O Vitória entrou em campo no Barradão sabendo da dificuldade que enfrentaria diante do Palmeiras, um dos candidatos ao título do Campeonato Brasileiro. Ainda assim, o time comandado por Jair Ventura fazia um jogo competitivo e conseguia executar a estratégia que tem marcado sua campanha como mandante. A equipe buscava alternar momentos de posse de bola com transições rápidas, sem abrir mão de tentar controlar o ritmo da partida quando tinha espaço.
Não por acaso, o clube possui a quarta melhor campanha como mandante da competição, fator que vem sendo determinante para mantê-lo fora da zona de rebaixamento.
Até os 25 minutos do primeiro tempo, o Palmeiras tinha maior volume ofensivo, mas encontrava um Vitória organizado defensivamente e preparado para explorar os contra-ataques. O cenário, porém, mudou completamente após uma sequência de decisões da arbitragem que geraram enorme revolta entre jogadores e comissão técnica.
A partir daquele momento, o jogo deixou de ser apenas uma disputa tática e passou a ser dominado pelo aspecto emocional. O Vitória perdeu o foco, viu dois jogadores serem expulsos ainda na etapa inicial e acabou goleado por 4 a 0, resultado que pode pesar muito na reta final da luta contra o rebaixamento.
Sequência de lances polêmicos fez o Vitória perder o controle da partida

A insatisfação do Vitória começou ainda aos 13 minutos.
Marlon Freitas, do Palmeiras, atingiu Baralhas com o cotovelo durante uma disputa aérea. O árbitro Alex Gomes Stefano aplicou apenas o cartão amarelo, decisão que já provocou reclamações dos jogadores baianos.
Poucos minutos depois, aos 25 minutos, um lance semelhante aumentou ainda mais a tensão.
Maurício acertou uma cotovelada em Cacá durante outra disputa pelo alto. Mais uma vez, o árbitro optou apenas pelo cartão amarelo, decisão que gerou forte reação do banco de reservas e dos atletas do Vitória, que entendiam existir um critério menos rigoroso para as ações do Palmeiras.
O momento decisivo aconteceu aos 33 minutos.
Cacá entrou de carrinho em Arias. O zagueiro ainda conseguiu tocar na bola, mas acabou atingindo a perna do adversário com as travas da chuteira, próximo à região da panturrilha.
O lance dividiu opiniões justamente por não apresentar características claras de uma entrada violenta. Não houve contato direto no meio das pernas nem um impacto frontal considerado evidente.
Inicialmente, Alex Gomes Stefano não marcou falta na jogada.
Entretanto, após ser chamado pelo VAR para revisar a jogada, alterou sua decisão e expulsou o defensor do Vitória.
Foi exatamente nesse momento que o controle emocional da equipe pareceu desaparecer.
Os jogadores cercaram a arbitragem alegando falta de critério. O principal argumento era a diferença entre a punição aplicada a Cacá e as decisões anteriores envolvendo Maurício e Marlon Freitas, que permaneceram em campo.
Durante toda a confusão, Luan Cândido realizou um gesto indicando “roubo” em direção à arbitragem.
O árbitro foi novamente chamado pelo VAR e interpretou o gesto como ofensivo, aplicando mais um cartão vermelho.
Em poucos minutos, o Vitória passou de um jogo equilibrado para uma situação praticamente irreversível, ficando com apenas nove jogadores ainda no primeiro tempo.
O aspecto emocional definiu o resultado e aumenta a preocupação na tabela

Mesmo antes das expulsões, o Palmeiras já apresentava maior volume ofensivo.
A diferença é que, até aquele momento, o Vitória conseguia competir dentro de sua estratégia e dificultava a criação de chances claras do adversário.
Com dois jogadores a menos, esse equilíbrio desapareceu.
A equipe perdeu organização, intensidade e concentração.
Como consequência, justamente Maurício, um dos jogadores envolvidos em um dos principais lances de reclamação do Vitória, abriu o placar aos 46 minutos com um chute de fora da área.
O gol aumentou ainda mais a frustração dos donos da casa.
Antes mesmo do intervalo, Fabiano marcou contra ao tentar afastar um cruzamento e ampliou a vantagem palmeirense para 2 a 0.
Na volta para o segundo tempo, o Vitória já demonstrava poucas condições de reagir.
Além da inferioridade numérica, o desgaste emocional provocado pelos acontecimentos da primeira etapa ficou evidente.
O Palmeiras aproveitou os espaços, controlou completamente a partida e transformou a vitória em goleada por 4 a 0.
Mais do que o placar, a derrota preocupa pela situação na tabela.
Apesar da excelente campanha no Barradão, o Vitória soma apenas 26 pontos e ocupa a 13ª colocação do Campeonato Brasileiro.
A vantagem para o Grêmio, primeiro clube dentro da zona de rebaixamento, é de apenas quatro pontos, margem considerada pequena para uma competição tão equilibrada.
Outro fator que aumenta o alerta é a recuperação recente de concorrentes diretos.
O Mirassol, por exemplo, vive um bom momento e somou sete dos últimos nove pontos possíveis, com duas vitórias e um empate nas três rodadas mais recentes.
Além disso, equipes tradicionais como Santos, Internacional, Grêmio e Vasco seguem envolvidas na luta contra o Z4. Embora Grêmio e Vasco estejam atualmente na zona de rebaixamento, todas possuem elencos mais valorizados e maior capacidade de investimento, o que torna a disputa ainda mais difícil na reta final da temporada.
Para Jair Ventura, a principal missão agora será recuperar rapidamente o aspecto emocional do elenco. O Vitória mostrou ao longo do campeonato que consegue competir em casa e construir bons resultados diante de sua torcida, mas a derrota para o Palmeiras serve como um alerta. Em confrontos decisivos pela permanência na Série A, manter o equilíbrio emocional será tão importante quanto apresentar um bom desempenho técnico. Afinal, em um campeonato decidido por poucos pontos, perder a cabeça pode custar muito mais do que uma derrota em uma única rodada.
(Foto de capa: VICTOR FERREIRA/ECV)