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Automobilismo Fórmula 1

Verstappen pode fazer uma segunda metade de temporada “à Verstappen” e voltar à briga pelo título?

Max Verstappen chega à pausa de verão de 2026 em uma posição que, para os padrões do tetracampeão mundial, é bastante incomum. Depois de quatro títulos consecutivos entre 2021 e 2024, o holandês ocupa apenas a sexta colocação do campeonato, com 109 pontos, 110 atrás de Kimi Antonelli, que lidera com 219.

A diferença parece enorme. E, olhando apenas para a tabela, seria fácil concluir que Verstappen está praticamente fora da disputa. Mas existe um argumento para não descartá-lo tão cedo: ainda restam 12 Grandes Prêmios e duas Sprint, e o próprio Verstappen já mostrou diversas vezes que consegue transformar temporadas aparentemente perdidas em campanhas completamente diferentes quando encontra um carro competitivo.

A questão, portanto, não é apenas se Verstappen consegue voltar a vencer. É se a Red Bull consegue entregar a ele um carro capaz de permitir que o piloto faça aquilo que fez tantas vezes nos últimos anos: transformar uma desvantagem técnica em uma sequência de resultados que parecia improvável.

O problema não é apenas Verstappen

A temporada da Red Bull explica boa parte da situação atual. Depois de 11 etapas, a equipe ocupa apenas a quarta posição no Mundial de Construtores, atrás de Mercedes, Ferrari e McLaren. O próprio balanço oficial da Fórmula 1 sobre a primeira metade do campeonato descreve uma campanha bastante difícil para a equipe, que não conseguiu acompanhar o ritmo dos principais rivais em boa parte do ano.

Verstappen, por sua vez, teve um começo de temporada marcado por resultados irregulares e abandonos. Ele terminou em sexto na Austrália, abandonou na China, foi oitavo no Japão, quinto em Miami, terceiro no Canadá e abandonou novamente em Mônaco. Ou seja: antes mesmo de pensar em uma arrancada no campeonato, a Red Bull precisa resolver o problema que impediu Verstappen de lutar regularmente pelas vitórias na primeira metade do ano.

Mas a Hungria trouxe um sinal importante

O segundo lugar no GP da Hungria foi provavelmente o melhor argumento para quem ainda acredita em uma reação. Verstappen terminou apenas 15 segundos atrás de Lando Norris e à frente de Kimi Antonelli, que fechou o pódio. Foi seu segundo pódio consecutivo e um resultado particularmente relevante depois de uma temporada em que a Red Bull vinha sofrendo para acompanhar Mercedes, Ferrari e McLaren.

Mais importante do que os 18 pontos conquistados foi a sensação de que o RB22 finalmente conseguiu oferecer a Verstappen uma plataforma mais competitiva. Isso não significa que a Red Bull tenha subitamente se tornado o carro a ser batido. Mas, para uma equipe que precisa recuperar 110 pontos, qualquer sinal de evolução ganha um peso enorme.

O que seria uma segunda metade “à Verstappen”?

É aqui que entra a expressão “à Verstappen”. Em temporadas anteriores, o holandês mostrou uma capacidade extraordinária de transformar pequenas janelas de oportunidade em grandes sequências de resultados. Quando o carro não era o mais rápido, ele frequentemente compensava parte da diferença com classificação, ritmo de corrida, gerenciamento de pneus e capacidade de aproveitar qualquer erro dos adversários.

Para repetir isso em 2026, porém, será necessário algo ainda maior. Verstappen precisaria começar a vencer regularmente enquanto Antonelli, Hamilton e Russell deixam pontos pelo caminho. Não basta terminar segundo ou terceiro todas as semanas. Com 110 pontos de desvantagem, ele precisa de uma mudança estrutural na dinâmica do campeonato. E isso significa que a Red Bull também precisa entrar na briga pelo desenvolvimento.

A Red Bull precisa acertar o caminho

A pausa de verão pode ser particularmente importante para isso. A nova geração de carros e unidades de potência tornou o desenvolvimento ainda mais decisivo. Mercedes, Ferrari e McLaren já demonstraram que conseguem encontrar desempenho ao longo da temporada, enquanto a Red Bull ficou para trás.

Se a equipe conseguir entender melhor o RB22 e transformar as atualizações planejadas em desempenho real, Verstappen pode começar a pontuar em uma frequência completamente diferente. A própria Red Bull chega ao intervalo em uma situação curiosa: o segundo lugar de Verstappen na Hungria mostrou potencial, mas a equipe ainda está longe da consistência dos líderes.

Portanto, o primeiro passo para uma reação não é Verstappen fazer algo extraordinário. É a Red Bull deixar de exigir que ele faça algo extraordinário em todas as corridas.

Antonelli é o alvo, mas não o único

Mesmo que Verstappen consiga recuperar muito terreno, ele não está perseguindo apenas Antonelli. Hamilton tem 169 pontos, Russell 160, Leclerc 138 e Norris 128. Verstappen está com 109. Isso cria uma situação interessante.

Para chegar ao título, Verstappen provavelmente precisará passar por vários adversários. Mas, ao mesmo tempo, uma disputa dividida entre Mercedes, Ferrari e McLaren pode acabar favorecendo a Red Bull. Se Antonelli, Hamilton, Russell, Leclerc e Norris continuarem tirando pontos uns dos outros, Verstappen poderá se aproximar mais rapidamente caso comece a vencer.

É exatamente por isso que o campeonato ainda não pode ser tratado como uma disputa exclusiva entre Antonelli e os pilotos da Mercedes.

O maior obstáculo são os 110 pontos

Ainda assim, é importante não transformar uma possibilidade matemática em uma expectativa realista. A diferença de 110 pontos é gigantesca. Mesmo com 12 Grandes Prêmios e duas Sprint restantes, Max precisaria marcar, durante uma sequência prolongada, muito mais pontos do que Antonelli. E isso exigiria não apenas vitórias, mas também resultados ruins do italiano.

O cenário ideal para o piloto seria uma combinação de fatores: Red Bull encontrando desempenho, o holandês vencendo corridas consecutivamente e Antonelli enfrentando problemas de confiabilidade, penalidades ou finais de semana em que a Mercedes não seja dominante.

Qualquer um desses elementos isoladamente não seria suficiente. Juntos, poderiam recolocar Verstappen na conversa.

Verstappen ainda pode superar os rivais e se tornar campeão? 

Sim, mas hoje é mais uma possibilidade do que uma probabilidade. Verstappen ainda tem tempo para reagir, e o segundo lugar na Hungria mostrou que a Red Bull pode estar encontrando um caminho. O problema é que a diferença para Antonelli é grande demais para uma simples melhora de desempenho.

Para vermos uma verdadeira “segunda metade à Verstappen”, será necessário que o tetracampeão faça aquilo que já fez em outras ocasiões: transformar cada oportunidade em vitória, cometer pouquíssimos erros e aproveitar qualquer fraqueza dos adversários.

Mas desta vez existe uma diferença fundamental. Ele não precisa apenas ser Verstappen. A Red Bull precisa voltar a ser uma Red Bull capaz de colocá-lo na posição em que Verstappen consegue fazer a diferença.

Se isso acontecer, 110 pontos podem começar a parecer menos assustadores. Se não acontecer, a temporada de 2026 provavelmente será a primeira em muitos anos em que Verstappen estará assistindo à disputa pelo título de uma distância considerável.

Foto: (Reprodução/ Fórmula 1)