Tajor Buchanan, Villarreal
Futebol La Liga

Villarreal, a fábrica de ouro: de apostas baratas a vendas milionárias

O Villarreal está surfando uma onda daquelas. Líder da LaLiga depois de um arranque histórico — o melhor começo goleador da sua vida — o Submarino Amarelo atropelou o Girona por 5 a 0 em La Cerámica. E não foi um triunfo qualquer: teve hat-trick de Tajon Buchanan, canadense que custou só 9 milhões vindo do Inter e que até outro dia era visto como mais uma aposta arriscada. Agora, virou herói e, quem sabe, próxima mina de ouro do clube.

Mas a real é que esse jogo contra o Girona foi só a ponta do iceberg de um modelo que o Villarreal domina como poucos: comprar barato, valorizar e vender caro. É quase uma ciência dentro de La Cerámica. E quando você olha de perto os últimos mercados, parece até história inventada, mas não: Jackson por meio milhão, vendido ao Chelsea por 37 milhões. Sorloth por menos de 10, revendido ao Atlético por 32 mais variáveis. Barry por 14, despachado ao Everton por 35. Tudo em sequência, como se o clube tivesse uma varinha mágica para multiplicar ativos.

Buchanan, o “fichado tarde, mas na hora certa”

O canadense Tajon Buchanan já estava no radar do Villarreal no verão passado, mas o Inter o segurou. Jogou pouco em Milão, quase não teve minutos, e aí o Submarino aproveitou a deixa no inverno: 9 milhões e contrato assinado. Pouca gente botava fé, até porque mal tinha feito jogos completos na Europa. Mas Marcelino viu nele algo diferente: velocidade, chegada ao gol, intensidade. Resultado? Em agosto de 2025 já tá na boca da torcida depois de um hat-trick histórico.

Yeremy Pino no radar da Premier

Enquanto uns chegam, outros podem estar de saída. O Villarreal já rejeitou uma proposta do Crystal Palace por Yeremy Pino, mas a chance de vendê-lo não está descartada. Fala-se em 30 milhões de euros, um valor que, pelo histórico do clube, soa como oportunidade de reinvestir em novos talentos. Não seria novidade. Em La Cerámica não existe apego: se a proposta é boa, a porta está aberta.

O olho clínico de Roig e a história de Jackson

Um dos exemplos mais emblemáticos foi o de Nicolas Jackson. O garoto senegalês foi descartado pelo Benfica, quase ficou sem clube, até que apareceu em teste no juvenil do Villarreal em 2019. Custava 800 mil euros, mas ninguém parecia disposto a pagar. Foi aí que o presidente Fernando Roig assistiu a um treino, se encantou e mandou fechar a operação. Quatro anos depois, Jackson estava sendo vendido ao Chelsea por 37 milhões. Lucro puro.

O caso Sorloth: 10 milhões virando 32 em um ano

Depois da venda de Jackson, o Villarreal precisava de um novo “9”. O alvo? Alexander Sorloth, que vinha de dois anos emprestado à Real Sociedad. O Submarino foi rápido, pagou menos de 10 milhões ao Leipzig e bancou o alto salário do norueguês. Em apenas uma temporada, ele explodiu: 26 gols e seis assistências. O Atlético não pensou duas vezes: 32 milhões fixos + 10 em variáveis. E o Villarreal, mais uma vez, transformou aposta em mina de ouro.

Thierno Barry, o gigante que durou pouco

Na sequência, o clube reinvestiu parte dessa bolada em Thierno Barry, atacante de 1,95m que estava voando no Basel. Custou 14 milhões, parecia aposta de médio prazo, mas em apenas uma temporada já estava chamando atenção da Premier. Com 11 gols e 4 assistências, foi vendido ao Everton por 35 milhões. O ciclo se repetiu.

Nicolás Pepé, aposta a custo zero

O Villarreal também adora as chamadas “oportunidades de mercado”. Foi assim com Nicolas Pepé, que chegou de graça em 2024 depois de passagem apagada pelo Trabzonspor. Sofreu com algumas lesões, mas terminou a temporada com números decentes: 3 gols e 6 assistências em 28 jogos. Agora, já começou este ano dando gol e assistência logo nas duas primeiras rodadas. Para quem não custou nada, é só lucro.

Cantera que rende milhões: Chukwueze, Baena e o próximo da fila

O Villarreal não vive só de apostas externas. A cantera também tem papel central no modelo. Casos recentes: Samu Chukwueze, comprado ainda juvenil por 500 mil e vendido ao Milan por 21 milhões. Álex Baena, formado desde garoto no clube, que se tornou uma das transferências mais caras da história amarela: 42 milhões fixos + 13 em variáveis pagos pelo Atlético.

E pode vir mais por aí: Karl Etta Eyong, camerunês que chegou de graça em 2024, brilhou no filial com 19 gols e já estreou no time principal marcando e dando assistência. Cláusula de rescisão? 10 milhões. E dizem que o Barcelona já está de olho.

O método Villarreal: simples e implacável

O que chama a atenção é que o modelo funciona independente do treinador. Marcelino pede um perfil, o diretor Miguel Ángel Tena traz nomes dentro do orçamento, e Fernando Roig Negueroles bate o martelo junto ao presidente. É pragmático, quase matemático: esportivamente competitivo, financeiramente sustentável.

E é esse equilíbrio que permite ao Villarreal estar, de novo, na Champions League, agora saindo do pote 2 do sorteio. Não é só “time médio que dá trabalho”. É um clube que entendeu o jogo do mercado e o transformou em identidade.