Kompany segue sem vencer Xabi Alonso
Bundesliga Futebol

Leverkusen x Bayern de Munique: Por que o “Lever” não converteu as chances criadas?

Neste sábado (15), Bayer Leverkusen e Bayern de Munique travaram mais uma disputa de líder contra vice. Apesar do placar não ter sido alterado a partida inteira, os bávaros saíram do jogo com o ar de alívio, já que os rubro-negros criaram muitas chances de gol, porém nenhuma foi convertida. Diante disso, a dominância se deu pelo lado do B04, que perdeu a chance de encurtar a vantagem em relação aos seus oponentes.

A dominância dos Werkself

O Leverkusen foi a campo com mais duas alterações no time titular.
Créditos: Rene Nijhuis/MB Media/Getty Images – Reprodução

 

A escalação inicial

Antes da bola rolar, foi noticiado que Alonso promoveu muitas alterações no time titular. A mais notável foi a ausência de um centroavante de ofício: Victor Boniface e Patrick Schick começaram o duelo como suplentes, enquanto Florian Wirtz e Nathan Tella ficaram no comando de ataque. Nessas condições, ficou evidente que os anfitriões foram a campo para dominar as ações no setor de meio campo, com o objetivo de interceptar as trocas de passes rápidas e acionar um contra-ataque rápido.

A formação de 4-4-2, envolveu uma “dobra de laterais” pela esquerda. Piero Hincapié – por mais que seja zagueiro na maioria das vezes, sua posição de origem é na lateral – e Alejandro Grimaldo foram alocados nesta faixa para resguardar o corredor esquerdo, com o equatoriano na primeira linha (defesa), enquanto o espanhol estava na segunda (meio campo).

Além das duas mudanças, Jeremie Frimpong, que atuava como ala na maioria das vezes, foi escalado como um meia aberto pela direita. O holandês, embora tenha uma função extenuante de se apresentar ao ataque e, ao mesmo tempo, é responsável por defender este flanco, viu-se na liberdade de ir ao campo ofensivo sem se preocupar em fazer um retorno imediato. Este papel ficou à cargo de Nordi Mukiele, que foi posto como um lateral direito inicialmente.

A investidas ofensivas

Frimpong foi o jogador que mais levou perigo do Leverkusen
Créditos: Marvin Ibo Guengoes/Getty Images – Reprodução

 

No primeiro tempo, as previsões dos amantes do esporte foram concretizadas ao verem que os rubro-negros pressionaram desde o apito inicial de Daniel Siebert (árbitro da partida). Os donos da casa faziam uma marcação intensa na saída de bola do Bayern, que não conseguia articular jogadas com os homens de meio campo. Quando os Werkself conseguiam roubar a bola, a ligação era imediata com Wirtz ou Tella, que também tinha as opções das ultrapassagens dos meias abertos Grimaldo e Frimpong.

Esta peculiaridade é denotada nas estatísticas do jogo na etapa inicial. O Leverkusen anotou 29 recuperações de bola, 7 desarmes e tiveram um percentual de posse de bola menor em relação ao Bayern, que insistia em trocar muitos passes para fazer a defesa rival balançar. As tentativas de propor o jogo foram frustrantes por parte de Kompany e viu seu elenco sofrer em cima de uma marcação pressão intensa dos anfitriões.

Na maioria dos casos, tais recuperações de bola do B04 geravam contragolpes letais e as finalizações foram sendo empilhadas. Nesse sentido, no primeiro tempo, Die Werkself concluíram a gol por seis vezes, sendo uma delas no alvo e duas delas carimbaram a trave de Manuel Neuer. Os dois arremates que explodiram no poste foram de Frimpong que, em sua marca registrada no Leverkusen, infiltrou a área adversária para a finalização à meta.

Entretanto, este pode ter sido o problema da equipe de Alonso. Sem um homem de referência, quem tinha a qualidade da finalização era apenas um jogador: Florian Wirtz. O jovem de 21 anos ora caía pelas pontas para receber o passe, ora adentrava pelo meio, se desmarcando dos rivais. Dessa forma, pouco se via a utilização do melhor chutador da equipe e, por conseguinte, é compreendido que a eficiência nos arremates tenha sido baixa.

