(por Daniel Morales)Um vídeo postado pelo Real Madrid em suas redes sociais na última segunda-feira, 17, teve uma enorme repercussão e gerou um enorme debate na internet. O vídeo publicado pelo clube da capital espanhola tenta ligar o rival Barcelona à ditadura fascista de Franco, que durou de 1936 até 1973. Antes de adentrar no assunto em si, primeiro vale contextualizar a situação. Recentemente, o Barcelona tem sido acusado de um escândalo de arbitragem que teria ocorrido no período em que o time era treinado pelo treinador Pep Guardiola e quando o presidente Laporta vivia seu primeiro mandato pelo clube culé. O Real Madrid, o seu principal rival dentro desse contexto de acusações ao clube Catalão, através de notas, incentivou investigações sobre esse possível escândalo de arbitragem que teria ocorrido no começo dos anos 2010. O presidente Joan Laporta, em entrevista para a imprensa, negou as acusações e questionou a pressão do Real Madrid. Além disso, acusou o clube de ter sido ajudado pela arbitragem historicamente e atualmente e ainda fez questão de ressaltar a ligação do clube da capital ao regime de Franco. Para quem está por fora, o Real Madrid constantemente é acusado e ligado ao regime fascista de Franco, que teria ajudado o Madrid a conquistar títulos e contratar jogadores. O maior caso sobre isso é a contratação do argentino Di Stéfano. Além disso, o próprio nome do estádio Santiago Bernabéu, que teria sido um soldado de Franco. Feito o contexto geral, vamos ao vídeo. O clipe se inicia com as falas de Laporta acusando o Real Madrid, e a primeira parte se finaliza com o mandatário do Barça dizendo: “Um clube que é considerado o time do regime”. E como resposta, o Real Madrid questiona: “Quem foi a equipe do regime?”. O vídeo começa com imagens da inauguração do Camp Nou, e a inauguração do estádio sendo feita pelo ministro geral de Franco, José Solís Ruiz. Em seguida, o clipe mostra imagens do Barcelona concedendo à insígnia de Oro y Brillantes a Franco. Depois, o vídeo alega que o Barcelona nomeou Franco a sócio de honra do clube em 1965 e relata que o clube catalão teria condecorado o ditador três vezes. Na sequência, afirma que o Barça teria sido salvo da falência em três momentos por Franco com requalificações. Sobre títulos, o vídeo aponta que o Barça teria vencido oito campeonatos espanhóis e nove Copas do Rey no período do regime franquista, e que neste período, o Real Madrid demorou 15 anos para vencer o campeonato espanhol. O clipe finaliza com o Madrid alegando que o time teria sido desfeito no período da Guerra Civil espanhola, com jogadores assassinados, presos e exilados, usando como fonte um documento de Santiago Bernabéu. No final, o vídeo se finda com o questionamento: “Qual é a equipe do regime?”. Fazendo uma análise histórica, o vídeo postado pelo Real Madrid apresenta uma tentativa do clube da capital espanhola mostrar que não foi o único a ser beneficiado no período da ditadura de Franco. Porém, essa tentativa de ligar o Barcelona ao franquismo parece bastante errôneo, visto que os blaugranas tiveram um presidente assassinado no regime de Franco, Josep Sunyol, que até os dias atuais é lembrado pelo clube e virou um mártir em Barcelona e em toda Catalunha. Por outro lado, o Madrid também teve um presidente morto no período da ditadura de Franco, Antonio Ortega Gutierrez, que foi perseguido e assassinado pela ditadura, porém diferente do tratamento que tem Josep Sunyol, Ortega Gutierrez sequer aparece na lista de presidentes do clube. Em suma, o que está claro é que não existe um lado bom e mau nessa história. Ambos os clubes possuíram benefícios e malefícios no período da ditadura militar de Franco. Porém, o que está claro é que o vídeo postado pelo Real Madrid marca um dos maiores conflitos e brigas da história dessa rivalidade, que é uma das maiores da história do futebol se não a maior. Este episódio é mais um entre tantos outros que provam que futebol e política andam lado a lado e não elementos distintos. O futebol como algo inserido na sociedade reflete o que nela se passa.
Futebol