Max Verstappen deixou Monza com mais um pódio, mas também com um diagnóstico pouco animador para a Red Bull. Em uma conversa de rádio que não havia sido transmitida durante a transmissão oficial, o tetracampeão mundial admitiu que o Grande Prêmio da Itália deixou ainda mais evidentes algumas das principais fraquezas do RB22.
O holandês terminou a corrida em terceiro, atrás de Kimi Antonelli e George Russell, conquistando seu terceiro pódio nas últimas quatro etapas. O resultado representou uma recuperação importante depois de um fim de semana difícil em Zandvoort, onde Verstappen abandonou o GP da Holanda após apenas uma volta.
Laurent Mekies, chefe da Red Bull, classificou a atuação em Monza como um “grande passo à frente” e destacou o ritmo de corrida e as ultrapassagens do piloto. Verstappen, porém, enxergou um cenário mais complexo.
Durante a volta de desaceleração, depois de receber os parabéns de Mekies e do engenheiro Gianpiero Lambiase, o piloto deixou claro que o pódio não escondia os problemas do carro. “É um pódio muito bom. Mais uma vez, dá para ver claramente nossas fraquezas aqui. Ficamos simplesmente sentados nas retas e no comportamento do carro, como sabemos”, afirmou Verstappen. A resposta de Mekies foi curta e reveladora: “Tudo claro, Max.”
Red Bull ainda sofre contra os carros com motor Mercedes
A principal dificuldade mencionada por Verstappen em Monza esteve relacionada à velocidade e ao gerenciamento de energia nas longas retas do circuito italiano. Com as características dos carros de 2026, a capacidade de utilizar a energia elétrica do sistema de propulsão se tornou um fator ainda mais importante em determinadas pistas. Em Monza, isso ficou especialmente evidente.
Verstappen explicou que a Red Bull simplesmente não conseguia acompanhar a forma como os carros equipados com unidades de potência Mercedes utilizavam sua energia nas retas. “Também ficou bastante claro durante a corrida que simplesmente não conseguimos acompanhar a implantação de energia dos carros equipados com Mercedes, e isso é, claro, muito difícil em uma pista como Monza”, disse.
A situação criava um efeito particularmente complicado para Verstappen. Quando ele conseguia utilizar o modo de ultrapassagem, o desempenho parecia suficiente para atacar os adversários. O problema vinha depois de assumir a liderança. “Com o modo de ultrapassagem, parecia bastante promissor, mas assim que eu assumia a liderança, era muito difícil defender”, explicou.
Em outras palavras, Verstappen conseguia ganhar terreno quando tinha acesso ao recurso de energia, mas não conseguia construir uma margem suficiente para escapar dos carros que vinham atrás. Isso transformou diversas situações de ultrapassagem em uma espécie de jogo de perseguição.
Mesmo quando tinha pneus melhores, Verstappen não conseguia impedir que os adversários permanecessem próximos o suficiente para utilizar seus próprios recursos de energia. “Mesmo quando tivemos o VSC, paramos, colocamos pneus melhores e eu estava ultrapassando carros, assim que eles conseguem ficar naquele modo de ultrapassagem, é simplesmente poderoso demais para conseguirmos realmente defender”, afirmou.
A dificuldade foi tamanha que Verstappen precisou de bastante tempo para se livrar das McLaren. O terceiro lugar, portanto, teve um valor significativo para a Red Bull, mas também serviu como demonstração de que ainda existe uma diferença importante para os carros que conseguem extrair mais desempenho nas retas.
Problema no eixo traseiro continuou durante toda a corrida
A limitação de velocidade não foi o único problema enfrentado por Verstappen. O piloto também continuou sofrendo com uma dificuldade no eixo traseiro do RB22, problema que já havia aparecido durante a classificação e permaneceu presente no domingo.
Questionado após a corrida, Verstappen não escondeu sua insatisfação. “Sim, ainda está lá. Nada mudou. Simplesmente não está bom”, afirmou. O comportamento do carro era especialmente complicado sobre zebras, ondulações e nas curvas de baixa velocidade.
“Você sofre nas ondulações, nas zebras, especialmente nas baixas velocidades. O eixo traseiro simplesmente não é muito complacente.” Para Verstappen, o problema custou desempenho durante toda a prova. “Com certeza não foi ideal novamente hoje e está nos custando performance, mas é o que temos.”
A dificuldade já havia aparecido no sábado e acabou sendo carregada para a corrida. “Eu tive meus problemas ontem, que obviamente ainda estavam lá hoje.” A Red Bull conseguiu melhorar significativamente o comportamento do carro entre sexta-feira e sábado, mas não foi capaz de eliminar completamente as limitações. Ainda assim, Verstappen considerou que a equipe reagiu bem ao complicado início de fim de semana.
Um pódio importante depois do desastre em Zandvoort
Apesar das críticas, o resultado de Monza representou uma recuperação importante para Verstappen e para a Red Bull. No GP da Holanda, disputado diante da própria torcida do piloto, o RB22 esteve longe de funcionar como Verstappen gostaria. O abandono ainda na primeira volta tornou aquele fim de semana especialmente frustrante.
Em Monza, porém, a equipe conseguiu colocar o carro em uma janela de funcionamento muito melhor. “Para nós estarmos no pódio, acho que depois de um fim de semana muito difícil em Zandvoort, onde o carro realmente não estava do meu agrado, conseguimos fazer uma grande recuperação de sexta para sábado e o carro definitivamente estava em uma janela melhor”, avaliou.
O resultado mostrou que a Red Bull ainda possui capacidade de reagir quando identifica corretamente os problemas de configuração. Mas Verstappen sabe que a melhora de Monza não significa que todos os problemas tenham sido resolvidos. “Ainda temos algumas coisas e áreas que sabemos que precisam melhorar, além do óbvio problema de implantação de energia nas retas.”
Esse último ponto talvez seja o mais preocupante para a equipe. A corrida italiana mostrou que, em circuitos nos quais a velocidade de reta e a utilização da energia têm peso elevado, a Red Bull pode ficar vulnerável mesmo quando o carro apresenta bom ritmo em outras partes da pista.
O pódio não esconde o que a Red Bull precisa corrigir
O terceiro lugar de Verstappen pode ser considerado um excelente resultado diante das circunstâncias. O piloto precisou lutar contra os carros da Mercedes, superar as McLaren e administrar um carro que ainda apresentava problemas no eixo traseiro. Mas a conversa de rádio após a bandeirada mostrou que o holandês não está disposto a confundir um bom resultado com uma solução definitiva.
A Red Bull conseguiu transformar um início de fim de semana complicado em um pódio, mas Monza também funcionou como um teste que expôs as características menos favoráveis do RB22.
O problema de comportamento do eixo traseiro continua sendo uma fonte de perda de desempenho, enquanto a dificuldade para acompanhar a implantação de energia dos carros equipados com Mercedes representa uma limitação particularmente séria em pistas de alta velocidade. Verstappen conseguiu minimizar os danos e terminar no pódio. Mais do que isso, demonstrou novamente sua capacidade de extrair um resultado acima do potencial do carro.
Para a Red Bull, porém, o recado deixado pelo tetracampeão é claro: o pódio foi uma recuperação importante, mas não apagou as fraquezas que Monza revelou. E, se a equipe quiser voltar a lutar regularmente pelas vitórias, terá de encontrar respostas para esses problemas antes que outras pistas do calendário voltem a expor as mesmas deficiências.
Foto: (Reprodução/ RacingNews365)



