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Verón compara premiações do futebol argentino com premiação do Flamengo na Copa do Brasil

Após criticar a Associação de Futebol Argentina por permitir a escalação de um youtuber num jogo do campeonato local, Juan Sebastián Verón, ex-jogador e atual presidente do Estudiantes, trouxe à tona um novo capítulo para a “rixa” que criou com a organização.

Logo depois do Flamengo conquistar o pentacampeonato na Copa do Brasil, o dirigente do clube de La Plata utilizou suas redes sociais para comparar valores recebidos em premiações no futebol argentino com a milionária quantia que o Rubro-Negro receberá pelo título do último domingo.

Em seu Instagram, Verón repostou uma publicação que enfatizava o valor que o Flamengo arrecadará após ser campeão da Copa do Brasil pela quinta vez, ao derrotar o Atlético-MG na grande decisão:

 — E aqui (na Argentina) entre o Torneio dos Campeões do Mundo e a Copa da Argentina, não dá nem para cobrir os ônibus dos torcedores… mas o clube pertence aos sócios — ironizou.

As premiações da Copa do Brasil em comparação aos torneios da Argentina

Na campanha encerrada com o quinto título da Copa do Brasil, o Flamengo receberá da Confederação Brasileira de Futebol um total de R$ 93,1 milhões, com R$ 73,5 milhões correspondentes ao prêmio pela conquista, enquanto os outros R$ 19,6 milhões se referem às fases anteriores da competição. Quando comparada à edição de 2023, o torneio deste ano teve um aumento de 5% no valor destinado à premiações.

Ao avançar de fase na Copa do Brasil, o Fla acumulou uma grande quantia por cada classificação. Na terceira fase, os cariocas arrecadaram R$ 2,2 milhões, enquanto nas oitavas de final o valor foi de R$ 3,4 milhões. Nas quartas, o clube ganhou R$ 4,5 milhões, e na semifinal, a quantia atingiu R$ 9,4 milhões.

Flamengo campeão da Copa do Brasil de 2024
Flamengo ergue taça de campeão da Copa do Brasil após vitória contra o Atlético-MG — Foto: Cris Mattos/Reuters

O Estudiantes de Verón foi o último campeão da Copa da Liga Argentina, uma das competições de mata-mata disputadas no país. Na época, o time de La Plata recebeu um prêmio de meio milhão de dólares (R$ 2,9 milhões) oferecido pela Conmebol. Além disso, eles ficaram com 70% da receita arrecadada pela bilheteria do Estádio Madre de las Ciudades, em Santiago del Estero, na final disputada contra o Vélez Sarsfield.

O valor da premiação embolsada pelo Fla com o título da Copa do Brasil é 32 vezes maior do que o recebido pelo Estudiantes na Copa da Liga Argentina.

Já na Copa da Argentina, outro torneio de mata-mata local, a disparidade financeira é ainda maior com a Copa do Brasil. Com a atual edição na fase semifinal, a competição renderá um valor total de 171 milhões de pesos ao seu campeão. Ou seja, para a atual cotação do real, pouco mais de R$ 985 mil. Esse valor é inferior aos R$ 2,2 milhões pagos pela CBF aos times classificados na terceira fase da Copa do Brasil.

Presidente da AFA entrega cheque ao Estudiantes após título na Copa da Liga Argentina
Claudio “Chiqui” Tapia, presidente da AFA, entregou um cheque de premiação extra concedido pela Conmebol ao vice-presidente do Estudiantes, Martín Gorostegui — Foto: Divulgação/ AFA

A briga política entre Verón, Javier Milei e a Associação de Futebol da Argentina

Ídolo do Estudiantes e campeão da Libertadores de 2009, vencida contra o Cruzeiro em pleno Mineirão, Juan Sebastián Verón é um dos principais nomes da história do time de La Plata. Atual presidente do clube, “La Brujita” é uma das principais vozes da oposição ao atual presidente da Associação de Futebol da Argentina, Claudio Tapia. Verón é crítico ao atual regulamento do campeonato nacional com mais de 20 equipes, e também faz uma série de cobranças com relação a arbitragem no país.

Aliado do presidente da Argentina, Javier Milei, Verón também é favorável a entrada de investidores externos no futebol, algo ainda negado pelo dirigente da associação local, Claudio Tapia. Recentemente, o ex-jogador chegou a se aproximar de um acordo com um empresário americano para trazer R$ 650 milhões ao Estudiantes, acirrando ainda mais os ânimos sobre o tema.

Em outubro passado, Milei derrubou benefícios fiscais que os clubes argentinos vinham recebendo nos últimos anos, mediante decreto de seu antecessor, Alberto Fernández. A baixa no alívio foi apenas um dentre vários episódios da série de desentendimentos entre o governo argentino e a AFA. E o aumento na cobrança de impostos sobre os clubes vem sendo uma nova tentativa presidencial de legalizar e forçar a entrada de SADs (Sociedades Anônimas Desportivas) no futebol do país.

Javier Milei, presidente da Argentina
Javier Milei — Foto: Tomas F. Cuesta/Bloomberg