Xabi Alonso nunca foi um jogador comum – e, como treinador, mostra que também não será. Quem o observa à beira do gramado entende isso rapidamente: não se senta, não se cala, não deixa o jogo passar sem intervir. Em apenas cinco partidas no comando do Real Madrid (ele próprio já fez questão de dizer que as do Mundial de Clubes não “contavam”), o técnico tolosarra deixou claro que não é um treinador de perfil discreto. Ele fala, gesticula, corrige, cobra. Nada fica ao acaso no seu caderno de anotações.
Essa intensidade tem dado um selo imediato ao seu Madrid: equipe mais ordenada, ambiciosa e com uma postura agressiva na pressão. Porém, em meio a esse turbilhão de energia, Xabi detectou um inimigo silencioso que pode atrapalhar seu trabalho. E, quando algo foge ao controle, ele não hesita em olhar para seus jogadores e lançar um recado firme: expulsões desnecessárias não têm espaço em seu projeto.
Um recado claro após as expulsões
O alerta veio após uma sequência de episódios que custaram caro. Xabi reuniu o elenco em Valdebebas para reforçar o recado: “A expulsão é evitável, é uma pena. Teremos que falar sobre isso”, disse depois do cartão vermelho de Carvajal na Champions. Não foi apenas um desabafo no calor do momento, mas sim um aviso a todos. O técnico quer intensidade, mas sem imprudência.
Os exemplos recentes são dolorosos. Dean Huijsen, jovem zagueiro com apenas alguns jogos pelo time principal, já acumula duas expulsões que deixaram cicatrizes. Contra o Dortmund, no Mundial de Clubes nos Estados Unidos, fez uma falta como último homem nos minutos finais e comprometeu a classificação para enfrentar o PSG na semifinal. Um mês depois, contra a Real Sociedad, um toque de mão infantil repetiu o erro. “Era desnecessária”, sentenciou Courtois após a partida, ecoando o pensamento do treinador. Juventude pesa, mas a lição precisa ser aprendida.
O caso de Raúl Asencio doeu ainda mais. Em apenas sete minutos contra o Pachuca, uma entrada precipitada na entrada da área deixou o Madrid com um a menos e todo um jogo pela frente comprometido. Courtois, veterano e líder do vestiário, resumiu o sentimento junto com o treinador: às vezes é melhor sofrer um gol do que hipotecar a equipe por oitenta minutos.
Primeiro desafio disciplinar de Xabi Alonso
Por isso, esse primeiro aviso de Xabi não é uma bronca pública, mas um lembrete do dano que essas ações podem causar ao crescimento do time. Por ora, Huijsen está fora do jogo deste sábado contra o Espanyol e Carvajal não poderá atuar na Champions diante do Almaty. Somadas às lesões de nomes importantes como Rüdiger e Trent, as suspensões agravam ainda mais os problemas para o técnico espanhol no início do seu projeto.
Apesar do entusiasmo inicial, das boas atuações e do retorno da confiança ao vestiário, há uma preocupação real no clube com a quantidade de expulsões sofridas pela equipe. Esse é um detalhe que pode fazer diferença em jogos decisivos. Xabi sabe disso e tenta cortar o problema pela raiz. Ele não expõe ninguém publicamente, mas, em privado, é exigente, olhando seus jogadores nos olhos e cobrando mais maturidade.
Intensidade com responsabilidade
O Real Madrid de Xabi Alonso já mostra sinais de identidade própria, algo difícil de construir em tão pouco tempo. Mas para que essa evolução não seja minada, o treinador insiste em uma ideia: agressividade sim, imprudência não. Em um elenco com jovens promissores e veteranos consagrados, a disciplina será tão importante quanto a tática para manter o nível competitivo.
O recado está dado. Se quiser consolidar essa nova era, o Madrid precisará transformar sua energia em inteligência competitiva. Para Xabi Alonso, esse é apenas o primeiro aviso — uma mensagem para que seu time aprenda desde já que, no futebol de elite, cada detalhe conta e cada erro pode custar caro.