Em uma partida marcada por estratégia, desgaste físico e poucas chances claras de gol, o Flamengo conseguiu o que se propôs: somar pontos fora de casa diante da altitude de Quito. O empate em 0 a 0 com a LDU, nesta terça-feira, no Estádio Casa Blanca, não empolga pela atuação, mas pode ser considerado positivo dentro do contexto da fase de grupos da Libertadores.
Com o resultado, o Rubro-Negro chega a quatro pontos, ocupa a terceira colocação do grupo e ainda depende apenas de si para avançar às oitavas de final. A LDU, com cinco pontos, segue na liderança.
O jogo
Sabendo das dificuldades impostas pelos 2.850 metros de altitude da capital equatoriana, o técnico Filipe Luís apostou em uma abordagem mais cautelosa e estudada. A proposta foi clara: manter a posse de bola o máximo possível para controlar o ritmo da partida e minimizar os efeitos físicos da altitude. E, em boa parte do primeiro tempo, o Flamengo conseguiu cumprir esse plano.
Com mais de 60% de posse de bola, o time carioca trabalhou pacientemente no meio de campo, trocando passes com calma e evitando acelerações desnecessárias. Apesar da tranquilidade com a bola nos pés, o Rubro-Negro teve muita dificuldade para transformar esse domínio territorial em lances de perigo. A única chance real veio aos 36 minutos, quando Gerson conduziu bem pelo meio, Juninho fez o corta-luz e Arrascaeta bateu rasteiro de fora da área, obrigando o goleiro Gonzalo Valle a fazer boa defesa.
Do lado equatoriano, a LDU mostrou respeito excessivo ao Flamengo e jogou a primeira etapa de forma tímida, apostando em lançamentos longos e jogadas pelo alto. A melhor chegada foi justamente em uma bola aérea com o zagueiro Allala, que exigiu uma defesa segura de Rossi, mas nada além disso. O time da casa pouco se arriscou, o que facilitou o controle de jogo do time brasileiro.
Como já era esperado, o ritmo do Flamengo caiu na etapa complementar. Os efeitos da altitude começaram a pesar, e o time passou a se desfazer da bola com mais frequência, perdendo o domínio que havia tido no primeiro tempo. A LDU cresceu na partida, ganhou o meio de campo e passou a frequentar mais o campo ofensivo.
Ainda assim, os equatorianos esbarraram em limitações técnicas. Apesar do maior volume de jogo e das investidas pelas pontas, a LDU falhou constantemente no último passe e nas finalizações, permitindo que o Flamengo resistisse sem grandes sustos. O setor defensivo rubro-negro, liderado por David Luiz e Léo Pereira, se manteve firme na marcação.
Filipe Luís tentou renovar o fôlego da equipe com as entradas de Luiz Araújo e Everton Cebolinha, buscando velocidade nas transições. A mudança trouxe algum gás, mas não alterou o panorama ofensivo do time. A melhor jogada da segunda etapa saiu justamente dos pés de Luiz Araújo, que arrancou da direita para o meio e bateu por cima do gol.
Nos minutos finais, como era de se esperar, a pressão da LDU aumentou. O Flamengo se limitou a se defender e aguardava o apito final. Já nos acréscimos, a equipe da casa teve sua melhor chance com Estrada, que apareceu livre na área após cruzamento da direita, mas finalizou por cima, desperdiçando a bola do jogo.
Flamengo conquista ponto valioso em um cenário complicado
O empate sem gols pode parecer frustrante à primeira vista, especialmente para um time com as ambições do Flamengo, mas dentro do contexto da partida e da fase de grupos, o resultado foi positivo. Jogar em Quito nunca é simples, e voltar com um ponto na bagagem, mantendo o adversário direto sob vigilância, foi um bom negócio.
O desempenho do time ainda está longe do ideal, especialmente na criação de jogadas. Faltou agressividade ofensiva, aproximação entre os meias e os atacantes e mais precisão nas decisões no terço final. Mas, defensivamente, o Flamengo se comportou bem, mostrando solidez e concentração em um cenário adverso.
Com quatro pontos e três jogos restantes, o Rubro-Negro está vivo na briga pela classificação e terá dois jogos em casa para definir seu futuro. A chave agora é recuperar o elenco fisicamente, ajustar o setor criativo e buscar as vitórias nos próximos compromissos.
A LDU, por sua vez, segue líder, mas mostrou que é uma equipe vulnerável. Apesar da força em casa, o time tem dificuldades na construção e dependerá de sua consistência defensiva para seguir adiante.
O Flamengo volta a campo pela Libertadores daqui a duas semanas e encara justamente a LDU no Maracanã, em duelo direto que pode decidir a liderança do grupo. Em casa e sem os efeitos da altitude, o Rubro-Negro terá a obrigação de ser mais agressivo e eficiente. Se conseguir transformar o controle de jogo em chances claras, como não fez em Quito, o time de Filipe Luís pode enfim mostrar seu verdadeiro potencial na competição continental.
(Foto: Divulgação/Conmebol)

