Botafogo x Atlético-MG
Futebol Brasileirão

Mudados e pressionados, Botafogo e Atlético-MG reeditam final da Libertadores do ano passado

Menos de seis meses após protagonizarem uma das finais mais emocionantes da história recente da Libertadores, Botafogo e Atlético-MG voltam a se encontrar, desta vez, pela quinta rodada do Campeonato Brasileiro. O palco já não é o Monumental de Nuñez, nem o clima é de festa continental. O reencontro entre os finalistas será marcado pela instabilidade, troca de treinadores e por um começo de Brasileirão que tem deixado muito a desejar para ambos os lados.

A decisão de 2024 foi histórica. Em Buenos Aires, o Botafogo superou o Atlético-MG por 3 a 1 e conquistou sua primeira Libertadores. Em um jogo tenso, recheado de alternativas e com o Monumental lotado, o Glorioso contou com uma atuação decisiva de Luiz Henrique e o brilho de Júnior Santos para selar o título. O Atlético, por sua vez, lamentou chances desperdiçadas e uma atuação irregular que acabou marcando o fim da passagem de Gabriel Milito, que ficou 12 jogos sem vencer em todas as competições.

Desde então, os dois clubes mudaram, e não exatamente para melhor.

Troca de técnicos e quebra de confiança

O Botafogo começou 2025 com dúvidas após Artur Jorge ter deixado a equipe rumo ao futebol do Catar. O Fogão ficou meses sem um treinador definido até que, finalmente, chegou Renato Paiva, técnico com ideias mais propositivas, mas que ainda não teve tempo suficiente para transformar o time em campo. O Atlético-MG, por sua vez, demitiu Milito e foi buscar o técnico Cuca, campeão da Libertadores em 2013 com o próprio Galo, assumiu com a missão de reorganizar um elenco experiente e recheado, mas sem confiança.

Ambos os técnicos recém-chegados ainda buscam sua primeira atuação convincente. Paiva tenta implementar sua proposta de jogo mais dinâmica e ofensiva, enquanto Cuca busca devolver competitividade e equilíbrio a um time que, até agora, não venceu na competição.

Ambos, no entanto, sofrem com os desafios de terem elencos muito mais fracos do que os do ano passado. O Botafogo perdeu nomes importantes, como Thiago Almada, que é um dos destaques do ascendente Lyon, e Luiz Henrique, vendido ao Zenit. Pelo lado do Galo, a equipe perdeu Paulinho, que foi para o Palmeiras, e ainda não conseguiu encontrar um substituto.

Momentos ruins no Brasileirão para Botafogo e Galo

Na tabela do Campeonato Brasileiro, o clima já é de alerta. O Atlético-MG soma apenas dois empates em quatro jogos e ainda não venceu. O Galo sofre com falta de coesão tática e desempenho irregular. O time até cria, mas finaliza mal e sofre defensivamente, um reflexo direto da instabilidade técnica e emocional que vive desde o fim de 2024.

O Botafogo, por outro lado, venceu apenas uma vez até aqui. O atual campeão da América iniciou o campeonato com expectativa alta, mas vem sofrendo para apresentar o mesmo nível competitivo da temporada passada. Sem a consistência defensiva de outrora e com dificuldades para controlar os jogos no meio-campo, o time de Renato Paiva ainda busca identidade.

Diferente da final do ano passado, quando ambos os clubes chegavam em momentos de afirmação, o reencontro deste domingo carrega um peso mais simbólico do que técnico. É uma espécie de lembrete do quanto o futebol brasileiro é volátil. Em tão pouco tempo, as estruturas que levaram os dois times à final continental já ruíram.

A diferença é que, agora, há urgência. O resultado do jogo pode significar bem mais do que três pontos: pode aliviar pressão, dar fôlego a treinadores recém-chegados e reacender uma fagulha de confiança em elencos que ainda não disseram a que vieram em 2025.

Do lado do Botafogo, a expectativa gira em torno de reencontrar o volume ofensivo que marcou sua arrancada no fim do ano passado. O torcedor ainda espera ver em campo a mesma entrega dos nomes que sobraram do time do ano passado. No Atlético, o desafio é maior: Cuca precisa organizar uma equipe emocionalmente abalada e sem padrão, enquanto recupera o protagonismo de jogadores importantes.

A reedição da final da Libertadores de 2024 chega em um momento bem menos glamouroso. Botafogo e Atlético-MG se reencontram enfraquecidos, pressionados e carentes de identidade. O brilho do confronto, antes reservado para a elite do continente, agora serve como termômetro para medir quem pode reagir e quem continuará patinando em um início de Brasileirão que já cobra respostas.

Neste novo capítulo, o que está em jogo não é um título, mas talvez algo tão importante quanto: o resgate de confiança e rumo. E para dois clubes que já provaram recentemente o sabor da glória, a crise pode ser ainda mais amarga.

(Foto: Pedro Souza/Atlético)