Alisson, goleiro brasileiro do Liverpool, foi o destaque no jogo contra o Paris Saint-Germain, pelas oitavas de final da UEFA Champions League. Com a atuação brilhante na última quarta-feira (05), o jogador dos Reds entrou para história e agora está no hall dos porteros que foram decisivos para seus times na fase de mata-mata da competição. Sendo assim, confira outros nomes que compartilharam do mesmo feito e se consagraram como verdadeiros “paredões”.
Dida – Milan x Inter de Milão 2004/2005

O goleiro da Seleção Brasileira estava vivendo o auge de sua carreira e consolidou ainda mais seu posto de ídolo Rossonero (do italiano, “preto e vermelho”) nas quartas de final da Champions de 2004/2005. Na ocasião, o Milan estava enfrentando o maior rival, a Inter de Milão. Ambos os times eram considerados monstruosos, pela qualidade individual dos jogadores e também por serem considerados fortes candidatos ao título da “orelhuda”.
No primeiro jogo, o Milan havia vencido por 2 a 0 – com gols de Andriy Shevchenko e Jaap Stam. No jogo da volta, a vantagem de empate era dos Diavolos (do italiano, “diabos”), já os Nerazzurri (do italiano, “preto e azul) precisavam correr atrás do prejuízo para reverter o resultado da ida.
Com a postura mais ofensiva dos Biscione (do italiano, serpente), o goleiro brasileiro foi exigido por inúmeras vezes, principalmente em chutes de fora da área. A Inter tinha no meio campo exímios chutadores que fizeram pra valer um verdadeiro teste ao goleiro. Verón, Kily González e Van der Meyde obrigaram Dida a fazer defesas de extrema dificuldade, se esticando até a ponta dos dedos. Foram, no total, 17 arremates da equipe de Roberto Mancini (treinador da Inter de Milão) e cinco foram no gol, porém todas elas foram defendidas pelo goleiro.
No tempo final do jogo da volta, o goleiro do Milan foi “presenteado” pelos torcedores da Inter de Milão, que atiraram objetos no gramado para atingir o brazuca. A hostilidade vinda das arquibancadas Nerazzurri foi tamanha e um sinalizador acabou acertando a cabeça do jogador, que prontamente foi falar com o juiz.

Entre rojões, garrafas, latas e outros artefatos jogados, o árbitro entendeu que não havia mais clima para continuidade da partida e decidiu por encerrá-la. O Milan, mesmo com a vantagem larga por 3 a 0 no agregado, conquistou a vitória por W.O – na soma dos placares, a conta fechou em Inter de Milão 0 x 5 Milan.
Manuel Neuer – Porto x Schalke 04 2007/2008

Antes de se tornar um dos melhores goleiros da geração, Manuel Neuer já havia demonstrado indícios de que seria um oponente difícil de ser vazado. Nas oitavas de final da Champions de 2007/2008, o alemão estava em seu clube formador, o Schalke 04, que teria a árdua missão de segurar o Porto – no Estádio do Dragão.
Os Konigsblauen (do alemão, “Azuis Reais”), venceram o primeiro jogo por 1 a 0, em Gelsenkirchen e bastava apenas o empate para avançar para as quartas. Em ação, Neuer demonstrou ser arrojado ao sair do gol, fazendo interceptações cruciais. Foram impressionantes 31 chutes dos portistas, sendo 12 delas no gol.
Uma dessas defesas ficou eternizada como uma das mais emblemáticas da historia da Champions. O atacante do Porto, Tarik Sektioui, estava quase de baixo das traves para fazer o gol, mas o arqueiro alemão se jogou e conseguiu evitar o gol e a bola foi para escanteio. O lance deixou todos incrédulos no Estádio do Dragão, especialmente o atacante marroquino, que só restou lamentar.
Em chances claras de marcar, Lisandro López, Ricardo Quaresma e outras de Sektioui, todas foram esbarraram no paredão que estava de baixo das traves do S04. Neuer brilhou e conseguiu segurar a vantagem até os 40 minutos do segundo tempo. Mas, ainda sim, os portugueses, após tanta insistência, conseguiram igualar o agregado no minuto seguinte levando o jogo para o tempo extra.

