O Botafogo conquistou sua primeira vitória na fase de grupos da Libertadores ao bater o modesto Carabobo por 2 a 0 no Estádio Nilton Santos. Em um jogo marcado por dificuldades criativas e pouca intensidade ofensiva, coube ao talento individual de Patrick de Paula — com um gol de falta nos minutos finais — abrir o caminho para o triunfo alvinegro. Matheus Martins, no último lance, selou o resultado e aliviou a pressão sobre um time que ainda não engrenou na temporada.
Com o resultado, o Botafogo chega aos três pontos no Grupo C e empata com Estudiantes e Universidad de Chile, que ainda se enfrentam na rodada. O Carabobo, por sua vez, permanece zerado na lanterna da chave. A vitória também teve um tom simbólico. O jogo aconteceu no mesmo dia em que o Botafogo perdeu um dos maiores ídolos de sua história: o goleiro Manga, lenda do clube nas décadas de 1960 e 70, faleceu nesta terça-feira. O triunfo, mesmo com sofrimento, foi dedicado por jogadores e torcedores à memória do eterno camisa 1.
O jogo
Se o placar final aponta uma vitória confortável, o desempenho do Botafogo em campo contou outra história. A equipe de Renato Paiva enfrentou dificuldades desde os primeiros minutos para furar a retranca venezuelana e sofreu mais do que o esperado diante de um adversário tecnicamente limitado.
A proposta do Carabobo foi clara: defesa baixa, linhas compactas e aposta total nos contra-ataques. E deu certo por boa parte do jogo. Logo no início, Berríos aproveitou um erro na saída de bola e quase abriu o placar em jogada individual. A resposta do Botafogo veio com Artur, em jogada pela direita que terminou com bola na trave após desvio contra de Ezequiel Niera.
O time carioca teve mais volume e posse, mas sofreu com a lentidão na transição e a previsibilidade ofensiva. Santi Rodríguez perdeu grande chance após rebote do goleiro Bruera, e Savarino teve bons momentos, mas o Botafogo esbarrava na falta de inspiração e na forte marcação adversária.
Na segunda etapa, o panorama mudou pouco. Renato Paiva tentou dar nova dinâmica com Vitinho e depois com Patrick de Paula, e apesar de mais presença no campo de ataque, a equipe ainda criava pouco. Juan Camilo Pérez quase complicou a situação alvinegra com um chute de fora que explodiu no travessão.
A entrada de Patrick de Paula foi decisiva. O meio-campista, que tem vivido altos e baixos desde sua chegada ao clube, apareceu como peça-chave nos minutos finais. Primeiro, arriscou de fora e levou perigo. Depois, aos 42 minutos, decidiu: em cobrança de falta de longa distância, bateu rasteiro, no canto, sem muita força, mas com precisão e efeito suficiente para enganar o goleiro Bruera. Um golaço que trouxe alívio para um time que flertava com o vexame.
Nos acréscimos, o Botafogo aproveitou o abalo moral do adversário e chegou ao segundo. Após jogada de Patrick de Paula e Savarino, a bola sobrou para Matheus Martins empurrar para o gol vazio. Um placar que não reflete a dificuldade da partida, mas que vale três pontos fundamentais.
Jogo difícil, atuação apagada do Botafogo
Apesar da vitória, a atuação do Botafogo acendeu alertas. Diante de um adversário frágil tecnicamente, o atual campeão da América mostrou dificuldades para criar, foi previsível na maior parte do tempo e só resolveu o jogo na base da insistência, e do talento individual. O time teve 68% de posse de bola, mas finalizou pouco e só conseguiu marcar após os 40 minutos do segundo tempo.
O meio-campo foi pouco criativo, e a atuação de jogadores como Artur, Santi Rodríguez e Mastriani deixou a desejar. Savarino foi dos poucos a tentar quebrar linhas, e a entrada de Patrick de Paula, que já havia sido decisivo em jogos passados, mostrou que ele pode ser mais utilizado como arma ofensiva.
Renato Paiva ainda parece buscar o melhor encaixe da equipe. O Botafogo, que em 2024 foi campeão sul-americano com intensidade, organização e transições rápidas, ainda não reencontrou aquele padrão em 2025. A oscilação continua, e a vitória, apesar de fundamental, não esconde os problemas estruturais do time.
Com os três pontos conquistados, o Botafogo respira na tabela e segue vivo na briga por uma das vagas às oitavas de final. Mas para avançar, será necessário mais do que entrega. O time precisa recuperar o futebol que o levou ao topo em 2024. O torcedor sabe que o elenco tem qualidade, mas também já percebeu que o tempo para “engrenar” está se esgotando.
A vitória sobre o Carabobo valeu pela tabela, pela emoção e pela homenagem. Mas se o objetivo for repetir a campanha do ano passado, o Botafogo vai precisar muito mais do que isso.
(Foto: Vitor Silva/Botafogo)