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Veja 5 razões para a queda de rendimento do Vasco

A trajetória recente do Vasco da Gama sob o comando de Renato Portaluppi é um retrato clássico de um time que começou acima das expectativas, mas não conseguiu sustentar o desempenho ao longo das semanas.

Após um início empolgante com Renato Gaúcho, com vitórias relevantes e bons resultados no Campeonato Brasileiro, o Cruz-Maltino mergulhou em uma sequência negativa que inclui a derrota em casa para o Audax Italiano pela Copa Sul-Americana e já soma cinco jogos sem vencer.

A seguir, veja cinco fatores centrais que ajudam a explicar essa queda de produção do Vasco de Renato Gaúcho e quais são os pontos que a equipe precisa evoluir para se recuperar na temporada.

Vasco de Renato Gaúcho segue em queda
Vasco de Renato Gaúcho segue em queda (Imagem: Jorge Rodrigues/AGIF)

Rotação excessiva e priorização equivocada

Um dos pontos mais criticados nas últimas semanas foi a decisão da comissão técnica de poupar jogadores em jogos importantes, especialmente na Sul-Americana. Contra o Audax Italiano, por exemplo, o Vasco entrou em campo com uma equipe majoritariamente reserva, o que comprometeu o nível técnico e o entrosamento da equipe.

Essa estratégia pode até fazer sentido em um calendário apertado, mas teve efeitos colaterais claros: perda de ritmo competitivo, fragilidade coletiva e resultados ruins em uma competição continental que exige regularidade.

Além disso, a mensagem interna pode ter sido ambígua, sinalizando que nem todos os jogos são tratados com a mesma importância, haja visto que o próprio treinador Renato Gaúcho não esteve presente no primeiro jogo da competição.

Queda física e desgaste do elenco

O bom início de Renato Portaluppi no Brasileirão, com vitórias importantes e alta intensidade, cobrou seu preço. O Vasco apresentou uma queda física evidente nas últimas partidas, algo que se reflete principalmente em gols sofridos no fim dos jogos e perda de controle em momentos decisivos.

O empate contra o Coritiba, por exemplo, veio com um gol sofrido nos acréscimos, iniciando a sequência negativa. Esse tipo de situação indica não apenas desgaste físico, mas também queda de concentração, um sintoma clássico de equipes que começam bem e não conseguem manter o nível.

Falta de consistência tática

Renato Portaluppi é conhecido por montar equipes bem postadas defensivamente e dar liberdade criativa aos jogadores. No início, isso funcionou bem, com o time sendo competitivo contra adversários fortes. No entanto, com o passar dos jogos, o Vasco passou a mostrar desorganização, especialmente na transição defensiva.

A utilização de equipes alternativas agravou esse problema, já que jogadores com menos minutos não têm o mesmo entendimento tático. O resultado foi um time mais espaçado, vulnerável e previsível, facilitando a vida dos adversários, inclusive de menor investimento.

Elenco ainda em construção

Apesar de contratações como a de Claudio Spinelli, o elenco do Vasco ainda apresenta lacunas importantes. Há uma dependência de alguns jogadores-chave e pouca profundidade em determinadas posições.

Quando os titulares são poupados ou não estão em boa fase, o nível cai consideravelmente. Isso ficou evidente nas partidas da Sul-Americana, em que jogadores que “buscam espaço” não conseguiram manter o desempenho esperado.

Além disso, a falta de peças com características complementares limita as variações táticas do time, tornando-o mais previsível ao longo das rodadas. Isso, somado ao fato de Renato ser um treinador mais motivador do que estrategista, cria o problema vivido hoje.

Pressão crescente e impacto psicológico

O futebol é altamente influenciado pelo momento emocional, e o Vasco claramente sentiu o impacto da sequência negativa. O que antes era confiança virou pressão, especialmente jogando em casa.

A derrota para o Audax Italiano em São Januário, um adversário teoricamente inferior, ampliou a cobrança externa e interna. O time passou a jogar mais tenso, errando mais e demonstrando dificuldade em reagir a adversidades, como sofrer um gol ou lidar com decisões de arbitragem.

Esse aspecto psicológico é crucial: equipes em má fase tendem a entrar em um ciclo vicioso, em que a falta de vitórias gera ansiedade, que por sua vez prejudica o desempenho em campo e cria nervosismo exagerado nos atletas.

Não há nada perdido, mas o Vasco precisa reagir

A queda de rendimento do Vasco não pode ser atribuída a um único fator. Trata-se de uma combinação de decisões estratégicas questionáveis, limitações do elenco, desgaste físico e impacto psicológico. O início promissor criou uma expectativa elevada, mas também mascarou problemas estruturais que vieram à tona com o passar dos jogos.

Renato Portaluppi ainda tem tempo para ajustar a equipe, especialmente porque já demonstrou capacidade de extrair bons resultados no começo de seu trabalho. No entanto, será fundamental encontrar um equilíbrio entre rodar o elenco e manter competitividade, além de corrigir falhas defensivas e recuperar a confiança do grupo.

Caso contrário, o risco é que o Vasco transforme um início animador em uma temporada marcada pela frustração, algo que sua torcida, já acostumada a altos e baixos nos últimos anos, dificilmente aceitará com paciência.

(Imagem de capa: Mauro Pimentel/AFP)