O início de temporada da Red Bull e de Max Verstappen segue desafiador. Nos treinos do GP da China, o tetracampeão ficou longe das primeiras posições e sequer pontuou na corrida sprint. Em entrevista, atribuiu o mau desempenho à difícil dirigibilidade do carro.
O holandês somou as críticas ao RB22 à sua avaliação negativa das novas regras da Fórmula 1. Segundo ele, a experiência ao volante não tem sido positiva desde o primeiro contato com o novo modelo.
Além de estar fora de seu “habitat natural” nas sessões de classificação, o piloto do carro nº 3 também vê a aproximação do companheiro Isack Hadjar, que tem aparecido muito próximo em tempos de volta.
Verstappen fora da briga mais uma vez

As declarações do tetracampeão apontam para um fim de semana tão — ou até mais — difícil que o da abertura da temporada, em Melbourne. Na ocasião, Verstappen bateu na classificação, e sua corrida de recuperação foi suficiente apenas para alcançar o sexto lugar.
Após se classificar em oitavo para a corrida sprint, atrás até da Alpine de Pierre Gasly, o holandês terminou a prova curta apenas em nono e não somou pontos. Mais tarde, repetiu o desempenho e largará novamente da quarta fila na corrida de domingo.
A explicação para os maus resultados, segundo ele, é que o carro da equipe austríaca está “inguiável”. Verstappen afirma não ter controle total do modelo, o que tem afetado sua velocidade e transformado cada volta em um exercício de sobrevivência. Mais do que a falta de ritmo, o que o incomoda é a inconsistência das respostas do carro.
A performance abaixo do esperado também se refletiu em Hadjar, que ficou uma posição atrás do companheiro no treino classificatório para o GP e também não pontuou na sprint. O francês de 21 anos, no entanto, tem chamado atenção pelo ritmo em voltas lançadas ao se aproximar dos tempos do líder da equipe, além de ter conquistado a melhor classificação da carreira (3º) em Albert Park.
Os problemas do RB22

Verstappen confirmou que os problemas de dirigibilidade envolvem understeer (subesterço) e oversteer (sobresterço). De acordo com a ex-estrategista da Aston Martin na Fórmula 1, Bernie Collins, há ainda uma questão de longa data afetando o RB22: as trocas de marcha, especialmente nas subidas de marcha.
Trata-se de algo que o tetracampeão já criticava mesmo quando tinha um carro capaz de disputar o título. Agora, porém, o novo motor teria agravado a situação, comprometendo o equilíbrio do conjunto.
Na Austrália, o cenário parecia menos grave, mas as características do Circuito Internacional de Xangai evidenciaram o tamanho do problema enfrentado pela equipe. Verstappen espera que o desempenho melhore em outros traçados, mas avalia que o time seguirá como quarta força do grid caso nenhuma mudança significativa seja feita no carro.
Sexto no Mundial de Pilotos, Verstappen terá pela frente uma dura batalha no meio do pelotão no GP da China e dificilmente deixará o país asiático com um troféu, a menos que algo fora do normal aconteça. É difícil, neste ponto da temporada, cravar que o holandês está fora da briga pelo título, uma vez que a Red Bull também parecia fora de sintonia no começo de 2025 e ele conseguiu levar a disputa até a última etapa, mas muito trabalho será necessário da equipe e do piloto para reverter o cenário.
O GP da China começa às 04h00 da manhã (horário de Brasília) deste domingo, com transmissão no Brasil pelo SporTV3 (TV fechada) e pela F1TV Pro (streaming). À noite, após a cerimônia do Oscar, a Globo exibirá o compacto da prova em VT.
(Foto principal: Mark Thompson / Getty Images)