No entanto, não houveram gols na prorrogação, portanto a decisão de quem iria para as quartas seria nas penalidades. O protagonista do jogo apareceu novamente. Neuer defendeu as cobranças do zagueiro Bruno Alves e do atacante Lisandro López, autor do gol no tempo normal. Desse dia em diante, a torcida pôde ver no jovem não somente um guarda redes, mas o salvador de uma nação de torcedores do Schalke 04.
Júlio César – Barcelona 1 x 0 Inter de Milão 2009/2010

Em 2009/2010, a Inter de Milão fazia uma campanha louvável, desbancando rivais de altíssimo nível. Mas, eis que quando chegam a semifinal teriam que lidar com o Barcelona, comandado por Pep Guardiola. Os Blaugranas (do catalão, “azuis e grenás”) tinham um trio de ataque mortal, com Ibrahimovic (ex-Internazionale), Lionel Messi (melhor do mundo na época) e Pedro Rodríguez (uma das maiores promessas do futebol espanhol). Os catalães eram considerados os favoritos para conquistarem a Champions League daquela edição e a busca era incessante por um bicampeonato consecutivo.
No jogo de ida, Júlio já havia sido testado ao máximo, principalmente em jogadas aéreas, por não ser um goleiro alto. No primeiro jogo, em Milão, a Inter venceu por 3 a 1 – gols de Wesley Sneijder, Maicon e Diego Milito. Na volta, a dificuldade seria: “Como parar o Barcelona do Tiki Taka ?”
Certamente, a resposta para essa questão não é jogando com um a menos. Thiago Motta foi expulso logo aos 28 minutos do primeiro tempo e a missão, que já seria difícil com o time completo, ficou ainda mais complicada. José Mourinho (técnico da Inter de Milão) reformulou sua estratégia e precisou que o meio campo ficasse congestionado para que Iniesta, Xavi não saíssem jogando e Messi não recebesse a pelota em condições de gerar perigo.

Júlio César foi a representação do que é ser uma pedra no sapato dos barcelonistas. Messi, o artilheiro do torneio, foi parado de todas formas e jeitos que tentou se consagrar. Em uma dessas, o argentino buscou seu chute colocado fatal, no entanto, o brasileiro estava lá para esticar a ponta dos dedos e tirar a bola do rumo do gol, causando a imensa fúria do hermano.
Ao final da partida, Júlio foi celebrado por todos os jogadores e José Mourinho, que estava eufórico de estar indo para mais uma final de Champions League. Tudo isso na conta do portero brasileiro, e que mais tarde seria o titular na Copa do Mundo de 2010, representando a “canarinho”.
Jerzy Dudek – Milan 3 (2) x (3) 3 Liverpool 2004/2005

Esta talvez tenha sido a mais emblemática para os torcedores ingleses. No jogo que ficou conhecido como “O Milagre de Istanbul”, Dudek, goleiro polonês do Liverpool, foi o protagonista ao lado de Steven Gerrard. Ambos os atletas tiveram uma contribuição especial nessa remontada histórica dos Reds, que saíram de um 3×0 para 3×3 em apenas 15 minutos.
Com a bola em jogo, o Milan era o favorito, pois tinha um time mais conhecido, peças indiscutivelmente muito qualificadas e praticavam um futebol mais vistoso. Esse favoritismo pôde ser observado logo no primeiro tempo, quando a equipe de Carlo Ancelotti fez 3 a 0 e, ao que tudo indicava, seria campeã com sobras.
Entretanto, na volta dos vestiários, o Rafa Benítez (técnico do Liverpool) mexeu na estrutura tática. Liberou Gerrard para ir ao ataque, soltando Xabi Alonso e Luís García para saírem jogando. Além disso, Hamann entrou no lugar de Finnan, constituindo um sistema de três zagueiros, sendo o alemão a cabeça central ao lado de Carragher e Hyypia.
As mudanças deram certo e os ingleses empataram a decisão. Ancelotti não pensou duas vezes em colocar os Rossoneros para o ataque, vendo o embalo dos adversários. Nesse contexto de ampla “trocação de socos”, Dudek surgiu para salvar o Liverpool em quatro situações claras de gol, mas a última que ficou para história.
Aos 13 minutos do segundo tempo da prorrogação, Shevchenko subiu sozinho depois do cruzamento de Serginho e testou para uma defesa esplêndida de Dudek. No rebote, o ucraniano tentou novamente e a chance era mais clara ainda pois o arqueiro parecia abatido e o gol estava aberto, mas o polonês se recuperou e, à queima roupa, espalmou para escanteio. Seria o gol do título do Milan, porém Jerzy estava lá para evitar o pior e levou o jogo para os pênaltis.

