Hulk com a camisa do Atlético-MG.
Futebol

Atlético-MG encontrou substituto inesperado para Hulk; saiba quem é

Hulk foi o grande artilheiro do Atlético-MG nas últimas temporadas e uma das principais referências ofensivas do futebol brasileiro. Desde 2021 no clube, o atacante somou 140 gols em 311 jogos, além de 56 assistências, totalizando 196 participações em gol.

Artilheiro, capitão e referência técnica, deixou uma lacuna difícil de preencher ao sair no meio do ano para defender o Fluminense. O Atlético-MG passou a procurar uma nova referência para o ataque, mas Eduardo Domínguez encontrou uma resposta que talvez não estivesse nos planos: Tomás Cuello.

O argentino, que normalmente atua pelos lados, vem assumindo uma responsabilidade maior no ataque justamente enquanto os centroavantes atravessam um momento de baixa. E o momento do jogador ajuda a entender por que ele passou a ser a principal solução ofensiva do Galo.

Cuello assumiu protagonismo no momento certo

Cuello já soma sete gols em 39 jogos, além de sete assistências. Aos 26 anos, igualou sua melhor marca de gols em uma temporada, alcançada em 2021, quando marcou sete vezes em 57 partidas pelo Red Bull Bragantino.

Também já superou sua primeira temporada pelo Atlético-MG. Em 2025, fez seis gols e deu seis assistências em 41 jogos. O mais significativo, porém, está no recorte recente.

Nos últimos quatro jogos em que esteve em campo, Cuello marcou quatro gols. Contra o Bragantino, balançou as redes na ida e na volta das oitavas de final da Sul-Americana, sendo decisivo para a classificação atleticana. Na vitória por 3 a 0 sobre o Grêmio, marcou duas vezes.

Contra o Cruzeiro, pela Copa do Brasil, ainda deu a assistência para Renan Lodi marcar o gol de empate.

Cuello passou a aparecer justamente quando o Atlético-MG precisava de alguém para decidir.

Cuello Atlético-MG
Foto: Pedro Souza / Atlético / Divulgação

Números mostram que não é apenas uma boa fase

A evolução também aparece nas estatísticas do Brasileirão. Cuello lidera o Atlético-MG em finalizações, com média de 2,2 por 90 minutos, e é o jogador do elenco que mais acerta o gol, com média de 0,7 por partida. Também lidera a equipe em passes decisivos, com 1,4 por jogo, e é o segundo maior driblador, com média de 1,3, atrás apenas de Victor Hugo.

Há, claro, um contraponto: Cuello também é o jogador do Galo que mais perdeu grandes chances, com oito, empatado com Cassierra. Ainda assim, o conjunto revela um jogador cada vez mais envolvido nas ações ofensivas. Ele finaliza, cria, dribla e aparece em zonas de decisão.

Isso ajuda a explicar por que um ponta acabou assumindo uma função que, inicialmente, parecia destinada aos centroavantes.

O Atlético ainda sente a ausência de um goleador

É importante não confundir a boa fase de Cuello com a solução definitiva para a saída de Hulk.

O camisa 7 deixou uma marca grande demais para ser simplesmente substituída. O que Cuello conseguiu foi ocupar parte desse espaço de uma maneira diferente, em um momento no qual o Atlético-MG precisava urgentemente de produtividade ofensiva.

A dificuldade dos centroavantes deixa isso ainda mais evidente. Cassierra atravessa um jejum de 14 jogos sem marcar. Thiago Borbas, recém-chegado, ainda teve pouco tempo em campo e mostrou pouca consistência ofensiva. Cauã Soares, centroavante de origem e cria da base, também recebeu poucas oportunidades.

Enquanto os jogadores da posição não conseguem entregar o esperado, Cuello apareceu. O argentino é atualmente o artilheiro do Atlético-MG na temporada, com sete gols. Bernard tem seis. Hulk ainda aparece entre os principais goleadores, com cinco, ao lado de Reinier, Cassierra, Victor Hugo e Renan Lodi.

A diferença é que Cuello alcançou essa marca sem ser o centroavante de origem.

Uma solução diferente para um problema antigo

Domínguez agora precisa descobrir até onde essa alternativa pode funcionar. Cuello não vai reproduzir o que Hulk fazia. Não tem o mesmo perfil físico, não ocupa os mesmos espaços e tampouco precisa carregar sozinho a responsabilidade de ser o principal goleador.

Mas oferece outras possibilidades. Mais próximo do gol, pode aproveitar sua capacidade de drible, atacar espaços e finalizar com maior frequência. Ao mesmo tempo, mantém a mobilidade e a capacidade de participar da criação, algo que pode se perder com um centroavante mais fixo.

Por isso, talvez a maior contribuição de Cuello não seja simplesmente a quantidade de gols, mas a mudança que provocou no ataque do Atlético-MG.

O Galo passou boa parte da temporada tentando encontrar quem ocuparia o espaço deixado por Hulk. A resposta acabou surgindo dentro do próprio elenco e em uma posição diferente da esperada.

Ainda é cedo para dizer que Cuello virou a nova referência do Atlético-MG. Quatro gols nos últimos quatro jogos não apagam a necessidade de encontrar mais soluções ofensivas. Mas já mostram que o time encontrou uma alternativa que funciona.

O Atlético-MG não encontrou outro Hulk — e nem precisava. Encontrou em Cuello uma solução diferente para um problema que parecia exigir um centroavante. O argentino assumiu o protagonismo, e agora cabe a Domínguez descobrir como prolongar esse impacto até o fim da temporada.

Foto: Pedro Souza/Atlético-MG/Divulgação