Jonathan Wheatley Audi Fórmula 1
Automobilismo Fórmula 1

Wheatley deixa Audi em meio rumores sobre ida à Aston Martin

A Audi, do piloto brasileiro Gabriel Bortoleto, anunciou nesta sexta-feira (20) a saída do então chefe de equipe, Jonathan Wheatley, com efeito imediato. O dirigente é apontado como possível reforço da Aston Martin, já que, segundo a imprensa europeia, o atual diretor Adrian Newey deseja focar exclusivamente no desenvolvimento do carro — área que o consagrou na Fórmula 1.

Em nota, a fabricante alemã justificou a decisão como uma saída “por motivos pessoais”. O site GPblog afirma que uma das razões seria a relação conturbada entre Wheatley e Mattia Binotto, que acumula os cargos de COO e CTO da Audi.

O engenheiro italiano será, justamente, o substituto do britânico no comando da equipe. Binotto já ocupou posição semelhante entre 2019 e 2022, pela Ferrari, período em que foi criticado por conduzir a escuderia de Maranello a dois de seus piores desempenhos no século XXI.

Desavenças, autonomia e financeiro: os motivos de Wheatley

Binotto e Wheatley Audi Fórmula 1
Foto: Reprodução / Audi

O Autosport veiculou na quinta-feira (19) que a Aston Martin estaria à procura de um novo dirigente para chefiar a equipe. A mudança ocorre em meio à crise esportiva vivida pelo time, que sofre com vibrações severas e desempenho muito abaixo do esperado.

Newey seria o principal interessado na troca de liderança e já teria manifestado o desejo de focar apenas na parte aerodinâmica. Wheatley surgiu como o nome mais forte no radar da Aston Martin e, com a saída do comando técnico da Audi, seu caminho está, na prática, livre para concretizar a mudança.

Sua liderança na fabricante alemã tem sido elogiada pela mídia, tanto pelo retorno esportivo — Wheatley assumiu a Sauber (como se chamava até 2025) após uma temporada no fundo do pelotão e multiplicou por mais de 15 a pontuação da equipe, com direito a um pódio — quanto pela gestão interna.

Bortoleto e Nico Hülkenberg já declararam publicamente o quanto se dão bem dentro e fora da pista, o que demonstra o alinhamento interno na Audi e o comprometimento com o crescimento do projeto. O brasileiro foi bastante elogiado por Wheatley mesmo após momentos difíceis, como o forte acidente no GP de São Paulo de 2025, o que reforça a confiança da equipe em sua evolução apesar dos contratempos.

Além das supostas desavenças com Binotto, as motivações para a saída de Wheatley incluem a possibilidade de retornar ao Reino Unido, seu país natal, um aumento financeiro e maior autonomia dentro da Aston Martin. Ele formaria novamente parceria com Newey, com quem trabalhou na Red Bull até 2024.

Juntos desde a criação da equipe austríaca, em 2006, conquistaram oito títulos mundiais — quatro com Sebastian Vettel e outros quatro com Max Verstappen —, mas a missão desta vez passa longe do glamour do topo do grid. A Aston Martin sequer conseguiu terminar as duas primeiras corridas da temporada e, em ritmo de volta, está apenas à frente da estreante Cadillac.

Progresso da Audi em risco com Binotto

Gabriel Bortoleto Audi Fórmula 1
Foto: Reprodução / Audi

O outro lado da moeda também não parece dos mais promissores. Binotto não possui boa reputação no paddock da Fórmula 1, sobretudo pelo trabalho à frente da Ferrari. Embora tenha assumido um projeto em ascensão, que conquistou três vitórias e o vice-campeonato de construtores em 2019, ele esteve no centro de uma polêmica que custou caro à equipe italiana.

A FIA (Federação Internacional de Automobilismo) conduziu uma investigação durante a temporada após protestos das rivais quanto à legalidade do motor da Ferrari. A entidade e o time firmaram um acordo secreto, embora a FIA alegue não ter encontrado nenhuma irregularidade que infringisse o regulamento.

Fato é que, após o acordo, a Ferrari iniciou 2020 com um dos piores carros que produziu na década. O SF1000 — nomeado assim em homenagem ao milésimo GP que a escuderia disputaria naquele ano — foi um verdadeiro desastre e levou a equipe ao seu pior resultado (6º) no campeonato de construtores em 40 anos.

Binotto ainda permaneceu no cargo até 2022, e a Ferrari gradualmente voltou à disputa pelo topo da Fórmula 1. No último ano sob a liderança do italiano, o carro nasceu competitivo e deu a Charles Leclerc condições de liderar o Mundial por boa parte da temporada, mas a Red Bull reverteu a vantagem do monegasco e Verstappen acabou à frente.

Boa parte da derrota de Leclerc foi consequência do desenvolvimento do chassi F1-75, que perdeu desempenho ao longo do ano. Esse foi o ponto de ruptura para Binotto, que acabou substituído por Frédéric Vasseur ao fim de 2022.

O tempo e a experiência podem ter ajudado o engenheiro a evoluir em atributos essenciais para um chefe de equipe na Fórmula 1, mas o retorno ao cargo em uma equipe ainda em formação acende um sinal de alerta.

Por ora, a Audi tem um conjunto estável, competitivo para o meio do pelotão. Bortoleto conquistou os únicos dois pontos de 2026 para a montadora, que ocupa a sétima posição no campeonato de construtores.

(Foto principal: Reprodução / BBC)