Ano vai, ano vem, e a questão do dinheiro no ambiente da Fórmula 1 no que diz respeito ao assento de pilotos nas equipes permanece. Dessa vez, o personagem a tocar nesse tema foi Mitch Evans, piloto da Fórmula E, categoria de carros elétricos da FIA (Federação Internacional de Automobilismo).
Em entrevista ao Total Motorsport, o piloto neozelandês não mediu tanto as palavras e afirmou que, em sua visão, a entrada e permanência de alguns pilotos na categoria máxima do automobilismo se deve à capacidade de trazer dinheiro para as equipes. O exemplo citado por Evans foi a renovação, no mínimo controversa, de Sergio Pérez com a Red Bull.
“Muitos dos que têm oportunidade trazem dinheiro. Veja Sergio Pérez, ele continua trazendo dinheiro para a Red Bull e você não pode competir contra isso. Ele não é um piloto ruim, mas não compete contra ele [Verstappen]. É difícil ir contra um piloto que tem um assento por mérito”, disse o piloto da Jaguar na Fórmula E.
Mitch Evans na Fórmula 1
Evans contou um pouco de sua experiência de galgar espaço na Fórmula 1, categoria na qual ele deixou de insistir em entrar relativamente cedo, aos 22 anos de idade. Nesse período, o neozelandês decidiu ir para a Fórmula E e de lá não saiu mais. Na visão dele, uma das causas em que a categoria máxima do automobilismo não abriu as portas foi por conta da questão financeira.
“Era difícil conseguir um teste para um assento. Nos simuladores, eu era mais rápido que os pilotos oficiais, mas isso não servia para nada. É preciso que aconteça algo muito inesperado, mesmo para ser um piloto reserva há pessoas que usam o dinheiro, é ridículo”, afirmou Mitch.
Assento por eventualidade
Evans acredita que no atual momento da Fórmula 1 conseguir um assento vai muito na questão da eventualidade e indisponibilidade de um dos pilotos titulares do grid. Ele citou os exemplos de Oliver Bearman e Nyck de Vries, que substituíram Carlos Sainz e Alexander Albon, respectivamente, por conta de questões médicas.
“Olhe para Bearman. Esse cara é bom, mas na semana anterior ele se classificou em 18º no Bahrein e depois ganhou uma chance com a Ferrari [em Jeddah]. Ele fez um trabalho decente em um dos melhores carros do grid e ganhou uma vaga por isso. E agora olhe o Nyck De Vries, não tinha uma chance na F1, mas houve a chance em Monza, quando Albon ficou doente e, de repente, é a melhor coisa que ele fez, mas ele ainda é o mesmo piloto de antes”, completou.