A reta final da temporada ganhou um novo problema o para Arsenal. A lesão de Ben White obrigou Mikel Arteta a iniciar uma corrida contra o tempo para encontrar soluções na lateral direita antes da final da Liga dos Campeões contra o Paris Saint-Germain
O defensor deixou o campo ainda no primeiro tempo da vitória sobre o West Ham após sofrer uma lesão considerada significativa no ligamento medial do joelho. A preocupação aumentou rapidamente quando Arteta confirmou que o jogador ficará fora por “muitas, muitas semanas”, praticamente encerrando sua temporada e colocando até sua presença na Copa do Mundo em dúvida.
A ausência de White vai muito além de perder apenas um lateral titular. O inglês se tornou uma das peças mais importantes do sistema defensivo do Arsenal nos últimos anos, principalmente pela versatilidade tática. Em muitos momentos, atua como lateral tradicional, mas também participa da saída de bola como terceiro zagueiro e ajuda o time a construir superioridade no meio-campo.
Sem ele, Arteta agora tenta encontrar uma solução segura justamente no momento mais importante da temporada.
Lesão expõe problema estrutural do Arsenal
A partida contra o West Ham deixou claro o tamanho do problema.
Logo após a saída de Ben White, Arteta improvisou Declan Rice na lateral direita. A experiência, porém, não funcionou bem inicialmente. O Arsenal perdeu equilíbrio defensivo, sofreu em transições e precisou recorrer a Cristhian Mosquera no intervalo para reorganizar o setor.
Mesmo assim, o time continuou instável defensivamente e só conseguiu sair com os três pontos graças a uma decisão extremamente polêmica do VAR.
O cenário expôs um problema importante do elenco: falta de profundidade específica para a posição.
Além de White, o Arsenal também sofre com problemas físicos de Jurriën Timber, outro jogador considerado fundamental por Arteta. O holandês vinha sendo tratado internamente como a solução ideal para enfrentar o Kvaratskhelia na final da Champions League.
Isso porque Timber talvez seja o defensor mais completo do elenco nos duelos individuais. Sua velocidade lateral, capacidade de recuperação e agressividade sem a bola fazem dele um encaixe extremamente importante para enfrentar pontas explosivos.
Mas existe um problema: o jogador ainda se recupera de lesão na virilha.
Arteta admitiu que existe chance de Timber voltar ainda nesta temporada, mas evitou criar expectativa exagerada. O técnico deixou claro que o defensor fará de tudo para retornar a tempo da final europeia, embora a situação ainda permaneça indefinida.
Mosquera surge como opção mais segura

Diante das limitações físicas do elenco, Cristhian Mosquera aparece hoje como a alternativa mais segura para Arteta.
O jovem defensor já foi utilizado anteriormente na lateral direita em momentos de emergência e possui características defensivas interessantes, principalmente pela agressividade na marcação individual.
Por outro lado, exatamente essa agressividade pode representar risco enorme contra Kvaratskhelia.
O georgiano do PSG vive talvez o melhor momento da carreira e se tornou um dos jogadores mais difíceis de marcar no futebol europeu. Sua principal característica é justamente atrair defensores para duelos próximos antes de girar rapidamente em direção ao gol.
Mosquera costuma marcar muito colado nos adversários, o que pode abrir espaços perigosos caso perca o tempo da jogada.
Mesmo assim, existe internamente a sensação de que ele talvez seja a escolha mais equilibrada para jogos grandes, especialmente pela segurança defensiva maior em relação às outras alternativas disponíveis.
Declan Rice e Calafiori aparecem como soluções improvisadas
Outra possibilidade considerada por Arteta envolve novamente Declan Rice.
O inglês teve grande atuação atuando improvisado na lateral direita contra o Brighton em dezembro. Naquela ocasião, o Arsenal enfrentava uma equipe que entregava mais posse de bola, permitindo que Rice participasse praticamente como um meio-campista extra durante a construção ofensiva.
Esse modelo ajuda o Arsenal a criar superioridade numérica no meio-campo e potencializa uma das maiores qualidades de Rice: leitura de jogo e capacidade

física para ocupar diferentes zonas do campo.
O problema aparece defensivamente.
Contra o West Ham, o experimento deixou o jogador bastante exposto defensivamente, principalmente em transições rápidas. E enfrentar Kvaratskhelia nessas condições pode representar risco ainda maior.
Existe também uma alternativa ainda mais inesperada: Riccardo Calafiori.
Durante a coletiva de imprensa, surgiu a possibilidade de utilizar o lateral esquerdo atuando pelo lado direito. Arteta não descartou completamente a ideia, mas tratou o tema com bastante cautela.
O problema é que Calafiori possui pouquíssima experiência jogando fora de sua posição natural e também enfrenta problemas físicos neste momento da temporada.
Ou seja, o Arsenal vive um cenário curioso: uma das equipes mais organizadas da Europa chega à final da Champions League convivendo com enorme incerteza justamente em um dos setores mais importantes para enfrentar o PSG.
E isso ganha ainda mais peso considerando quem estará do outro lado.
Kvaratskhelia atravessa uma temporada impressionante e vem sendo decisivo principalmente em jogos grandes. Parar o georgiano será uma das missões centrais do Arsenal na decisão europeia.
Até lá, Arteta terá poucas partidas para testar soluções e decidir qual caminho seguir. E talvez esse seja justamente o maior desafio do treinador antes da partida mais importante de sua carreira no clube.
(Foto de capa: Kevin Hodgson/MI News/NurPhoto/Getty Images)