O Chelsea iniciou oficialmente uma nova era sob o comando de Xabi Alonso. Desde o início da pré-temporada, em 9 de julho, o treinador espanhol trabalha para reconstruir uma equipe que viveu uma temporada decepcionante, marcada pela saída precoce de Enzo Maresca, a ausência nas competições europeias e o vice-campeonato da FA Cup diante do Manchester City.
A diretoria respondeu com uma postura agressiva no mercado de transferências, mantendo a política de grandes investimentos implantada desde a chegada de Todd Boehly. No entanto, além das contratações, Xabi terá pela frente uma série de decisões que podem definir o rumo do Chelsea em 2026/27.
Elenco inchado obriga treinador a fazer cortes

Se existe uma marca da gestão Boehly, é o volume de jogadores contratados. Desde 2022, o Chelsea é o clube que mais investiu no mercado europeu, ultrapassando 1,9 bilhão de euros em reforços, mas esse modelo também criou um problema recorrente em Cobham: o excesso de atletas no elenco.
Atualmente, os Blues contam com cerca de 38 jogadores sob contrato, número que obriga Xabi Alonso a definir rapidamente quem fará parte do projeto e quem será negociado ou emprestado.
A situação se torna ainda mais complexa porque, paralelamente às saídas, o clube continua ativo na janela, o que aumenta a concorrência em praticamente todos os setores do campo.
Sistema tático e o novo papel de Reece James no Chelsea

Uma das primeiras decisões do treinador será definir qual estrutura utilizar. No Bayer Leverkusen, Xabi Alonso consolidou um esquema com três zagueiros e alas bastante ofensivos. Já em sua passagem pelo Real Madrid, utilizou uma linha de quatro defensores, explorando a versatilidade dos laterais na saída de bola.
Essa escolha influencia diretamente o futuro de Reece James. Capitão da equipe, o inglês pode voltar a atuar como lateral-direito, mas também reúne características para desempenhar a função de terceiro zagueiro, especialmente pela qualidade na construção das jogadas.
A chegada de Marco Palestra aumenta ainda mais essa disputa. O reforço passa a concorrer com Malo Gusto e o próprio James pela posição, enquanto o jovem Josh Acheampong também aparece como alternativa para o setor.
Saída de Cucurella abre nova prioridade no mercado

Outro desafio imediato será substituir Marc Cucurella, negociado com o Real Madrid durante a Copa do Mundo.
A saída de um dos titulares da equipe deixou Jorrel Hato como principal opção para o lado esquerdo da defesa. Apesar do potencial, o holandês tem características mais defensivas e também pode atuar como zagueiro, enquanto Denner Evangelista e Caleb Wiley ainda são vistos como apostas para o futuro.
Por isso, a diretoria segue monitorando o mercado. Pep Chavarría, do Rayo Vallecano, aparece como principal alvo, mas Gabriel Gudmundsson e Maxi Araújo também figuram entre os nomes analisados pelo clube.
Futuro de Enzo Fernández segue indefinido

Se a defesa exige ajustes, o meio-campo vive uma incógnita ainda maior. Enzo Fernández continua sendo especulado no Real Madrid, e sua permanência em Stamford Bridge segue sem definição.
O argentino é uma das principais referências técnicas da equipe e forma, ao lado de Moisés Caicedo, a base do setor central.
Caso a negociação avance, o Chelsea precisará buscar um substituto no mercado. Roméo Lavia segue convivendo com problemas físicos, enquanto Essugo ainda é tratado como um projeto de longo prazo. Entre os nomes observados pela diretoria aparecem Valentín Barco e Alex Scott.
Ataque reúne excesso de opções e disputa por protagonismo

O setor ofensivo talvez seja o maior desafio para Xabi Alonso. As chegadas de Morgan Rogers, Geovany Quenda e Emmanuel Emegha, somadas ao retorno de Nicolas Jackson e à permanência de outros atacantes, deixaram o Chelsea com um elenco extremamente numeroso na frente.
Hoje, são mais de dez jogadores brigando por apenas quatro vagas no ataque. Com isso, algumas saídas são consideradas inevitáveis. Nicolas Jackson pode ser negociado caso uma proposta considerada satisfatória chegue ao clube, enquanto Marc Guiu e Datro Fofana aparecem entre os nomes com maiores chances de deixar Stamford Bridge.
Pelas pontas, Alejandro Garnacho está próximo de acertar sua transferência para o Aston Villa, enquanto Jamie Gittens deve iniciar a temporada como opção no banco. Pedro Neto e Estêvão, por outro lado, são vistos como peças importantes no novo projeto.
Além disso, Xabi Alonso precisará encontrar a melhor forma de utilizar Morgan Rogers e Cole Palmer.
Os dois rendem melhor atuando por dentro, organizando o jogo entre as linhas, mas dificilmente dividirão o mesmo espaço de forma permanente. A tendência é que Rogers seja deslocado para o lado esquerdo, preservando Palmer na função de principal articulador da equipe.
Defesa ainda pode receber reforços

Mesmo com diversas opções para a zaga, o Chelsea ainda busca um parceiro ideal para Levi Colwill.
Disasi, Badiashile e Anselmino não parecem fazer parte dos planos do novo treinador, enquanto Chalobah deve ser negociado com o Como e Wesley Fofana continua convivendo com um histórico preocupante de lesões.
Nesse cenário, a diretoria monitora o mercado. Maxence Lacroix, do Crystal Palace, surge como o principal alvo, enquanto John Stones também aparece entre os nomes avaliados.
De todo o modo, o grande desafio de Xabi Alonso será alinhar um grupo formado ao longo de diversos projetos esportivos. Entre decisões táticas, possíveis saídas e a necessidade de gerir um elenco repleto de estrelas, o espanhol começa sua jornada em Stamford Bridge em um cenário complicado. As próximas semanas de mercado podem ser cruciais para consolidar a identidade do novo Chelsea.
Créditos da foto de capa: Reprodução/Chelsea FC via site oficial



