O Vasco conquistou uma vitória histórica na noite desta quarta-feira, 4, ao derrotar o Athletico Paranaense por 3 a 1, de virada, na Arena da Baixada. Depois de sair atrás no primeiro tempo, o Cruz-Maltino teve uma reação avassaladora na etapa final e marcou três gols em apenas cinco minutos, encerrando um tabu que durava desde 1999: o clube carioca não vencia o Furacão como visitante pelo Brasileirão desde então.
O resultado teve impacto importante na luta contra o rebaixamento. O Vasco chegou aos 41 pontos e subiu para a 12ª colocação, abrindo quatro pontos de vantagem para o Grêmio, que ocupa a primeira posição dentro da zona de rebaixamento. O Athletico, por outro lado, chegou ao quarto jogo consecutivo sem vitória na Série A e permaneceu em quinto lugar, com 54 pontos.
O jogo
Mesmo atuando fora de casa, o Vasco começou melhor e tentou assumir o controle da partida. A equipe carioca trocou passes no campo ofensivo e conseguiu pressionar o Athletico nos primeiros minutos, mas teve dificuldades para transformar a superioridade territorial em oportunidades claras. O início do confronto foi marcado por muitas interrupções e pouca criatividade dos dois lados.
Com o passar do tempo, o Furacão conseguiu equilibrar as ações e passou a encontrar espaços para avançar. A equipe paranaense adotou uma postura mais vertical e começou a ameaçar a defesa vascaína até abrir o placar aos 22 minutos.
Luiz Gustavo encontrou Stiven Mendoza entre as linhas de marcação, próximo à entrada da área. O atacante colombiano recebeu em boas condições e soltou uma finalização forte e precisa, no canto, sem chances para Léo Jardim.
Em desvantagem, o Vasco tentou retomar o controle da bola, mas continuou sem muita inspiração no setor ofensivo. Aos 25 minutos, Pumita arriscou de longa distância e Mycael soltou a bola. Na sequência, o goleiro acabou tocando com a mão no pé de Brenner, que caiu dentro da área. O árbitro não marcou pênalti, e a partida seguiu.
O Athletico aproveitou os espaços deixados pelo adversário e esteve perto de ampliar. Em um contra-ataque, Kerwin Vargas recebeu em posição favorável e finalizou, mas a bola desviou e passou perto do gol. Aos 37, Mendoza voltou a aparecer, puxou da direita para o meio e bateu de fora da área. Léo Jardim fez uma grande defesa e evitou o segundo gol dos donos da casa.
O Vasco só conseguiu responder com mais perigo aos 40 minutos, quando Cuiabano recebeu lançamento em velocidade pela esquerda e finalizou forte, mas por cima da meta. O Cruz-Maltino ainda tentou pressionar nos minutos finais, sem conseguir chegar ao empate antes do intervalo.
Na volta para o segundo tempo, o Vasco apresentou mudanças e passou a ocupar o campo de ataque com mais jogadores. Apesar da maior presença ofensiva, a equipe ainda pecava na execução do último passe. O Athletico, por sua vez, continuava perigoso nas transições rápidas, mas também desperdiçava oportunidades por falta de precisão.
Aos 12 minutos, o Vasco teve uma grande chance de empatar. Lescano ganhou a disputa física, avançou e encontrou Andrés Gómez livre pela direita. O ponta tinha Bruno Duarte em boas condições dentro da área, mas exagerou na força do passe e desperdiçou a oportunidade.
A pressão vascaína, entretanto, começou a surtir efeito. Aos 17 minutos, Cuiabano recebeu pela esquerda e cruzou com força. Aguirre tentou cortar, mas desviou contra a própria meta, deixando tudo igual na Arena da Baixada.
O empate mudou completamente o cenário da partida. No minuto seguinte, Pumita apareceu em velocidade pela direita, recebeu em ultrapassagem e cruzou de primeira. Bruno Duarte subiu bem e cabeceou sem chances para Mycael, completando a virada vascaína.
O Vasco ainda tinha mais a oferecer. Aos 22 minutos, Colidio cobrou falta lateral e Gabriel Pereira ganhou pelo alto para cabecear no canto superior, marcando o terceiro gol em um intervalo de apenas cinco minutos desde o empate.
