Lewis Hamilton terminou o GP de Silverstone na terceira colocação, enquanto Charles Leclerc conquistou a vitória, depois do britânico perder uma posição ao fazer sua parada nos boxes durante o Safety Car.
O chefe da Ferrari, Fred Vasseur, explicou os motivos que levaram a equipe a chamar Hamilton para trocar pneus na parte final da corrida em Silverstone. A decisão acabou permitindo que George Russell assumisse a segunda posição, já que a prova terminou sob regime de Safety Car, sem que a disputa fosse retomada.
Apesar desse episódio, o fim de semana foi considerado extremamente positivo para a Ferrari. A equipe conquistou sua segunda vitória nas últimas três corridas, reforçando a percepção de que se tornou a principal adversária da Mercedes nesta fase da temporada.
Embora o triunfo de Charles Leclerc tenha representado um grande impulso para a escuderia, permaneceu a frustração pelo fato de Hamilton ter perdido uma posição importante e precisar se contentar com o terceiro lugar no pódio.
Quando o Safety Car foi acionado após Max Verstappen rodar e parar na caixa de brita, a Ferrari precisou tomar uma decisão difícil. Leclerc, que liderava a corrida, tinha uma parada praticamente garantida, podendo colocar pneus macios sem comprometer sua posição para uma eventual relargada.
A situação de Hamilton, porém, era diferente. A Ferrari sabia que, caso chamasse o britânico aos boxes enquanto ocupava a segunda colocação, a Mercedes manteria George Russell na pista, permitindo que ele assumisse a posição quando Hamilton retornasse. Foi exatamente isso que aconteceu.
Vasseur afirma que repetiria a mesma decisão
Enquanto os carros circulavam atrás do Safety Car, Hamilton, equipado com pneus mais novos, preparava-se para tentar ultrapassar seu ex-companheiro de Mercedes na relargada. Entretanto, essa oportunidade nunca surgiu, pois a corrida não foi reiniciada antes da bandeira quadriculada. Dessa forma, Russell conseguiu manter a segunda posição até o fim da prova.
A perda de uma colocação e de pontos importantes naturalmente gerou frustração. Ainda assim, após a corrida, Fred Vasseur foi categórico ao afirmar que aquela era a única decisão possível diante das circunstâncias, especialmente em um dia no qual a Ferrari executou perfeitamente sua estratégia com Charles Leclerc. “Podemos discutir se, no caso do Lewis, a decisão de parar foi a correta. Mas, se não pararmos, o Russell para, coloca pneus macios novos, enquanto nós ficaríamos na frente dele com pneus duros usados, assumindo um risco.” afirmou.
Vasseur também destacou que a equipe foi surpreendida pelo longo período em que o Safety Car permaneceu na pista. “Também ficamos um pouco surpresos por o Safety Car permanecer tanto tempo. Esperávamos uma relargada e acho que podemos discutir essa decisão por muito tempo. Mas, se eu tivesse que tomar essa decisão novamente agora, faria exatamente a mesma coisa.”
Segundo Vasseur, todas as informações disponíveis naquele momento indicavam que haveria uma relargada, tornando lógica a escolha de oferecer pneus novos a Hamilton para defender sua posição e atacar caso surgisse uma oportunidade.
Ferrari vê evolução, mas mantém postura cautelosa
Analisando o panorama geral, Vasseur afirmou que Silverstone demonstrou a evolução da Ferrari. O GP da Áustria havia sido marcado por dificuldades relacionadas ao gerenciamento dos pneus, mas, mesmo naquela etapa, o SF-26 já havia mostrado velocidade ao conquistar o segundo e o terceiro lugares na classificação.
Apesar da sequência consistente em circuitos onde a Ferrari imaginava sofrer mais devido às características da unidade de potência, Vasseur preferiu manter uma postura cautelosa. “Ainda temos um déficit de desempenho, disso nós sabemos. E certamente é mais difícil quando você vai para Silverstone do que quando vai para Mônaco. Foi por isso que não estávamos muito otimistas.” afirmou.
Ao mesmo tempo, ele acredita que justamente essa dificuldade obrigou toda a equipe a buscar pequenas melhorias em todos os detalhes possíveis durante o fim de semana. “Por outro lado, acho que isso nos levou a buscar cada pequeno décimo possível em todos os lugares. Demos pequenos passos ao longo de todo o fim de semana para conseguir um ritmo forte hoje.”
O chefe da Ferrari reforçou que o progresso observado não foi resultado de uma única grande atualização, mas da soma de diversas pequenas evoluções realizadas ao longo do trabalho em Silverstone.
Vasseur destaca confiança recuperada por Leclerc
Vasseur também fez questão de destacar que o GP de Silverstone não foi definido apenas pelo desempenho do motor. “Acho que, certamente, Silverstone depende muito mais do motor do que a Espanha duas semanas atrás.”
Ele ressaltou ainda que outras características influenciaram diretamente o desempenho dos carros. “Mas também foi a primeira vez que enfrentamos condições de vento, além de um circuito muito limitado pela dianteira. As características da pista exigem muito da parte dianteira do carro. Não é apenas uma questão de motor e acho que fizemos um trabalho muito bom em todos esses aspectos.”
Mesmo com o excelente resultado, Vasseur lembrou que o desafio seguinte, em Spa, será completamente diferente. “Na próxima semana teremos outro desafio em Spa. Primeiro, o clima provavelmente será diferente, mas precisamos começar do zero a cada fim de semana. Não existe mágica. Não podemos imaginar ganhar cinco ou seis décimos de uma corrida para outra. A diferença surge da soma de pequenos ganhos em todas as áreas.”
Além dos aspectos técnicos, Vasseur destacou que a maior conclusão de Silverstone foi o retorno da confiança de Charles Leclerc após uma sequência complicada de resultados. “Se observarmos, ele largou na primeira fila em Spielberg e vinha sendo consistentemente competitivo. Para nós, olhando os dados, nunca fomos negativos. O que era difícil para ele era a falta de pontos e de resultados.”
Segundo o chefe de equipe da Ferrari, a vitória representa o maior impulso possível para a confiança do piloto. “Acho que o resultado de hoje é o melhor reforço de confiança que ele poderia receber.”
Ele explicou ainda que, à medida que a Ferrari desenvolve o carro desde o início da temporada, torna-se necessário reajustar constantemente os acertos. Além disso, Leclerc precisou se adaptar após a mudança dos freios realizada algumas corridas atrás, exigindo uma nova reorganização do conjunto.
Mesmo assim, Vasseur acredita que o principal obstáculo nunca foi exclusivamente o desempenho do carro. “Não era apenas uma questão de performance. Acho que era muito mais uma questão de confiança, e isso será de enorme ajuda a partir de hoje.”
Foto: (Scuderia Ferrari)