Série A.
A partida contra o Vitória oferece o exemplo mais claro. Um gol teria transformado a derrota em empate e levado o Vasco aos 22 pontos. Já diante do Mirassol, uma segunda bola na rede garantiria a vitória e faria o clube alcançar os 23. Nos dois cenários, o time deixaria a zona de rebaixamento.
Além disso, o Vasco saiu atrás do placar nas três partidas disputadas desde o retorno. Isso obrigou a equipe a correr atrás do resultado contra Vitória, Independiente Medellín e Mirassol. Quando as conclusões não funcionam, qualquer falha cometida no outro lado do campo ganha uma importância ainda maior.
A criação oferece um ponto de partida para Pedro Emanuel, principalmente porque o Vasco demonstra que consegue chegar ao ataque. Porém, para escapar do rebaixamento, o time precisa aproveitar melhor esse volume e ter mais qualidade nos últimos metros do campo. Enquanto a pontaria não melhorar, controlar momentos das partidas será insuficiente. Ou seja, em uma disputa tão equilibrada na parte de baixo do Brasileirão, continuar precisando de tantas finalizações para marcar pode custar muito caro para o Vasco.
Créditos da foto de capa: Matheus Lima/Vasco.



