O Fluminense tem passado por uma grande reformulação em seu elenco, que começou ainda no meio de 2024, com a chegada de Mano Menezes e a contratação de novos reforços fundamentais na luta contra o rebaixamento, como o colombiano Kevin Serna, vindo do Alianza Lima. No entanto, essa reformulação foi ainda mais aprofundada com o início de 2025.
Foram onze contratações para a temporada, com destaque para a quantidade de jogadores estrangeiros que chegaram para reforçar o elenco de Mano Menezes. Entre eles, o zagueiro Juan Pablo Freytes, argentino vindo do Alianza Lima; Agustín Canobbio, uruguaio ex-Athletico Paranaense; Joaquín Lavega, jovem promessa uruguaia de apenas 19 anos, vindo do River Plate do Uruguai; e, no último dia da janela de transferências, o jovem de 21 anos Rubén Lezcano, paraguaio que estava no Libertad.
Eles se juntam a outros cinco estrangeiros que já estavam em Laranjeiras: o centroavante Germán Cano, o meia-atacante John Arias, o volante Facundo Bernal, o ponta Kevin Serna e o lateral-esquerdo Gabriel Fuentes.Essa mudança radical na forma de contratar e montar o elenco tem muito a ver com o desespero vivido pelo Fluminense em 2024, quando lutou contra o rebaixamento até a última rodada. Apesar de ser praticamente o mesmo time campeão da Libertadores em 2023, o elenco já se mostrava envelhecido.
Mudança radical na montagem do elenco passa pelo desespero vivido em 2024
O Fluminense passou por um 2024 que o torcedor tricolor não quer repetir. Com um elenco bastante envelhecido, a diretoria “dobrou a aposta” e contratou mais jogadores acima dos 30 anos, como Renato Augusto, Douglas Costa, Antônio Carlos e Gabriel Pires. Além disso, outros atletas mais jovens, como o uruguaio David Terans, não renderam o esperado sob o comando de Fernando Diniz.
O resultado foi um dos piores primeiros turnos da história do clube no Campeonato Brasileiro. Na 17ª rodada, o Fluminense tinha apenas 7 pontos somados e estava em situação extremamente delicada. Diante disso, a diretoria decidiu romper completamente com o “Dinizismo” e trouxe Mano Menezes para o comando técnico.
Com Mano, iniciou-se um novo modelo de contratações. Em vez de trazer jogadores experientes, o Fluminense passou a buscar atletas mais jovens, que pudessem oferecer ganho físico e técnico, além de potencial para futuras vendas. O maior exemplo dessa mudança foi a chegada do jovem uruguaio Facundo Bernal, então com 20 anos, uma das maiores promessas do futebol uruguaio, já convocado para a seleção principal.
A chamada “troca de pneus com o carro andando” deu certo, e o Fluminense escapou do rebaixamento, garantindo ainda uma vaga na Copa Sul-Americana de 2025. Como já mencionado, a mudança no perfil das contratações seguiu para este ano.
A montagem do novo e mais “jovem” Fluminense
Com Mano Menezes comandando a equipe desde o início do ano, o Fluminense mudou radicalmente seu padrão de contratações, apostando em jogadores mais jovens e estrangeiros. Além de Facundo Bernal (21 anos), chegaram os também jovens Joaquín Lavega (20 anos) e Rubén Lezcano (21 anos).
Lavega é um ponta formado no River Plate do Uruguai, onde também iniciou sua carreira profissional. Ele foi o principal nome da seleção uruguaia no Sul-Americano Sub-20, sendo um dos artilheiros da equipe e capitão do time. Já Lezcano, como destacado anteriormente pela Playmaker Brasil, foi o melhor meia do último Campeonato Paraguaio e um dos destaques das seleções de base do Paraguai, com boas chances de ser convocado para a seleção principal em breve.
Além dos estrangeiros, o Fluminense promoveu três jogadores da base, destaques da equipe sub-17 campeã da Copa do Brasil e do Campeonato Brasileiro da categoria em 2024: o meia Isaque, o volante Wallace Davi e o meia-atacante Riquelme Felipe. Dentre eles, Riquelme tem sido o que mais se destaca no início do ano, já conquistando oportunidades como titular.
Adaptação dos jogadores e os motivos para Lavega ainda não ter estreado
O Fluminense tem sido cauteloso na introdução desses jovens estrangeiros ao time principal. A diferença entre as ligas do Uruguai e do Paraguai em relação ao Campeonato Brasileiro é um dos principais fatores, além das exigências físicas do futebol jogado no Brasil. Por isso, Mano Menezes não tem pressa para lançar seus jovens atletas.
O técnico foi questionado especificamente sobre a estreia de Lavega, que já foi relacionado para os últimos três jogos, mas ainda não entrou em campo.
“Penso da mesma maneira sobre todos os jogadores”, disse Mano Menezes. “Sempre que você traz alguém, há uma expectativa. Eu procuro dar a eles uma condição para que, quando entrem, entrem bem. Caso contrário, a expectativa vira frustração. Lembra quanto tempo o Fuentes demorou para jogar? Ele tinha dificuldades físicas, tivemos que trabalhar sua adaptação para o ritmo de jogo do Brasil, onde se joga de três em três dias. Quando entrou, foi muito bem. O mesmo vale para os outros, especialmente os mais jovens. Tenho muita confiança neles.”
Em sua resposta, Mano citou o caso do lateral-esquerdo Gabriel Fuentes, que veio do Junior Barranquilla. Fuentes demorou para estrear no Fluminense, pois na época Marcelo era o titular da posição. No entanto, após a saída do ídolo tricolor, o colombiano assumiu a titularidade e vem sendo um dos destaques do time neste início de temporada.
O futuro é tricolor?
Com tantos jovens talentos no elenco, é natural que a torcida tricolor esteja animada. De fato, o Fluminense está construindo uma equipe diferente daquela que venceu a Libertadores em 2023, mas que se encaixa melhor nas exigências do futebol atual.
Com uma legião de jovens estrangeiros considerados grandes promessas em seus países, somados ao já conhecido talento dos “Moleques de Xerém”, além de nomes consagrados como Thiago Silva, John Arias, Paulo Henrique Ganso e Germán Cano, e reforços como Canobbio, Hércules e Otávio, o torcedor tricolor pode esperar um ano bem melhor do que o passado — e, quem sabe, sonhar com um futuro vitorioso.
Além disso, muitos desses jogadores contratados para 2025 podem, no futuro, render boas vendas ao Fluminense, garantindo um retorno financeiro essencial para o clube. Como todos os times brasileiros, o Tricolor precisa dessas negociações para manter sua sustentabilidade no cenário competitivo do futebol.
(Foto: Lucas Marcon)