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Futebol Premier League

Como Xabi Alonso pode fazer Morgan Rogers e Cole Palmer brilharem juntos no Chelsea

A chegada de Morgan Rogers ao Chelsea gerou grande expectativa não apenas pelo alto investimento feito pelo clube, mas também pela possibilidade de formar uma dupla com Cole Palmer. A principal dúvida é como Xabi Alonso organizará o setor ofensivo para extrair o melhor de dois jogadores que têm características semelhantes.

A resposta passa muito pelo modelo de jogo do treinador espanhol. Desde os tempos de Bayer Leverkusen, Alonso mostrou preferência por sistemas que valorizam a ocupação inteligente dos espaços, a circulação rápida da bola e a movimentação constante entre os jogadores de frente. Nesse contexto, Rogers não chega para disputar posição diretamente com Palmer, mas para atuar ao seu lado em uma estrutura que busca potencializar as principais características dos dois.

Além da amizade fora de campo, que ambos fizeram questão de destacar após a transferência, existe uma grande expectativa de que a dupla possa formar um dos setores criativos mais fortes da Premier League.

As características de Rogers e Palmer podem se complementar

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Foto: 2025 AMA Sports Photo Agency

À primeira vista, Morgan Rogers e Cole Palmer parecem jogadores muito parecidos.

Os dois gostam de atuar por dentro, participam bastante da construção ofensiva e têm facilidade para criar jogadas próximas da área adversária. No entanto, quando observadas com mais profundidade, suas características mostram que podem ser complementares.

Durante sua passagem pelo Aston Villa, Rogers se destacou principalmente ocupando o chamado meio-espaço pela esquerda. É uma região entre a lateral e o centro do campo que permite ao jogador receber a bola de frente para o gol, acelerar as jogadas e atacar os espaços criados pela movimentação dos companheiros.

Além disso, Rogers mostrou ser um atleta extremamente versátil. Ao longo da última temporada também atuou como ponta pelos dois lados e até em funções mais centralizadas, demonstrando capacidade para se adaptar a diferentes sistemas.

Seus números ajudam a explicar o investimento feito pelo Chelsea. Na temporada anterior, participou diretamente de 26 gols pelo Aston Villa, com 14 gols marcados e 12 assistências em 55 partidas. Mais do que os números, chamou atenção pela intensidade física, capacidade de conduzir a bola em velocidade e qualidade para aparecer em diferentes setores do ataque.

Cole Palmer apresenta um perfil diferente.

O inglês também prefere jogar por dentro, mas costuma ocupar o lado direito do campo. Seu principal diferencial está na visão de jogo, nos passes decisivos e na capacidade de encontrar espaços entre as linhas defensivas adversárias.

Palmer atua como um organizador ofensivo, responsável por acelerar o ritmo da equipe e criar oportunidades para os atacantes. Já Rogers oferece mais mobilidade, infiltrações e ataques à profundidade.

Essa combinação pode tornar o setor ofensivo do Chelsea muito mais imprevisível.

Enquanto Palmer concentra a criação das jogadas, Rogers pode explorar os espaços gerados pelas movimentações do companheiro, aparecendo constantemente em posições de finalização.

Foi justamente essa capacidade de atacar espaços que chamou a atenção de Xabi Alonso durante o período em que acompanhava o jogador.

O modelo de Xabi Alonso favorece uma dupla criativa

Xabi Alonso - Chelsea

O encaixe entre Rogers e Palmer depende diretamente da maneira como Xabi Alonso organiza suas equipes.

Mesmo alternando entre linhas de quatro ou cinco defensores, o treinador costuma transformar sua equipe ofensivamente em uma estrutura bastante semelhante. Com a posse de bola, os laterais ou alas avançam, enquanto dois meias ofensivos ocupam regiões centrais logo atrás do centroavante.

Nesse desenho tático, Rogers tende a atuar como o meia ofensivo pelo lado esquerdo, enquanto Palmer ocupa o mesmo espaço pelo lado direito.

A função dos dois não será permanecer estáticos.

Ao contrário, Alonso costuma incentivar muita troca de posições, aproximações constantes e circulação rápida da bola. Quanto menor a distância entre os jogadores, maior a facilidade para realizar combinações curtas e recuperar imediatamente a posse caso a equipe perca a bola.

Esse conceito faz parte de um dos princípios mais importantes do treinador: o contra-pressing.

Em vez de recuar após perder a posse, suas equipes pressionam imediatamente o adversário, tentando recuperar a bola ainda no campo ofensivo. Para isso funcionar, é fundamental que os jogadores permaneçam próximos durante a construção das jogadas.

Rogers oferece exatamente esse perfil.

Além da capacidade técnica, possui força física para proteger a bola, intensidade para pressionar sem posse e inteligência para realizar constantes movimentações nas costas da defesa adversária.

Palmer, por sua vez, pode aproveitar essas corridas em profundidade utilizando sua qualidade nos passes entre linhas, criando situações de vantagem numérica para o ataque.

Outro fator importante é a presença de um centroavante como João Pedro.

Com um jogador ocupando os zagueiros adversários, Rogers e Palmer ganham ainda mais liberdade para aparecer entre os setores da defesa, recebendo a bola em condições favoráveis para finalizar ou criar oportunidades.

Naturalmente, alguns ajustes ainda serão necessários durante a temporada. Rogers precisará adaptar-se ao estilo de jogo do Chelsea e ao modelo exigido por Xabi Alonso, enquanto Palmer dividirá parte do protagonismo ofensivo que teve nas últimas temporadas.

Mesmo assim, a tendência é que ambos saiam beneficiados.

Em vez de competirem pela mesma função, tudo indica que Rogers e Palmer formarão uma parceria capaz de aumentar significativamente o poder criativo do Chelsea. Se conseguirem reproduzir rapidamente o entendimento esperado por Xabi Alonso, os Blues poderão contar com uma dupla técnica, versátil e dinâmica, capaz de oferecer diferentes soluções ofensivas ao longo da temporada e tornar o ataque londrino um dos mais difíceis de marcar no futebol inglês.

(Foto de capa: Getty Images)

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Kaique