Futebol Brasileirão

Willian no Grêmio? Um reforço de nome, mas o impacto é duvidoso

Revelado pelo Corinthians, com carreira consolidada na Europa e passagens regulares pela Seleção Brasileira, Willian, aos 37 anos, está livre no mercado após encerrar seu vínculo com o Fulham, da Inglaterra, onde atuou pela última vez em 10 de maio de 2025. Desde então, disputou apenas 12 partidas na temporada.

O Grêmio tem interesse pelo jogador, mas é difícil se empolgar com o retorno dele ao futebol brasileiro. Apesar do currículo expressivo, é preciso analisar com frieza e profundidade se o jogador ainda tem condições de fazer a diferença no futebol brasileiro, especialmente em um contexto como o do Imortal Tricolor, que passa por uma reformulação.

O primeiro ponto de atenção é a questão física. Aos 37 anos, Willian já não apresenta a mesma capacidade de explosão, intensidade e resistência que marcaram seu auge no Chelsea e no Shakhtar Donetsk. Mesmo em suas últimas temporadas na Europa, especialmente no Fulham, seu rendimento foi oscilante. Embora ainda demonstrasse qualidade técnica e boa leitura de jogo, sua capacidade de manter um nível alto por 90 minutos já era visivelmente afetada. A idade pesa, principalmente para jogadores de lado de campo, que dependem de arranques e mudanças rápidas de direção.

A curta passagem pelo Olympiacos e o retorno ao Fulham em 2025 também sugerem um jogador em fase de transição para o fim da carreira. Foram apenas 12 partidas neste ano, número insuficiente para criar qualquer expectativa de que ele possa ser protagonista em um clube brasileiro.

Willian, na mira do Grêmio, fez apenas 12 partidas em 2025 pelo Fulham, na maioria das vezes entrando no decorrer dos jogos
Willian, na mira do Grêmio, fez apenas 12 partidas em 2025 pelo Fulham, na maioria das vezes entrando no decorrer dos jogos (Imagem: Alex Davidson/Getty Images)

O custo-benefício de Willian é questionável

Outro ponto que precisa ser avaliado com cautela é o custo-benefício da contratação. Jogadores com a bagagem de Willian, mesmo em fim de carreira, não chegam por salários modestos. Seu nome ainda tem peso de mercado, e a expectativa por retorno imediato é natural, algo que pode se tornar um fardo caso o rendimento em campo não acompanhe.

Do ponto de vista técnico, Willian pode oferecer experiência, inteligência de jogo e alguma capacidade de articulação ofensiva. Mas são atributos que, isoladamente, não justificam um investimento significativo, especialmente em um setor do campo onde o Grêmio precisa de alternativas mais dinâmicas e com maior vigor físico.

Willian é um jogador que merece respeito pela carreira que construiu. Foi destaque na Europa, vestiu a camisa da Seleção Brasileira em duas Copas do Mundo e sempre demonstrou profissionalismo exemplar. No entanto, o futebol é pautado pelo presente e, atualmente, Willian pouco tem a oferecer em termos de performance consistente, intensidade e capacidade de desequilibrar jogos.

A contratação de jogadores veteranos não é, por si só, um erro. Há casos de sucesso recente, como o de Hulk no Atlético-MG ou o próprio Suárez no Grêmio em 2023. Mas ambos chegaram em condições físicas acima da média, com fome competitiva e ainda entregando números relevantes. Não é o caso de Willian.

Portanto, por mais que seu nome traga uma aura de prestígio e experiência, é preciso reconhecer que, neste estágio da carreira, ele tende a acrescentar pouco ao Grêmio dentro de campo.

Pode ser que Willian chegue e acrescente ao time qualidade técnica, experiência, visão de jogo e profundidade ao elenco do tricolor gaúcho, mas a tendência é que o impacto positivo imediato não dure por muito tempo. Infelizmente.

(Imagem de capa: Alex Davidson / Getty Images)