Arrascaeta Flamengo
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Arrascaeta brilha de novo e mostra por que é essencial ao Flamengo

O uruguaio Giorgian De Arrascaeta recebeu a missão (e a camisa 10) do Flamengo nesta temporada. Junto com a faixa simbólica de maestro, veio também a velha conhecida pressão da torcida. E não demorou para as cobranças começarem. Mesmo assim, Arrasca vem mostrando por que é um dos nomes mais importantes do elenco rubro-negro, especialmente no Brasileirão, onde decidiu os dois últimos jogos contra Vitória e Grêmio, marcando três gols no total.

Recém-saído de uma cirurgia na pré-temporada, o meia precisou de um retorno mais cuidadoso aos gramados. O Flamengo, que não anda muito bem no histórico de lesões, tratou a recuperação do seu camisa 10 com o máximo de zelo. O problema é que, nesses jogos em que ele voltava devagar, no famoso “vai no sapatinho”, parte da torcida já começava a chiar.

É claro que, num clube com uma das maiores torcidas do mundo, o cardápio de opiniões é variado, e bem temperado. Quando Arrascaeta não engrenava, chovia crítica pra todo lado: pro jogador, pra comissão, pra diretoria. Teve até quem decretasse que o ciclo dele no Flamengo estava perto do fim e pedisse um substituto “à altura” da 10.

Agora, vamos combinar: é até válido pensar em alguém pra dividir a carga com o uruguaio. Mas imaginar o Flamengo sem Arrascaeta é difícil, quase impossível. E os últimos jogos estão aí pra provar, com letras maiúsculas, que ele ainda é o cara.

Importância de Arrascaeta

Flamengo Arrascaeta
Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

 

A equipe rubro-negra está sendo muito bem comandada por Filipe Luís. E, pelas escolhas do treinador, dá pra ver que ele não está nem um pouco disposto a abrir mão das suas estrelas. Chegou-se a cogitar que Arrascaeta poderia ser poupado na última partida contra o Grêmio, numa tentativa de dar mais tempo pra ele se recuperar 100% da lesão. Mas não foi isso que aconteceu.

A derrota para o Central de Córdoba foi um balde de água fria, sim. Mas diante do tricolor gaúcho, o Flamengo parecia outro, focado, organizado e com cara de time grande (o que simplesmente é esperado dele). Esperava-se um time mexido, meio abalado, na Arena do Grêmio. Entretanto, o que se viu foi um Flamengo com postura de quem sabe onde quer chegar.

E nesse cenário, Arrascaeta brilhou. Muito. Voltando de um momento oscilante, principalmente na Libertadores, o camisa 10 mostrou que ainda é o dono da bola. Sabe se posicionar como poucos, enxerga o jogo com uma calma impressionante, e contra o Grêmio, ele fez tudo isso e mais um pouco.

O primeiro gol caiu no colo, ou melhor, nos pés do uruguaio, graças a um erro esquisito de Edenílson. Com toda a tranquilidade do mundo (ou quase isso), ele driblou Thiago Volpi e mandou pra rede. Nervosismo? Que nada.

O segundo veio numa jogadaça construída desde o campo de defesa. Gerson achou De La Cruz, que fez a parede e deixou Arrascaeta com o campo escancarado à frente. Com Bruno Henrique abrindo pela direita e o zagueiro preso na dúvida entre marcar o passe ou o chute, Arrasca ajeitou e soltou a famosa chapada no cantinho, sem chance pro goleiro.

Foi uma daquelas atuações pra marcar. Um recital do camisa 10, que parece ter reencontrado seu melhor futebol. E se o foco da equipe de Filipe Luís é mesmo o Brasileirão, esse nível de atuação é o caminho certo pra brigar lá em cima.

Arrascaeta x Vitória

Arrascaeta Flamengo
Foto: Jhonny Pinho/Agif/Gazeta Press

 

Depois dos estaduais, o Flamengo começou o Brasileirão num ritmo mais lento, e isso ficou bem claro na visita ao Vitória, no Barradão. Mesmo com boa parte dos titulares em campo, o time de Filipe Luís penou pra furar a defesa do Leão da Barra. Mas aí… apareceu ele.

Quando o coletivo não encaixa, o talento individual costuma resolver. E foi exatamente isso que aconteceu. Numa jogada em que o Vitória recuperava a bola e começava a pensar no contra-ataque, Arrascaeta surgiu do nada, com um carrinho preciso, pra retomar a posse. Só que o melhor ainda estava por vir.

Nada de pressa, nada de desespero. Com a bola nos pés e o radar ligado, o camisa 10 acelerou em direção à área, analisou as opções e, ao ver uma brecha, deu um toquinho de leve, quase um biquinho malicioso e mandou a bola morrer no fundo das redes de Lucas Arcanjo.

Foi o típico gol que mostra o que só os craques conseguem fazer. Um lance de pura inteligência, categoria e, claro, confiança. Gol de quem ainda não está 100%, mas já mostra que está voltando a ser aquele Arrascaeta que decide jogos sozinho.

Vai ter gente criticando? Sempre. Mas enquanto isso, ele segue calado com a bola nos pés e a mente focada em deixar o Flamengo ainda mais vencedor. A camisa 10 pesa, sim. Mas por enquanto, está caindo como uma luva no uruguaio.

Foto: Adriano Fontes/Flamengo