Com a derrota, a Argentina coroou sua classificação para a Copa do Mundo, com uma goleada diante do rival e segue na lideranças das Eliminatórias, com 31 pontos. O Brasil, por sua vez, por sorte, segue na quarta colocação, com 21 pontos.
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Scaloneta da Argentina, classificada para a Copa de 2026, põe o Brasil na roda!

Na noite desta terça-feira (25), a Argentina derrotou o Brasil pelo placar de 4 a 1, em jogo válido pela 14ª rodada das Eliminatórias. No Monumental de Nuñez, o time de Lionel Scaloni construiu um resultado elástico e com muita tranquilidade frente a uma Seleção Brasileira desfalcada e, principalmente, carente de criatividade e atitude. O resultado prejudica não somente a imagem da ‘Canarinho’ no cenário sul-americano, mas também põe em cheque o cargo de Dorival Júnior, como treinador.

Além da atuação vexaminosa, o Brasil atingiu números preocupantes, inclusive virando motivo de piadas dos argentinos no estádio e da imprensa local. Desde a derrota para a Alemanha, por 7 a 1, na Copa de 2014 que a pentacampeã não sofria quatro gols em uma partida. Tal episódio é alarmante do nível em que os hinchas pediram ‘um minuto de silêncio’, por estarem diante do “assassinato da Seleção Brasileira”. Para além das provocações, o jornal Olé, tradicional veículo argentino, destacou o resultado e pôs em sua manchete: “Um baile para entrar para história”, em menção a superioridade da atuação do time de Scaloni.

Primeiro tempo de um Brasil inoperante e de uma Argentina dominadora

O time brasileiro entrou com seus desfalques: Gabriel Magalhães, Gerson e Alisson. Com todos esses sendo cortados em virtude de contusões na partida contra a Colômbia, na última semana, Dorival foi obrigado a convocar novos jogadores para suprir as ausências. Mesmo com a novas peças à disposição e ideias implementadas, a Seleção demonstrou-se despreparada e desorganizada.

No primeiro tempo, os argentinos tiveram muitos espaços para distribuir o jogo e, desse modo, atrair os oponentes para o seu campo de defesa. Com a subida para pressão, de forma totalmente ineficaz, os hermanos buscavam sempre linhas de passe para fazer com que o time brasileiro balançasse e abrisse espaços pelo meio — especialmente nas costas daqueles que avançaram para tentar roubar a bola. Com isso, a pressão do time de Dorival era quebrada e a Argentina tinha campo para progredir ao ataque.

Nesta ocasião de superar a linha de marcação inicial dos atacantes, a equipe alviceleste conseguiu abrir o placar. Aos quatro minutos, em uma jogada que se iniciou em um lançamento de Rodrigo de Paul, Thiago Almada recebeu o passe e achou Julián Álvarez no espaço entre os zagueiros, Marquinhos e Murillo. O atacante do Atlético de Madrid tocou na saída de Bento para abrir o placar em Buenos Aires.

Aos 12 minutos, o time de Scaloni deu uma verdadeira aula de futebol, circulando a bola e envolvendo o Brasil. Os donos da casa trocaram passes por mais de um minuto até encontrar a brecha ideal para atacar. Enzo Fernández conduziu a jogada e acionou Álvarez, que, por sua vez, serviu Rodrigo De Paul. O meio-campista percebeu a passagem de Nahuel Molina pelo corredor direito e fez a inversão de jogo. O lateral dominou e cruzou na área para Enzo Fernández, que havia iniciado a jogada, chegar batendo e ampliar a vantagem argentina.

O Brasil, ineficaz em sua proposta, conseguiu diminuir o prejuízo em uma falha de Cristian Romero, que perdeu para Matheus Cunha. O camisa 21 aproveitou a vacilada para fazer o gol brasileiro. Embora premiada injustamente pela atuação, a ‘Canarinho’ viu mais uma jogada brilhante dos atuais campeões do mundo, que conseguiram o terceiro gol ainda no primeiro tempo.

Na trama bem ensaiada na bola parada, Alexis Macallister passou livremente por de trás da barreira e tocou na saída de Bento. A bobeada podia parecer imprevisível, mas Guilherme Arana apenas assistiu o meio campista do Liverpool passar em sua frente e chegar finalizando sem marcação: 3 a 1.

Segundo tempo que foi só ladeira abaixo

Com dois gols de vantagem atrás do marcador, Dorival mexeu no intervalo e tentou minimizar o prejuízo. Saindo Murillo, Joelinton e Rodrygo, o treinador brasileiro promoveu as entradas de Léo Ortiz, João Gomes e Endrick. No planejamento, as substituições induziriam a Argentina a correr mais para dar o combate nos velocistas, mas, no final das contas, as alterações não surtiram efeito e foi o “mais do mesmo”.

A estratégia Scaloni era administrar o resultado e dar combate nos principais passadores brasileiros: Léo Ortiz, André e, agora, João Gomes. Os três proveriam uma qualidade maior na distribuição das jogadas, porém encontravam sempre uma marcação cerrada dos alvicelestes — por sinal, sempre dobrada. Ao final das possibilidades, o Brasil permaneceu recuado, ineficaz em suas tentativas e, dessa vez, errando muito mais passes.

Ao passo em que os visitantes frustravam sua torcida, a Argentina encantava e chegava ao ataque com facilidade. Inclusive, boa parte das vezes que chegaram em condições de armar um lance de perigo, conseguiam sempre finalizar. Desse modo, o sentimento brasileiro era que haveria a qualquer momento mais um tento hermano, algo que ocorreu aos 26 minutos da etapa complementar.

Em mais uma distribuição paciente e de uma leitura perfeita de espaços, Nicolás Tagliafico recebeu em velocidade pela esquerda. O defensor cruzou para o meio da área, buscando Macallister que aparecia para concluir na pequena área, mas o passe veio nas costas. Para o azar brasileiro e sorte argentina, a pelota encontrou Giuliano Simeone para balançar pela quarta vez o barbante verde e amarelo.

O gol do filho do ídolo Diego Simeone, extrai tudo o que poderia ser dito da atuação da Seleção Brasileira. Os espaços nas costas dos laterais, principalmente de Wesley, e uma morosidade para voltar para compor a marcação de Guilherme Arana. O tento foi um presente para o atleta do Atlético de Madrid, que havia acabado de entrar e estreava diante da torcida na Albiceleste.

O Brasil até tentou organizar tramas mas sem sucesso, ao passo que a Argentina apenas geriu sua vantagem — por sinal, com gritos de ‘Olé’ da torcida anfitriã. Placar final: Argentina 4 x 1 Brasil.

Próximos compromissos da ‘Amarelinha’

A derrota acachapante no jogo de hoje coloca, de vez, um ponto de interrogação na permanência de Dorival Júnior como treinador da Seleção Brasileira. Os resultados não agradam, tampouco a forma com que o elenco desempenha o futebol em campo. Por fim, a poucos meses de uma Copa do Mundo, certamente a cúpula da CBF entra em debate sobre a continuidade do técnico no comando.

O próximo jogo do Brasil nas Eliminatórias é contra o Equador. O duelo será, fora de casa, em Quito — na altitude do estádio Casablanca, da LDU. Na sequência, os pentacampeões mundiais enfrentam o Paraguai em casa, em local a definir. Os embates estão programados para ocorrer na próxima Data Fifa, especificamente no período do dia 2 a 10 de junho.