Max Verstappen vive um fim de semana especialmente difícil em sua última corrida em casa no atual calendário da Fórmula 1. Além de revelar que está se sentindo “como se estivesse gripado”, o tetracampeão também admitiu que o desempenho da Red Bull em Zandvoort escancarou limitações que o time ainda não conseguiu resolver no RB22.
O holandês terminou a classificação apenas em 7º lugar, mais de quatro décimos atrás de Lando Norris, que conquistou a pole. Para um piloto que venceu três das cinco edições do GP da Holanda desde o retorno da prova ao calendário, o resultado representa um contraste enorme com o domínio que Verstappen costumava exercer diante de sua torcida. E o problema, segundo o próprio piloto, vai muito além de um acerto que não funcionou.
Verstappen revela que não está 100%
Antes mesmo de falar sobre o carro, Verstappen admitiu que não está atravessando seu melhor momento fisicamente. O piloto revelou que vem sentindo sintomas semelhantes aos de uma gripe e que está com menos energia do que o normal.
Apesar disso, Verstappen afirmou que não acredita que a condição física esteja prejudicando diretamente seu desempenho dentro do carro. O problema é que, fora dele, o fim de semana tem sido bastante desgastante.
Em sua última corrida em Zandvoort, diante de uma torcida que tradicionalmente transforma o circuito em um verdadeiro mar de laranja, o piloto reconheceu que está aproveitando o carinho dos fãs, mas admitiu que está ansioso principalmente pelo momento em que poderá descansar.
O problema da Red Bull não é apenas o acerto
Se Verstappen não está fisicamente no seu melhor, a situação do RB22 também está longe de ser confortável.
A Red Bull tentou modificar bastante o carro depois da Sprint, mas, segundo Verstappen, as mudanças praticamente não alteraram o comportamento da máquina. E isso aponta para um problema mais profundo.
O principal defeito está no equilíbrio do carro ao longo das curvas. O RB22 não consegue manter um comportamento consistente durante toda a trajetória, algo que Verstappen afirma acompanhar a equipe durante praticamente toda a temporada. Zandvoort simplesmente tornou essa deficiência ainda mais evidente.
O circuito holandês combina curvas rápidas, mudanças de direção e trechos em que o piloto precisa confiar plenamente no equilíbrio do carro. Quando essa confiança não existe, fica difícil atacar as curvas e extrair o máximo dos pneus. E Verstappen também apontou outro problema: a falta de tração na saída das curvas.
Na prática, a Red Bull perde desempenho tanto na entrada quanto na saída das curvas. O carro não oferece estabilidade suficiente para o piloto atacar os pontos de frenagem e, ao mesmo tempo, não entrega a tração necessária para acelerar com eficiência.
Red Bull já tentou de tudo no acerto
Um dos pontos mais preocupantes nas declarações de Verstappen é que ele não acredita que o problema possa ser resolvido simplesmente encontrando um acerto diferente para o fim de semana. A equipe já tentou diferentes configurações e, mesmo assim, as limitações permaneceram.
Isso levou Verstappen a classificar a situação como um problema “fundamental” do carro. Ou seja, não se trata apenas de encontrar uma combinação perfeita de suspensão, asas ou distribuição de pressão aerodinâmica.
A Red Bull precisa encontrar uma maneira de corrigir características do próprio projeto do RB22. Esse é um sinal importante para a segunda metade da temporada. Quando um piloto do nível de Verstappen afirma que o carro está limitado por problemas fundamentais, fica evidente que a equipe ainda tem trabalho considerável pela frente.
Zandvoort colocou a Red Bull em seu pior cenário
O circuito holandês parece simplesmente não combinar com as principais características do RB22. Verstappen explicou que algumas pistas conseguem esconder determinadas deficiências do carro, enquanto outras as tornam muito mais evidentes. Zandvoort está claramente no segundo grupo.
A falta de equilíbrio prejudica o piloto nas curvas rápidas, enquanto a deficiência de tração cobra seu preço na saída. E, quando o carro não permite que Verstappen ataque as curvas, até mesmo sua maior arma, a capacidade de extrair desempenho acima do limite, fica limitada.
Por isso, o holandês foi bastante realista ao avaliar suas chances para a corrida. Em condições normais e sem a interferência da chuva, Verstappen considera o sétimo lugar praticamente o máximo que a Red Bull pode alcançar. É uma avaliação dura, especialmente para um piloto que venceu três vezes em Zandvoort.
A chuva pode mudar tudo
Existe, porém, um elemento capaz de embaralhar completamente esse cenário: a chuva. Com um circuito estreito e difícil para ultrapassar, uma corrida molhada poderia colocar estratégia, gerenciamento dos pneus, decisões de pit stop e capacidade de adaptação no centro da disputa.
Para Verstappen, isso poderia abrir uma oportunidade que simplesmente não existe em condições normais. Mas seria necessário que a Red Bull aproveitasse o caos, porque, em termos de ritmo puro, a equipe chega à corrida claramente atrás de Mercedes, McLaren e Ferrari.
Um fim melancólico para a era Zandvoort
Tudo isso torna a despedida do GP da Holanda ainda mais curiosa. Verstappen transformou Zandvoort em uma das corridas mais emblemáticas de sua carreira. Desde o retorno do evento ao calendário, o holandês construiu uma sequência de vitórias e momentos históricos diante de sua torcida.
Agora, na última edição da prova por enquanto, ele chega sem um carro capaz de repetir aquele domínio. O próprio piloto reconhece que é o fim de uma era, mas prefere olhar para tudo o que a corrida proporcionou ao longo dos últimos anos.
O problema é que, para Verstappen, satisfação significa vencer. E, desta vez, ele próprio admite que isso parece muito difícil. A Red Bull terá de contar com uma evolução muito grande durante a corrida, ou com uma dose considerável de imprevisibilidade, para transformar um fim de semana marcado por limitações fundamentais em mais uma lembrança especial para o tetracampeão.
Foto: (Reprodução/ Globo Esporte)


