Um mês após defender o cinturão dos penas, Alexander Volkanovski falou sobre a revanche com Diego Lopes, ocorrida no UFC 325. Em entrevista ao canal no YouTube do ex-lutador Demetrious Johnson, o australiano contou como conseguiu controlar o brasileiro para manter o título no Ultimate. E, ao detalhar a estratégia que o levou à segunda vitória sobre o desafiante, Volkanovski foi direto ao ponto: a chave esteve no jogo de pernas.
Para quem assistiu à luta, ficou claro que Volkanovski controlou Diego Lopes a maior parte do tempo. O resultado do combate de cinco rounds foi cristalino: apenas dois dos juízes pontuaram um round para o brasileiro, enquanto o terceiro marcou todos os assaltos para o campeão. O domínio se traduziu em números, mas, sobretudo, em leitura tática. Segundo Volkanovski, o segredo foi a movimentação constante, que minou as principais armas do oponente.
Jogo de pernas, leitura e punição aos erros
Na conversa, Volkanovski explicou que entrou no octógono ciente do perigo que Diego Lopes representa. Dono de um estilo agressivo e criativo, o brasileiro costuma capitalizar em brechas mínimas, especialmente quando consegue encurtar a distância ou levar a luta para o chão. O plano do campeão, portanto, era simples na teoria e complexo na execução: não oferecer essas oportunidades.
Volkanovski destacou que seu trabalho de pés foi determinante para controlar o ritmo. Ao circular lateralmente e alternar bases, ele evitou ficar plantado à frente de Lopes, reduzindo as chances de ser pressionado contra a grade. Sempre que o desafiante tentava avançar em linha reta, o campeão saía do centro e respondia com combinações rápidas, pontuando sem se expor.
Segundo Volkanovski, Diego Lopes cometeu erros técnicos ao forçar entradas previsíveis. O australiano percebeu que o brasileiro buscava encurtar a distância de maneira agressiva, mas nem sempre preparava esses movimentos com fintas ou variações suficientes. Isso permitiu que o campeão antecipasse as ações e contra-atacasse com precisão.
Volkanovski também afirmou que a disciplina foi fundamental. Em vez de buscar o nocaute a qualquer custo, ele priorizou o controle. Ao manter a distância ideal e escolher bem os momentos de ataque, conseguiu frustrar o rival. A cada round, a sensação era de que Diego Lopes precisava correr atrás do prejuízo, enquanto Volkanovski administrava a vantagem construída.
Outro ponto citado por Volkanovski foi a gestão de energia. Ao obrigar o desafiante a perseguir e errar golpes no vazio, o campeão fez com que Lopes gastasse mais do que gostaria. Nos rounds finais, o brasileiro já não tinha o mesmo ímpeto do início, enquanto Volkanovski seguia leve, ditando o compasso do combate.
O australiano ressaltou que não se trata apenas de técnica, mas de experiência. Volkanovski acredita que sua bagagem em disputas de cinturão lhe permite enxergar detalhes que passam despercebidos para outros atletas. Contra Diego Lopes, isso se traduziu em controle territorial e tomada de decisões mais frias ao longo dos 25 minutos.
“Sinto pena dele” — no bom sentido
Apesar do domínio, Volkanovski fez questão de elogiar o adversário. Em tom respeitoso, afirmou que “sente pena” de Diego Lopes, mas explicou que a declaração não tem conotação pejorativa.
“Sinto pena dele, de certa forma, para ser honesto. Não sei se alguém conseguiria fazer isso com ele. Será que alguém consegue se manter firme contra um lutador como ele? … Eu estava pensando, o cara teve que lutar comigo duas vezes. A maioria das outras pessoas vai acabar lutando o mesmo estilo que ele. Elas podem não ter escolha, porque provavelmente não sabem como dominá-lo no octógono como eu consigo por 25 minutos.”
Para Volkanovski, enfrentar o campeão duas vezes em disputas de título representa um desafio que poucos na divisão teriam condições de impor ao brasileiro. Ao dizer que sente pena, o australiano, na verdade, exaltou o potencial de Diego Lopes. Em sua visão, o estilo agressivo do desafiante causaria enormes problemas a outros nomes do peso-pena.
Volkanovski reforçou que a capacidade de neutralizar o brasileiro por cinco rounds não é algo comum. Ele acredita que muitos atletas acabariam entrando no jogo de trocação franca proposto por Lopes, o que abriria margem para reviravoltas. No caso do campeão, porém, a estratégia foi construída para não permitir esse cenário.
Com mais uma defesa bem-sucedida, Volkanovski já cansou de provar que é um dos maiores peso-penas da história do UFC. Sua consistência em lutas de alto nível e a habilidade de se reinventar o colocam em posição de destaque na divisão.
Já Diego Lopes construiu até aqui uma trajetória digna, marcada por atuações empolgantes. No entanto, para voltar a disputar o cinturão, precisará acumular vitórias expressivas e ajustar detalhes técnicos — sobretudo o jogo de pernas, justamente o ponto que Volkanovski explorou com maestria.
Foto: Reprodução/UFC