Apresentado oficialmente na neste sábado (27), Luis Zubeldía mal teve tempo para se ambientar e já fará sua estreia no comando do Fluminense neste domingo (8), em um clássico decisivo contra o Botafogo, válido pela 25ª rodada do Campeonato Brasileiro.
A missão não é simples: o Tricolor Carioca ocupa a 8ª colocação com 31 pontos, mas tem dois jogos a menos que o rival alvinegro, que está em quinto com 40 pontos. Com o Brasileirão embolado e a busca por vagas na próxima Libertadores em jogo, o confronto já ganhou o peso de “jogo de seis pontos”.
Zubeldía assume o comando após a saída conturbada de Renato Gaúcho após a eliminação na Copa Sul-Americana, mas o clube ainda está vivo na Copa do Brasil e sonhando com um belo fim de temporada.
Luis Zubeldía tem um perfil técnico e metódico, com passagens por clubes como Lanús, Barcelona (EQU), Racing Club, Independiente Medellín, Cerro Porteño, LDU e São Paulo. Seu último trabalho relevante foi na LDU, onde conquistou a Copa Sul-Americana e o Campeonato Equatoriano em 2023, comandando uma equipe que unia intensidade física, organização tática e transições rápidas.
Seu estilo se caracteriza por priorizar uma defesa sólida, jogo posicional bem treinado e pressão coordenada na saída de bola adversária. Zubeldía é um técnico que valoriza a posse de bola, mas não por si só: gosta de equipes que saibam acelerar o jogo quando necessário, explorar os lados do campo e oferecer opções de infiltração com meias e pontas móveis. Ao mesmo tempo, exige disciplina tática e comprometimento defensivo de todos os setores do time.
Sinergia com o elenco tricolor e primeiros desafios
O Fluminense de 2025 oferece, em tese, um material humano compatível com os princípios táticos de Zubeldía. Na defesa, há segurança e liderança com Thiago Silva, além de peças confiáveis como Freytes e Ignácio. O goleiro Fábio segue como pilar técnico e moral da equipe. O sistema defensivo, portanto, pode ser um ponto de estabilidade crucial na fase de transição utilizando também laterais que conseguem apoiar, como Samuel Xavier e Renê.
Já no meio-campo e ataque, Zubeldía encontrará jogadores capazes de executar variações táticas, como os versáteis Hércules, Martinelli, Nonato, Lezcano e Acosta. Na frente, o intenso Canobbio, os rápidos Keno e Serna e o centroavante Germán Cano, que apesar da idade, foi elogiado nominalmente pelo técnico, e o titular de Renato, Everaldo, dão boas possibilidades ao treinador argentino.
A grande questão está na consistência coletiva: o time vem alternando boas atuações com partidas apáticas, e em algumas situações se mostrou excessivamente dependente de lampejos individuais para criar chances reais de gol. É aí que entra a necessidade de um trabalho correto de Zubeldía.
Outro ponto que o novo treinador terá de lidar é a integração de jogadores da base, tradicionalmente um ponto forte do Fluminense. No entanto, segundo dados recentes, 2025 tem sido o ano de menor aproveitamento da base de Xerém nos últimos tempos. Isso pode ser um entrave para um técnico que, embora não seja avesso a usar jovens, costuma fazê-lo apenas dentro de um plano de desenvolvimento mais cauteloso.

A curto prazo, o Zubeldía deverá priorizar a solidez defensiva e a execução tática, sem mexidas bruscas, ao menos até compreender melhor o elenco. Sua estreia em um clássico é desafiadora, mas pode funcionar como motivação extra para o grupo e como oportunidade de conquistar a torcida logo de início.
Zubeldía pode dar certo no Fluminense?
Considerando seu histórico e o atual contexto do Fluminense, há razões para acreditar que Zubeldía tem alguma chance de sucesso. Sua experiência internacional, a capacidade de adaptação a diferentes culturas de futebol e o domínio das nuances táticas modernas o colocam em posição favorável para fazer um trabalho consistente.
Não se trata, no entanto, de uma promessa de resultados imediatos. Para que o trabalho dê frutos, será necessário que a diretoria ofereça respaldo, o ambiente interno sustente estabilidade e o torcedor compreenda que os ajustes não acontecem da noite para o dia. Isso precisa ser dito, porque o estilo disciplinador e intenso do treinador pode causa um rompimento de paradigmas com alguns atletas. Jogadores que tem dificuldades em recompor, como Soteldo e Ganso, por exemplo, terão um grande desafio com o novo técnico.
Um técnico com a metodologia de Zubeldía precisa de tempo para implementar seus conceitos de marcação alta, transições rápidas e ocupação de espaços. Se encontrar resposta rápida do elenco, especialmente em termos de intensidade sem bola e obediência tática, o argentino pode transformar o Fluminense em um time competitivo e regular, capaz sim de disputar uma vaga na Libertadores.
Entretanto, um treinador com o estilo de Zubeldía teria mais possibilidades de sucesso se começasse o trabalho no início da temporada, pois ele rompe alguns paradigmas e é bem diferente do técnico anterior. A estreia contra o Botafogo será o primeiro grande teste de um ciclo que apesar de revelar algumas tendências, dependerá muito de uma sinergia rápida com o elenco.
(Imagem de capa: Marcelo Gonçalves/Fluminense FC)