A vantagem poderia ter ficado ainda maior pouco depois. Cuiabano recebeu livre na segunda trave e rolou para o meio da área. Andrés Gómez apareceu diante do gol praticamente vazio, mas isolou a finalização e desperdiçou uma chance clara de transformar a vitória em goleada.
O cenário do Athletico ficou ainda mais complicado aos 32 minutos. Viveros se envolveu em uma confusão com Cuiabano e atingiu o lateral vascaíno, que já estava caído no gramado. O árbitro mostrou o cartão vermelho ao jogador do Furacão.
Com um homem a menos e três gols de desvantagem, o Athletico perdeu força para reagir. A equipe não conseguiu construir uma pressão consistente, enquanto o Vasco passou a administrar o resultado sem assumir grandes riscos. Parte da torcida paranaense deixou a Arena da Baixada antes do apito final, que confirmou uma vitória histórica para o Cruz-Maltino.
Análise: cinco minutos de eficiência transformam o jogo e mudam o cenário do Vasco
A vitória vascaína teve dois momentos bastante distintos. No primeiro tempo, o time apresentou dificuldades para transformar a posse de bola em chances concretas e sofreu com as transições do Athletico. Na etapa final, porém, conseguiu aumentar a presença ofensiva, pressionou o adversário e foi extremamente eficiente quando encontrou os espaços necessários.
O principal mérito do Vasco foi não abandonar a estratégia ofensiva mesmo depois de sair atrás no placar. As alterações realizadas no intervalo ajudaram a equipe a ocupar o campo de ataque com mais jogadores e a manter o Athletico recuado. Embora ainda houvesse problemas na construção das jogadas, a pressão aumentou progressivamente até resultar no gol contra de Aguirre.
A partir do empate, o Cruz-Maltino aproveitou o momento de instabilidade do adversário com uma precisão impressionante. A equipe não deu tempo para o Furacão se reorganizar e construiu a virada em sequência, com Bruno Duarte e Gabriel Pereira completando uma reação que mudou completamente a partida.
As jogadas pelos lados tiveram papel importante. Cuiabano participou diretamente do lance que originou o empate e também esteve envolvido na construção de uma oportunidade clara para ampliar. Pumita, por sua vez, foi decisivo na assistência para o segundo gol, enquanto Colidio contribuiu com a cobrança de falta que terminou na cabeçada de Gabriel Pereira.
O Athletico teve dificuldades para lidar com a mudança de intensidade do adversário. Depois de um primeiro tempo em que encontrou espaços e conseguiu construir a vantagem, a equipe perdeu o controle territorial na etapa final. A defesa passou a sofrer com a movimentação vascaína e não conseguiu impedir a sequência de gols.
A expulsão de Viveros agravou uma situação que já era bastante complicada. Com um jogador a menos, o Furacão perdeu a possibilidade de aumentar a pressão e teve ainda mais dificuldades para buscar uma reação. O cartão vermelho também encerrou qualquer possibilidade de uma reta final mais equilibrada.
Outro ponto importante foi o desempenho de Léo Jardim. Quando o Athletico ainda estava em vantagem, o goleiro fez uma defesa importante na finalização de Mendoza e evitou que o placar ficasse ainda mais difícil para o Vasco. A intervenção ajudou a manter o time carioca vivo no confronto até a reação do segundo tempo.
Na tabela, o triunfo representa muito mais do que a quebra de um tabu histórico. Com 41 pontos, o Vasco abriu quatro de vantagem para o Grêmio, que inicia a zona de rebaixamento, e ganhou fôlego na luta pela permanência na Série A. A vitória fora de casa também pode fortalecer a confiança do elenco para os compromissos restantes.
Para o Athletico, o resultado acende um alerta. A equipe permanece na quinta posição, com 54 pontos, mas chegou a quatro partidas sem vencer no Brasileirão. A vantagem construída no primeiro tempo não foi suficiente para evitar uma derrota pesada, e a queda de rendimento depois do intervalo precisa ser observada.
O Vasco saiu da Arena da Baixada com três pontos, uma virada marcante e o fim de um tabu que durava mais de duas décadas. Mais importante, conseguiu abrir distância em relação à zona de rebaixamento em um momento decisivo da competição. A reação em cinco minutos mostrou a capacidade de resposta da equipe e transformou uma noite que começou com dificuldades em um resultado de grande significado para a temporada.
(Foto; Robson Mafra/AGIF)