Na disputa por penalidades, Dudek, mesmo que se adiantando nas cobranças, pegou dois pênaltis. Jerzy foi o responsável por defender as cobranças de Andrea Pirlo e Andriy Shevchenko – em mais um duelo entre o ucraniano e o polonês – e deu ao Liverpool a quinta taça da Champions.
Petr Cech – Bayern de Munique 1 (3) x (4) 1 Chelsea

Na final de 2011/2012, o Chelsea chegava em uma final pela segunda vez em sua história. Na primeira ocasião, perdeu para o Manchester United na edição de 2007/2008 nos pênaltis. Mas, quatro anos, depois voltaria a disputar uma final nas penalidades, mas com um enredo com doses extremas de tensão e emoção.
O Chelsea, na final, teria que lidar com dois adversários: com o time do Bayern de Munique, rival da decisão e a imensidão bávara presente na Allianz Arena. Por ironia que seja, a final estava sendo realizada em Munique, na Alemanha, e também cidade do oponente naquela ocasião.
A pressão era imensa e a dificuldade era imensurável. Mas, a intensidade do Bayern foi algo que imperou durante toda a partida. No total, foram 43 chutes a meta dos Blues (do inglês, “Azuis”), mas apenas sete destes deram trabalho a Petr Cech.
O Bayern teve a chance de sair na frente, de pênalti, com Robben. Mas, Cech cresceu na frente do holandês e defendeu a cobrança no canto esquerdo. A velocidade das jogadas, especialmente pelas pontas, e as combinações com o pivô eram característicos do estilo de jogo dos bávaros.
Para isso, havia uma artilharia poderosa com, não somente com Arjen Robben, mas também Mario Gómez, Ivica Olic, Franck Ribéry, Thomas Müller. Este o último o responsável por colocar Die Bayern (do alemão, “Os Bávaros”) na frente do marcador, aos 38 minutos do segundo tempo.

Pouco tempo depois dos comandados de Jupp Heynckes inaugurarem o placar, Didier Drogba tratou de empatar o jogo aos 43 minutos. Mas, ao mesmo tempo que a euforia tomou conta do espírito do time de Stamford Bridge, um filme estava reprisando na mente de seus torcedores ao verem que estavam se encaminhando para mais uma prorrogação, algo que foi intensificado quando viram que tudo seria decidido nas penalidades.
Perder nos pênaltis se tornou um tópico sensível para o Chelsea, pois não havia muito tempo que foram derrotados pelo rival inglês Manchester United. Portanto, haviam todos os ingredientes para que a ansiedade dos Blues imaginassem uma catástrofe. Mas, diferentemente de 2007/2008, essa teve um final feliz para Lampard, Drogba e companhia.
Nessa ocasião, Bayern saiu na frente da disputa: Philipp Lahm converteu, ao passo que Juan Mata desperdiçou. O desespero foi tomando conta do lado inglês, que poderia assistir mais uma frustração em cinco anos. Bastavam apenas duas cobranças para o Bayern se consagrar campeão dentro de casa, mas Ivica Olic – um dos jogadores mais experientes do ataque alemão – teve seu chute defendido por Cech, que surgiu novamente para colocar fogo na disputa.
Tudo mudou depois da primeira defesa do goleiro do Chelsea – reconhecido por usar seu icônico capacete. Na sequência, foi a vez de Bastian Schweinsteiger falhar ao converter o pênalti e, mais uma vez, Petr Cech cresceu diante do cobrador, impedindo que marcasse. Sem dúvidas, foi uma consagração merecida, já que o arqueiro foi o que mais vezes defendeu a meta de Stamford Bridge.
Os goleiros merecem mais reconhecimento?
Ser goleiro é, em essência, representar a defesa de modo geral e manter à meta intacta durante os 90 minutos de uma partida. Tais nomes entraram para um seleto cânone de atuações lendárias, dignas de um reconhecimento por trazerem classificações e títulos importantes para seus respectivos clubes. Alisson, depois da atuação irrepreensível, se junta a tais momentos épicos da Champions e que poderá ser presenteado com o título, caso avancem de fase.
O jogo da volta entre Liverpool e Paris Saint-Germain está marcado para o dia 11 de março (terça-feira), às 17h (horário de Brasília), em Anfield. Os liderados por Arne Slot têm a vantagem do empate para se classificar, do contrário do time de Luis Enrique que terá de reverter uma vantagem fora de casa.