Flutuação entre as linhas do Bayern e invasão à área

Wirtz foi quem teve a última chance de abrir o placar para os mandantes
Créditos: Stefan Matzke/Getty Images

 

Embora tenha pecado na precisão das finalizações, o Bayer Leverkusen dominou toda a primeira etapa, enquanto os bávaros pouco ameaçavam no ataque. Ao fim do primeiro tempo, o saldo era positivo: com controle do meio-campo, alta intensidade e mais chances criadas, Die Werkself mostravam estar em melhor momento e confiavam que, na segunda etapa, poderiam inaugurar o placar.

No segundo tempo, Xabi Alonso ajustou o posicionamento de alguns jogadores, mas optou por não fazer substituições. Sua principal orientação foi adiantar a linha defensiva, pressionando ainda mais o adversário, que enfrentava dificuldades para construir jogadas e sair com qualidade desde a defesa. Nesse sentido, a tônica da etapa inicial se manteve e o Leverkusen empilhava oportunidades de abrir o placar, mas parou em Neuer.

Na marca dos 15 minutos, era muito mais notória a movimentação dos meias abertos nos espaços entre as linhas do Bayern, um momento em que Frimpong e Grimaldo poderiam usufruir de uma liberdade. Entretanto, nenhum deles finalizou a gol, mesmo tendo espaço para isso. Da mesma forma, Wirtz e Tella seguiam bem marcados e não estavam tendo vida fácil para dar o “toque final” na jogada.

Com isso, as críticas a Xabi Alonso aumentavam naquele momento da partida, pois era evidente a necessidade de um “homem-gol” — alguém que estivesse posicionado na pequena área para finalizar. No entanto, o treinador espanhol manteve sua estratégia e não realizou substituições até os 40 minutos do segundo tempo, passando a impressão de que estava satisfeito com o desempenho da equipe, mesmo diante da ineficácia ofensiva. A decisão gerava questionamentos, especialmente considerando que um gol poderia garantir a vitória e reduzir a diferença para o Bayern na tabela.

Os lances de perigo se acumulavam e o maior responsável por eles novamente foi Frimpong. O camisa 30 teve mais uma oportunidade de marcar, mas Hiroki Ito salvou em cima da linha, o que seria o primeiro gol do jogo. Este momento foi o divisor de águas, pois Kompany promoveu quatro alterações para povoar o meio campo e evitar que houvessem infiltrações em sua área, ao promover as entradas de Josip Stanisic, Serge Gnabry e Leroy Sané.

Ademais, o belga tratou de trazer mais vigor físico à equipe quando colocou Leon Goretzka em campo, uma escolha para combater Granit Xhaka que fazia uma atuação competente ao marcar Jamal Musiala. Nesse cenário, com Leon no caminho, o suíço poderia se desprender da pressão em cima do camisa 10, que poderia ter mais liberdade para construir jogadas. Só que esta situação foi vista apenas uma vez, nos minutos finais.

Vendo que o Bayern se resguardou ainda mais, Alonso realizou a primeira troca: Nathan Tella por Amine Adli. Esta decisão foi bastante controversa, mesmo que o marroquino seja um atacante, era de uma característica completamente diferente de o artilheiro que o time precisava. O recém promovido pouco fez e, enfim, o treinador do B04 colocou à campo o jogador que os torcedores aclamavam: Patrick Schick.

O tcheco, artilheiro do Leverkusen na temporada, – com 14 gols – entrou no jogo, faltando dois minutos para o fim e mal pode encostar na pelota. Por fim, o time da casa ainda teve mais uma chance com Wirtz finalizando a gol pela última vez, mas o chute, mais uma vez, encontrou Manuel Neuer.

Agenda das duas equipes

Na próxima rodada, o Leverkusen enfrentará o Holstein Kiel, fora de casa, no próximo sábado (22), às 11h30 (horário de Brasília). Os campeões invictos na temporada passada seguem na vice-liderança com 47 pontos, oito atrás do rival de Munique.

Os Bávaros, por sua vez, medirão forças com Eintracht Frankfurt, em mais um encontro de G-5. O jogo será no próximo domingo (23), na Allianz Arena, às 13h30 (horário de Brasília). O Bayern de Munique lidera a Bundesliga com 55 pontos, uma larga vantagem diante do segundo colocado, Bayer Leverkusen.